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Opinião | 28 de Agosto de 2008 | Edição nº 7601

O Gordo e a cidade

Jorge Taleb
Jorge Taleb é jornalista e escreve às quintas-feiras. teracom@terra.com.br

Duas semanas de ausência e a falta de informações sobre o Gordo da Praça Tamandaré dão causa a preocupações, pois ele sempre se faz presente nos momentos críticos ou que ensejam algum comentário sarcástico de sua parte. Tanto nas críticas quanto em suas zombarias, o Gordo procura agir como um enviado do bom senso, mesmo que, por vezes, tenha de levantar questões que não agradem gregos, troianos ou goianos.

Sua ligação para meu celular, a cobrar, em hora não adequada (passava da meia-noite), prenunciava algo sério.

– Meu prezado jornalista, como você, que mora no Setor Bueno, vê essa bagunça no trânsito em seu bairro e adjacências, com a construção daquela obra na 85 com T-63?

– A situação está complicada, Gordo. Parece que nem os agentes da Superintendência Municipal de Trânsito se entendem. Na noite de sábado mesmo, um deles informou-me erradamente sobre ruas liberadas, obrigando-me a rodar alguns quilômetros a mais.

– Essa turma não calcula o quanto, com esses congestionamentos, o goianiense está gastando a mais em combustíveis e poluindo a cidade. Sem falar na falta de estudos técnicos preliminares para a execução dessa obra, pois não foi detectada a profundidade do lençol freático, obrigando a prefeitura a maiores gastos com a construção de galerias para o escoamento da água. A pergunta que faço: será que o lago do Parque Vaca Brava não ficará poluído? Parece que planejamento não faz parte do dicionário dessa gente, que só pensa no imediatismo.

– Acontece, Gordo, que nossa conversa está ficando velha, pois estão anunciando a liberação desse viaduto amanhã, sexta-feira.

– Só será liberada uma parte da obra. A maioria dos transtornos continuará, principalmente no que se refere às galerias. Afinal, meu irmão, é tempo de eleição. Se não liberassem uma parcela da obra, a situação iria ficar complicada para quem quer ser reeleito. Pode anotar aí: inauguração de obra pronta mesmo só depois do primeiro turno.

– Você continua um tanto pessimista, Gordo.

– Pessimista coisa alguma. Sou é realista. Tanto sou realista que pretendia colocar uns carros de som no meio desses congestionamentos e divulgar que o problema no trânsito é uma oferta da Prefeitura de Goiânia.

– Gosta de uma provocação...

– Ficaram meses nos provocando com esses transtornos causados pela obra do viaduto que até que mereceriam um troco.

– Mudando de assunto, Gordo, o que você está achando da propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e televisão?

– Confesso que fiquei procurando alguma coisa, principalmente na campanha dos candidatos a vereador, mas não achei nada. Quanto aos candidatos à prefeitura, acho que os adversários do atual prefeito o estão cutucando com vara curta. Deve ficar interessante daqui em diante.

– Ele será candidato em 2010?

– É o que parece. Mas terá de enfrentar algumas dificuldades, como, por exemplo, explicar aos seus eleitores, caso seja reeleito agora, como renunciará ao cargo de prefeito já em abril de 2010, com um ano e quatro meses de segundo mandato, sendo obrigado a entregar a prefeitura para o PT, pois seu vice é petista.

Acho que meu amigo Gordo cansou de falar sobre política, pois desligou o telefone sem dizer um tchau.


Jorge Taleb é jornalista e
escreve às quintas-feiras.
E-mail: teracom@terra.com.br

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