Lorranna Santos canta “Elas”

Lorranna e banda apresentam dois shows neste final de semana

Postado por Khryst Serpa em 9 de Fevereiro de 2017 às 23h09
Atualizado em 9 de Fevereiro de 2017 às 23h09

A jovem cantora Lorranna Santos apresenta-se hoje, 10 de fevereiro, no Cafofo, e amanhã, 11 de fevereiro, no Evoé, interpretando canções de Elis Regina, Anitta, Rita Lee, Maiara & Maraísa, entre outros nomes de divas da música brasileira. O intuito é fortalecer o cenário musical, dando visibilidade às mulheres, que tão pouco espaço tem, em diversas áreas. “Preparamos esse repertório com foco em todas as vozes femininas de sucesso na música popular brasileira. Desde cantoras antigas até algumas mais atuais, independente do estilo musical de cada uma”, afirmou a cantora.

Lorranna Santos e sua banda, composta por Gabriel Gueiros (guitarra), Yohann Rodriguez (baixo) e Danilo Tuques (bateria), se apresentam nesta sexta e sábado, em dois espetáculos que prometem homenagear estas grandes vozes femininas. “Hoje em dia nós mulheres estamos conquistando nosso espaço na cena, o que além de me deixar orgulhosa também cria essa necessidade de homenageá-las, uma forma de agradecer”, finaliza Lorrana, que conversou com o DM Revista sobre a visibilidade das mulheres na cena musical, e as perspectivas para 2017.

 

Entrevista com Lorrana Santos

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DM Revista: O repertório destas duas apresentações que marcam o início deste mês de fevereiro é caracterizado por uma mescla gigantescas de estilos musicais. Desde nomes consagradas da música popular brasileira, como Elis Regina, passando por divas do pop, como Anitta, até chegar na rockeira Rita Lee. Além de mulheres fortes e talentosas, o que mais, em sua opinião pessoal, elas têm em comum?

Lorranna: Bom, imagina só se não tivéssemos ninguém para nos representar e se elas tivessem desistido? Todas elas são mulheres enfrentam ou enfrentaram preconceitos no mercado musical e também antes de entrar nele. Cada uma soma de alguma forma, mostram que todo mundo é capaz de conquistar o que quer. Elas são guerreiras, dão voz e coragem a todas as mulheres que acham que não são capazes de atingir seus objetivos.

 

DM Revista: Quais outras mulheres, além das já citadas, e outras que estarão no repertório do seu show, fazem parte da sua influência musical?

Lorranna: Cássia Eller, Pitty, Daniela Mercury, Ana Carolina, Ivete Sangalo que inclusive pra mim ela é tipo a Beyoncê do Brasil, Carne Doce e também algumas autorais.

 

DM Revista: Qual a importância social e musical de cantar “mulheres”, de fortalecer o som feito por elas e, principalmente, para elas?

Lorranna: É desabafar com aquela amiga que você não contaria para mais ninguém, extravasar toda aquela energia que lhe atrasava. Trazendo coragem e inspiração para outras mulheres, não é nada fácil, quando montamos o repertório priorizamos muito em passar o outro lado da moeda.

 

DM Revista: Apesar destes shows terem um nítido intuito de fortalecer o cenário musical produzido por cantoras brasileiras, e de sabermos que muitas mulheres conquistaram seu espaço no mundo da música como vocalistas, poucas são as que ocupam lugar de destaque em bandas. A exemplo da sua própria banda, que é composta apenas por homens. O que você pensa sobre? Que acha que acontece para que tão poucas instrumentistas consigam se destacar?

Lorranna: Bom, na banda por exemplo os meninos sempre pedem pra eu tocar mais instrumentos durante o show, particularmente prefiro compor letras e arranjos vocais quando estamos criando ou gravando e nos shows gosto de usar meu corpo como um instrumento nas performances. Li uma certa vez uma lista do site ‘EBC’ que apresentava 15 mulheres instrumentistas brasileiras, cada uma com sua peculiaridade. Foi uma das poucas vezes também que li em blogs dando destaque a elas, creio que falta que os sites de música deem mais espaço, sabe? Abrir essa pauta e apresentar para o público que não existe só vocalistas incríveis, há instrumentistas incríveis também como por exemplo Badi Assad, Rakta e a Clementine Creevy.

 

DM Revista: Saindo um pouco do âmbito das discussões de gênero, vamos falar sobre os festivais. Você e sua banda conquistaram importantes premiações, como o Festival Juriti, Canto do Cerrado e Festival Taca Boca. Qual a importância para jovens músicos como vocês, já estarem tão bem colocados? Conquistar esse tipo de premiação é sinal de maturação musical, ou outros quesitos importam mais?

Lorranna: Conquistar essas colocações acrescenta mais responsabilidade e é ótimo para nosso currículo, também dá muito mais gás. Só não deixamos isso subir à cabeça e achar que já atingimos um grau de maturidade musical, creio que temos muito ainda o que evoluir. A música nunca para, sempre tem algo novo para aprender.

 

DM Revista: Quais os planos para 2017? Tem música autoral nova vindo por aí? O show “Elas” tem a pretensão de se tornar um projeto, ou estas duas apresentações serão o bastante para saciar o desejo em homenagear tantas vozes femininas?

Lorranna: O projeto cantando “Elas” pode vir a virar um projeto futuramente, mas por agora queríamos agradecer por tudo que todas as mulheres da música têm feito por nós. O nosso foco para esse ano é lançar nosso primeiro CD que em breve estará em todas as plataformas digitais e cair na estrada para divulgá-lo.