DM Revista | 19 de Agosto de 2008 | Edição nº 7592
Antonio Almeida, Lêda Selma, Ubirajara Galli, Geraldo Coelho Vaz, Maria de Fátima Gonçalves Lima e, sentada, a matriarca da editora que leva seu sobrenome, Esther Oriente, na Bienal do Livro
Adevania Silveira
Editora do DMRevista
Esther Barbosa Oriente era uma das mais entusiasmadas integrantes da caravana de escritores goianos que seguiu esta semana para São Paulo a fim de participar da 20ª Bienal Internacional do Livro. Logo após a chegada dos anfitriões ao estande, a Editora Kelps e a Distribuidora Leart, a autora de D. Pedro II – Imperador da Cultura, lançado no início do ano, recebeu de Antonio Almeida, diretor-presidente da editora goiana, placa em homenagem aos irmãos Oriente. A escritora é mãe de José e Taylor Oriente, fundadores da extinta Editora Oriente, que na década de 70 publicou cerca de 400 títulos de autores goianos e deu novo rumo ao então incipiente mercado editorial do Estado.
A cena festiva, composta por uma platéia ilustre da literatura goiana – estavam lá Bariani Ortêncio; Modesto Gomes; Ubirajara Galli; José Martiniano da Silva; Geraldo Coelho Vaz, presidente da Academia Goiana de Letras; Sâmella Saraiva; Edival Lourenço, presidente da União Brasileira de Escritores - seção Goiás; Edmar César; Lêda Selma, única representante feminina da AGL; Maria de Fátima Gonçalves Lima, representante da Universidade Católica de Goiás; Cláudio de Castro, presidente da Academia de Letras de Aparecida de Goiânia –, se estendeu com menções ao ex-secretário municipal de Cultura Kléber Adorno e ao Sebrae, que, juntamente com a Celg, são apoiadores da presença da Editora Kelps e da Leart na bienal. A distribuidora, que é comandada por Leandro Almeida, filho de Antonio, representou na bienal várias outras editoras do Estado de Goiás e o Grupo Texto, editora portuguesa.
Após as homenagens, a escritora Lêda Selma lançou o livro Eu, hem?!, editado pela Kelps, que saiu direto do forno para a bienal. A obra reúne crônicas e contos publicados no DM, no período de 2006 a 2008. Logo depois, Lêda seguiu para o Magnólia Vila Bar, também em São Paulo, para promover o lançamento da obra.
Crescimento
Esta é a 12ª vez que a Editora Kelps participa de uma bienal do livro e a 8ª em que promove a participação de escritores. Há 26 anos no mercado, Antonio Almeida afirma que esta é a grande oportunidade de negócios tanto para a empresa quanto para o grupo de escritores. Às bienais, Almeida atribui o crescimento contínuo do mercado editorial goiano, especialmente no primeiro semestre deste ano, quando registrou aumento significativo no número de livros editados. No ano passado, a Kelps publicou em média 25 obras ao mês; em 2008, o número subiu para 60, segundo Almeida. “O crescimento se deve à participação nas bienais e aos escritores que divulgam nosso trabalho”, diz o editor.
Nas duas décadas e meia de existência, a Kelps tem publicado mais de 5 mil títulos, de 700 autores, também segundo dados de Almeida. O sucesso da editora, que começou na varanda da casa dos pais do empresário, foi alavancado na década de 90, quando o então presidente da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás, Geraldo Coelho Vaz, e o seu vice, Iúri Rincon Godinho, procuraram Almeida para propor a idéia das Edições Consorciadas. O plano, semelhante aos consórcios de carro, consistia em publicar um livro a cada mês de dez escritores goianos, pago pelo grupo fechado. A estratégia deu certo e acabou movimentando a cena literária na época. Almeida revelou durante a bienal que pretende retomar as Edições Consorciadas. Um grupo de membros da Academia Brasiliense de Letras já manifestou o desejo de ressuscitar a idéia, segundo o editor.
Antonio Almeida não poupa elogios à Lei Municipal de Incentivo à Cultura e atribui a ela parte do mérito de ampliar o volume de livros editados no Estado. “É fantástica, porque oferece renúncia total de impostos, enquanto a Lei Goyazes só oferece 50%.”
Antonio afirma que as dificuldades das editoras goianas recaem em outra área: a da adoção de livros para vestibular. Segundo o editor, é inconcebível que no Estado sejam adotados 18 títulos, enquanto noutros locais, como, por exemplo, São Paulo, são somente seis. “Não há pai que consiga pagar de uma vez tantos livros”, reclama Antonio. Com um agravante: “Do total, somente três títulos são de autores goianos.” O editor defende que esta política precisa ser revista pelas universidades.
O começo
Metido em um terno bem alinhado, é possível que ninguém possa imaginar que o empresário Antonio Almeida já tenha calejado as mãos de tanto trabalhar no cabo da enxada. Muito menos que, até os 15 anos, não havia conhecido outra atividade a não ser a de lavrar a terra. Hoje, sócio-proprietário com mais três irmãos na Editora Kelps, Antonio Almeida relata a sua história de vida com o mesmo sabor das novelas que publica.
Após anos na lida da roça, os pais de Antonio se transferiram para a cidade com a missão de oferecer vida nova à penca de nove filhos. Um deles foi trabalhar numa gráfica e Antonio foi contratado, com a ajuda de um cunhado, por uma fábrica de revestimentos para pisos. Conseguiu a vaga de mecânico sem saber distinguir chave de fenda de maçarico. Para driblar a falta de conhecimento e a desconfiança dos chefes, que o achavam inexperiente demais, conseguiu decorar em uma noite o nome e número de todas as ferramentas que usava para trabalhar.
A persistência e a disposição de Antonio fizeram com que subisse de cargo até ser transferido para São Paulo, para ocupar funções mais importantes. Mas daí surgiu o convite do irmão para abrirem uma gráfica com o dinheiro do Fundo de Garantia de ambos. Aceitou. Em pouco tempo, a Gráfica Kelps nasceu na varanda dos fundos da casa dos pais. “Foram oito meses comendo arroz com ovo”, relata Antonio sobre o período de aperto que a pequena empresa atravessou.
A mãe era a maior incentivadora. Sempre que via os filhos desanimados, repetia a frase de incentivo: “Amanhã será melhor.” E assim aconteceu. Logo após publicarem o primeiro livro, Travessia de Gente Grande, de Ademir Hamu, a história mudou de rumo. O boca a boca venceu e então puderam transferir a gráfica para prédio na Fama, onde está até hoje. De lá para cá só contabilizaram lucros. Outros dois irmãos entraram para o negócio e hoje a família está firmada no mercado editorial. Com isso, Leandro Almeida, seguindo os passos do pai e dos tios, abriu a Leart, que distribui obras de várias editoras e está prestes a fechar contrato com uma empresa espanhola. Na carteira de clientes da Leart está inscrita uma editora portuguesa.
A editora viajou a
convite da Editora Kelps

