PMs que mataram Robertinho já estão soltos

Eles estavam detidos desde 18 de abril e alegaram legítima defesa

Postado por Redação em 15 de Julho de 2017 às 06h12
Atualizado em 15 de Julho de 2017 às 10h47

Os três policiais militares envolvidos no assassinato do estudante Roberto Campos da Silva, 16, e pela tentativa de homicídio contra o mecânico Roberto Lourenço da Silva, 42, pai do adolescente, foram soltos do Presídio Militar.

Eles estavam detidos desde  18 de abril e alegaram legítima defesa para a Polícia Civil, que, contudo, entendeu ter ocorrido homicídio.

A decisão que coloca os suspeitos pela prática de crime nas ruas foi prolatada pelo juiz Sival Guerra Pires, que entende ser necessário dar aos PMs o devido processo legal.  Um magistrado discordou, mas foi minoria durante o julgamento.

A decisão não significa que os policiais foram inocentados, mas que a prisão cautelar não se justifica até que ocorra julgamento do mérito.

Conforme a Polícia Civil, o trio de policiais deve responder pela prática de inúmeros crimes, como violação de domicílio, abuso de autoridade, fraude processual e usurpação de função pública.

Paulo Souza Junior, Rogério Rangel Araújo Silva e Cláudio Henrique da Silva são integrantes do Serviço Reservado da PM.

O delegado que assina o relatório do inquérito considera que os PMs foram incompetentes em sua ação até ao tentar também matar o mecânico Roberto Lourenço da Silva, já que a intenção seria não deixar rastros e testemunhas do que teria ocorrido. “Clarividente que os policiais atiraram nas vítimas para que elas não testemunhassem o que havia ocorrido e mesmo assim uma das vítimas, por circunstâncias alheias, acabou sobrevivendo”.

O laudo pericial, diz o delegado, mostra que os policiais executaram o adolescente. Acertado com apenas um tiro, que veio de fora, o jovem foi surpreendido dentro de casa e chegou a implorar para viver. Um dos policiais então teria atirado em Robertinho mais duas vezes.  O jovem implorou também para que não matassem o pai dele: “Meu é trabalhador. Não atira nele não”.

A imputação de fraude aos policiais se deve ao fato de não usarem farda.

Os policiais teriam usurpado função de outros policiais, como a Polícia Civil e Federal. A característica principal da atividade militar é usar farda, já que se deve adotar postura ostensiva na atuação. A polícia não estava também autorizada a entrar no domicílio.

O laudo pericial indica também que ocorreu tentativa de mudar a cena do crime.  Ao analisar o local, o perito Hugo Lincoln Martins aponta, por exemplo, o desaparecimento de cápsulas disparadas no local. Segundo a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), os policiais do Serviço Reservado da Polícia Militar (PM) estavam à paisana quando invadiram a casa da família e começaram a atirar. Eles foram presos em flagrante.

Relato

A esposa de Roberto e madrasta do adolescente informou que estava em casa com os dois filhos de 14 e 8 anos do casal quando o crime aconteceu. Ela relata que só não foi atingida junto com as crianças, pois se escondeu durante o tiroteio.

A morte de Robertinho teve repercussão nacional, já que o garoto era estudante e sem passagens pela polícia.

A reportagem do DM tenta contato com a defesa dos policiais militares para comentar a decisão da Justiça, mas não obteve retorno.