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CAFÉ COM O PSICANALISTA

O desejo pela liberdade

Há um anseio por uma liberdade, a qualquer custo, e esta pressão para ser livre pode levar a um sentimento de confusão e ansiedade

O Anseio pela liberdade O Anseio pela liberdade

A liberdade individual é um conceito fundamental que permeia a essência da existência humana. Desde os primórdios da sociedade, as pessoas têm lutado por sua liberdade, reconhecendo-a como um direito inalienável. Mas somos livres, de fato?

Este é um tema de muitos estudos, reflexões, músicas, filmes e conversas de corredores, ou seja, faz parte do nosso anseio primeiro, das lutas políticas e crises de cada pessoa. Contudo, precisamos pensar sobre isto, e de uma maneira especial neste nosso momento onde há uma demanda quase imperiosa para sermos livres.

A liberdade individual envolve a capacidade de agir, pensar e expressar-se de acordo com as próprias convicções, sem interferências externas indevidas. Porém, em um mundo cada vez mais complexo e interconectado, a liberdade individual é frequentemente ameaçada por uma série de desafios, sejam eles externos ou os de cada pessoa. As restrições autoimpostas, como medo, conformidade social ou falta de confiança, podem limitar a capacidade das pessoas de abraçar plenamente sua liberdade. E na verdade, existe esta possibilidade de liberdade plena? O que acha a respeito?

Mas hoje em dia, há um anseio por uma liberdade, a qualquer custo, e esta verdadeira pressão para ser livre pode levar a um sentimento de confusão, ansiedade e falta de autenticidade. Um famoso filosofo escreveu muito sobre a liberdade: Jean Paul Sartre argumentava que a liberdade individual está intrinsecamente ligada à angústia e à responsabilidade. A liberdade implica a responsabilidade de assumir as consequências de nossas escolhas, e isso pode ser angustiante, já que não podemos transferir a responsabilidade para qualquer outra pessoa ou entidade.

E na minha clínica sempre há o encontro angustiante entre o meu desejo de ser livre e a capacidade de vive-la no meu dia-a-dia, onde temos tantos que fazem de tudo para manter a ideia de liberdade, e esta é neuroticamente fantasiada, como algo sem limite e onde o “eu posso tudo” parece ser superior à própria realidade.

E você, como se coloca sobre este assunto? Tem conseguido olhar para este autêntico desejo de ser livre e colocá-lo dentro do campo da responsabilidade pessoal e lidar com a angústia que advém deste confronto? Este é um grande desafio!

Meu convite para você, neste café de hoje, é que anseie a liberdade, sem ignorar as possibilidades reais, com os limites e vulnerabilidades próprias da condição humana. Pensar a liberdade e limite como elementos humanos vitais. Somos livres, mas não tanto quanto nossa fantasia imperiosa nos mostra. E isto é a condição humana! O que cabe a mim e a você? Lidar com esta angústia e não querer pagar qualquer preço por um ideal de liberdade sem limites e bordas. Fica a dica!

Um ótimo café para você, te espero no próximo café e nas minhas redes. Até la!

Instagram @eliassilva.psi

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