Opinião | 21 de Agosto de 2008 | Edição nº 7594
Valterli Guedes
Valterli Guedes é advogado, jornalista, sócio do Escritório Guedes e Willar Advogados e Consultores e diretor e editor-geral da
Uma idéia extemporânea, além de esdrúxula, ganhou corpo nos últimos anos: a da habilitação de leigos, vale dizer, de qualquer um, para o exercício da profissão de jornalista. Um esforço pela volta ao passado. Como tal, na contramão da realidade. Tanto é verdade que, ao contrário dessa pretensão de tornar desnecessário ou obsoleto o curso de Jornalismo, tem-se notado, noutras áreas, é uma verdadeira proliferação de cursos. Outro dia, chegando a um hotel de Belo Horizonte, quem carregou minha mala foi um rapaz diplomado em Administração Hoteleira, de nível superior. Não era a sua tarefa de rotina. Mas, na condição de gerente prestativo, substituiu o boy. Acho até um exagero, porque no meu modo de ver o nível médio estaria de bom tamanho para gerenciar um hotel, em especial se sem sofisticação, como aquele. Mas, pensando bem, qual é o mal? Acho até que nesse ritmo em que as coisas andam, com cursos superiores para formar organizadores de eventos e até cabeleireiros, em breve poderemos encontrar varredores de ruas formados em Meio Ambiente. A população só terá a ganhar com isso.
Já a ameaça à qualidade do Jornalismo é real. Tanto que o Supremo Tribunal Federal deverá em breve adotar uma decisão, porque há sentenças de primeiro e de segundo graus liberando o registro profissional para não-diplomados.
Se a coisa pega, seria como admitir novos rábulas, os práticos de antigamente, para o exercício da Advocacia. Se algum deles estiver por aí, tudo bem, graças ao princípio do direito adquirido. Do mesmo modo, quanto ao Jornalismo, cujos não-formados tiveram a sua oportunidade de registro por volta de 1969, graças a uma regulamentação de autoria do então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. Curso de Jornalismo no Brasil, naquela época, era novidade. Hoje eles aí estão, às centenas, e se alguma medida precisa ser adotada é a sua melhoria, o aperfeiçoamento. O que, aliás, é uma necessidade em todos os nossos cursos, desde o ensino fundamental aos superiores, passando pelo médio e remetendo à pós-graduação.
É preciso, além dos aspectos técnicos, da habilitação profissional em si, cuidar da formação para a cidadania, do conteúdo humanístico. O profissional de nível superior deve ser alguém habilitado ao convívio social, voltado para a construção de uma sociedade solidária e harmônica. Isso deve ser responsabilidade primordial do sistema de ensino.
Conversando há poucos dias com o tenente-coronel Sérgio Mendes, responsável pela Comunicação Social da Polícia Militar de Goiás, tomei conhecimento de uma boa nova: “A partir de agora – disse-me o coronel Mendes –, todos os nossos concursos públicos para admitir soldados irão exigir nível superior”.
Em poucos anos, portanto, teremos toda a corporação integrada por portadores de diplomas universitários. A PM está fazendo sua parte.
Por estar exigindo há duas décadas o nível médio para admitir soldados, nossa PM já é campeã em soldos. Perde para o DF, cuja segurança pública é garantida por bilhões do governo federal. Ganha de Estados poderosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Exigindo o nível superior, está se credenciando a reivindicar soldos mais altos ainda.
Na contramão dessa tendência, os defensores do jornalista leigo querem, por certo, achatar ainda mais os salários desses profissionais. E ancoram-se na defesa do direito de opinião, como se esse direito não pertencesse a todos. No Diário da Manhã está o exemplo, pois nele escrevem médicos, pastores, políticos, pais de santo, macumbeiros, raizerios, advogados e uma infinidade de outros profissionais. Escrevem o patrão e o desempregado. Além dos artigos de opinião, a seção de cartas é aberta à comunidade em geral. Assim é e assim será, porque Batista Custódio é um campeão na luta pelo direito à liberdade de opinião.
Agora, para o exercício diário do Jornalismo, para ser repórter com carteira de trabalho assinada, aí sim, deve-se exigir a formação superior. É recomendável que, depois de formado, o jornalista prossiga estudando. Isto será uma garantia ao leitor de estar sendo servido por um profissional realmente habilitado, que sabe do que escreve.
Do contrário, veremos, por exemplo, analfabetos entrevistando policiais cultos, nesse quadro de descompasso que, espero, terá seu fim a partir do breve pronunciamento do Supremo Tribunal Federal.
Valterli Guedes é advogado e jornalista

PARABÉNS VALTERLI GUEDES, O SEU COMENTÁRIO FOI MUITO BOM.GRAÇAS A DEUS TEMOS AS PÁGINAS DO DM-ONLINE PARA EXPRESSAR O QUE PENSAMOS, MAS EU TAMBEM CONCORDO QUE UMA EXPRESSÃO DE PENSAMENTO SÓ É VÁLIDA PARA CONSTRUIR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E IGUALITÁRIA PARA TODOS.UM COMENTÁRIO CONSTRUTIVO....QUERIA EU TER ALGUEM QUE PDESSE ME APONTAR CAMINHOS, ILUMINAR MINHA ESTRADA.SOU CONTRA OPINIÕES DESTRUTIVAS.DEVEMOS ILUMINAR OS CAMINHOS...E NÃO APAGAR AS LUZES DO PROXIMO.GOSTO MUITO DE DAS PÁGINAS DE POLÍTICA.E SABE PORQUE?PORQUE NOSSO FUTURO ESTÁ NAS MÃOS DOS MESMOS.POSSO TER OS MEUS POLITICOS PREFERIDOS...QUE TAMBEM PODEM MELHORAR.QUANTO AS OPOSIÇÕES...NA MINHA CABEÇA ELES NÃO EXISTEM.PORQUE EU ACREDITO É NOS HOMENS.TODA AUTORIDADE, POR PIOR QUE ELA SEJA, ELA É PERMITIDA POR DEUS.AGORA CABE A NOS ELEITORES ...VOCES JORNALISTAS, QUE LIDAM COM AS PALAVRAS, O DOM DA ESCRITA, FORMADORES DE OPINIÕES....FAZEREM A SUAS PARTES. MAS SEMPRE ABRINDO ESTRADAS, DANDO VISÕES....OPORTUNIDADES ATÉ MESMO PARA AQUELES POLITICOS E OUTROS ACERTAREM OS SEUS CAMINHOS, AS ESTRADAS OS QUAIS TRILHAM.PORQUE O QUE IMPORTA É SERMOS FELIZES, VER O POVO FELIZ , CONCIENCIA QUE ESTAMOS FAZENDO A NOSSA PARTE.QUANTO AQUILO QUE ESTRAVESAMOS AS VEZES NA ANCIA DE ACERTAR....AINDA BEM QUE TEMOS A EQUIPE DO DM EM PRONTIDÃO...AGORA UM JORNALISTA CONCIENTE DO PODER DE SUAS MÃOS, DE SUAS PALAVRAS, DE SUAS ESCRITAS...JAMIAS PODERÁ ERRAR! SEI QUE TAMBEM SÃO HUMANOS PASSIVOS DE ERROS, MAS DAÍ VEM A RESPONSABILIDADE COM O POVO.O QUE O POVO VAI PENSAR...COMO VÃO REAGIR....VAI SER BOM? VOU CONSTRUIR? CONTRIBUIR PARA UMA SOCIEDADE MAIS CRISTÃ, SOLIDÁRIA, MAIS JUSTA? UM HOMEM DAS LETRAS.... DAS PAGINAS DE UM JORNAL....TAMBÉM TEM A AUTORIDADE DE DEUS...QUE DE ALGUMA FORMA ALGUM DIA SERÁ COBRADA DAS MÃOS DE DEUS. E AÍ? TERÁ VALIDO A PENA...EM TER PERDIDO A OPORTUNIDADE DE USAR A FERRAMENTA A QUAL DEUS LHE DEU ... PARA VOCE FAZER A SUA PARTE...PARABÉNS VALTERLI, O INVESTIMENTO TEM QUE SER NA QUALIDADE DAQUELES QUE BUSCAM UMA FORMAÇÃO SUPERIR.PRINCIPALMENTE A DE JORNALISMO, A QUE LIDA COM OS PENSAMENTOS NA CABEÇA DAS PESSOAS. Cód: 13990
Excelente a desfesa de Valterli Guedes sobre a necessidade de manutenção da obrigatoriedade do diploma de ensino superior em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo para exercício da profissão de jornalistas.
Querer ser jornalista sem curso superior é um absurdo! Quiséramos nós, jornalistas, resolver sermos médicos da noite para o dia ou, quem sabe, advogados, para ver no que daria: seríamos presos e condenados por exercício ilegal da profissão.
Se o MEC, há décadas atrás criou o curso de Jornalismo no âmbito do ensino superior, foi justamente por considerá-lo essencial a sociedade e à prática jornalística.
E viva o diploma e a busca contínua por aperfeiçoamento profissional!
Cód: 14036



Resultados credenciam Dunga para permanecer no comando da seleção até Copa de 2010?
