Mercado de marmita detox e orgânica cresce 25% ao ano mesmo com crise

Postado por Redação em 16 de Agosto de 2015 às 21h48
Atualizado em 17 de Agosto de 2015 às 08h01

Cristiano Martins,Especial para o Diário da Manhã

Apesar do desaquecimento da economia brasileira, o mercado de alimentação saudável experimenta um período de prosperidade nunca antes visto. As vendas deste tipo de produto praticamente dobraram (98%) no Brasil nos últimos cinco anos e cresceram acima da demanda por alimentos tradicionais (67%) no mesmo período, segundo pesquisa da consultoria Euromonitor.

O segmento movimenta US$ 35 bilhões ao ano no País (é o quarto maior mercado do mundo) e não é difícil entender o porquê disso. De acordo com o mesmo relatório, 28% dos brasileiros consideram o valor nutricional o mais importante na hora de consumir um produto, enquanto 22% dá preferência a alimentos naturais e sem conservantes.

Segundo Gustavo Castro, administrador da La Merenda, empresa especializada no mercado saudável, o melhor momento do setor ocorreu no final de 2014 e início de 2015, mas nesse momento não há sinal de desaquecimento. “Os consumidores dão cada vez mais importância aos benefícios nutricionais. A crise econômica não foi tão devastadora porque essa consciência de saúde e qualidade de vida está acima de qualquer economia”, diz. Ele afirma que, diferentemente das dietas da moda, a alimentação saudável é uma tendência irreversível porque está enraizada em uma mudança de comportamento mais profunda, que vai da longevidade a uma nova forma de se relacionar com o meio ambiente.

 

Conceito

O velho conceito de “quentinhas” mudou e agora as famosas marmitas ganharam uma roupagem mais saudável e nutritiva. Além disso, as vendas deixaram de ser apenas por telefone e passaram a fazer parte do universo tecnológico. Em Goiânia, não param de surgir empresas de comercialização de refeições sem glúten, sem lactose, light, diet e até detox.

De olho nesse mercado em expansão, a indústria tenta se adaptar ao perfil do novo consumidor, investindo em linhas saudáveis e buscando novos investidores e fornecedores. Gustavo aproveita esse “vento favorável”. O aporte financeiro vitaminou os planos de Gustavo para 2015, que pretende lançar mais dez linhas de produtos. “O acompanhamento de pesquisas de mercado garante um portfólio atualizado conforme os desejos do cliente. Isso faz toda a diferença nas vendas”, explica Gustavo.

Segundo o administrador, o seguimento esta em franca expansão. “Se analisarmos, veremos que vários seguimentos estão em crise e o ramo fisnes só prosperando, hoje em toda esquina tem uma academia”, afirma.

Pesquisas divulgadas por órgãos como a Associação Brasileira de Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad) mostram que boa parte da população brasileira tem buscado uma dieta mais equilibrada. Segundo os dados, 80% dos jovens consomem alimentos mais saudáveis e naturais, 35% dos domicílios brasileiros consomem produtos diet e light e 21% consomem produtos orgânicos. O crescimento desse mercado se dá porque o mix de atividade física e alimentação equilibrada é a base para quem investe em hábitos para uma vida mais saudável.

 

Preferência

Menina dos olhos das indústrias de alimentos saudáveis, o mercado brasileiro cresce acima da média mundial. Em 2014 o segmento cresceu 25% e registrou faturamento de US$ 750 milhões. Segundo relatório da consultoria Nielsen publicado em janeiro, 33% dos consumidores declaram que dão preferência a alimentos saudáveis e estão dispostos a pagar mais caro por esses produtos. Nos últimos dois anos, a venda aumentou 28% no mundo.

Os alimentos funcionais também ganham cada vez mais espaço nas prateleiras. São aqueles alimentos ou ingredientes que, além das funções nutricionais básicas, produzem efeitos benéficos à saúde quando passam a fazer parte da dieta habitual.

 

Querendo mais

Informado e exigente, o consumidor do mercado de comida saudável quer bem mais que um simples alimento. Por isso, transparência e responsabilidade socioambiental como valor agregado são estratégias para conquistá-lo. Segundo o relatório da Nielsen, três quartos dos consumidores leem atentamente os rótulos dos produtos e 63% desconfiam do que consta nas embalagens.

Gustavo Castro recomenda investir em informação como principal forma de fidelizar o cliente e ajudá-lo na tomada de decisões. “Há muitos mitos com relação à alimentação saudável. Tem uma demanda do consumidor por transparência e informação e as empresas precisam mostrar que estão se atualizando para atendê-lo. Isso garante credibilidade.”

Além disso, o aumento do interesse do consumidor por alimentação saudável está diretamente ligado à consciência ambiental e social. Segundo o Brasil Food Trend 2020, relatório da Fiesp e do Ibope, as duas tendências andam juntas e o mesmo consumidor que busca alimentos que façam bem à saúde valoriza o selo de qualidade, a origem dos alimentos e os produtores que têm práticas sustentáveis ou projetos sociais. “Nos preocupamos em garantir todas as certificações do produto, além de priorizar fornecedores locais”, diz Gustavo, administrador da La Merenda.