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Opinião | 28 de Agosto de 2008 | Edição nº 7601

O transporte coletivo e o caos no trânsito

Gilvane Felipe
é professor universitário, historiador e candidato a prefeito de Goiânia pela Coligação “Goiânia em Movimento” (PPS-PV)

Em recente debate realizado por uma emissora de rádio de Goiânia, o atual prefeito e candidato à reeleição, afirmou que cumpriu a promessa que fez durante a campanha em 2004 de resolver o problema do transporte coletivo urbano em seis meses.

Diante dessa afirmação, temos uma escolha a fazer: ou acreditamos no prefeito ou acreditamos nas centenas de depoimentos espontâneos que temos colhido no decorrer da atual campanha eleitoral, nas visitas que temos feito aos terminais de ônibus de Goiânia.

Os usuários do transporte coletivo ficam chocados quando comentamos a afirmação do prefeito. Temos ouvido muitas opiniões nos terminais de ônibus: “Ele diz isso porque não anda de ônibus”, “os assessores dele devem estar mentindo pra ele”, “ele não vê porque também ganha com isso”... e por aí vão as opiniões populares. Em quase 100% dos casos, a revolta com a declaração do prefeito é grande.

O que temos visto do transporte coletivo nesses dias de campanha é uma situação que beira ao ultraje. Nos terminais das praças A e da Bíblia – verdadeiros currais –, só por sorte não ocorrem mortes por atropelamento cotidianamente, tamanha a confusão reinante. As pessoas ficam amontoadas, disputando no cotovelo um lugar no próximo ônibus.

Desnecessário dizer que, nessa corrida, quem mais sofre são as crianças, as mulheres e os idosos.

Goiânia vê hoje, assustada, a qualidade de vida de que sempre nos orgulhamos ser ameaçada. Pessoas que para cá se mudaram, fugindo de grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e outras, já falam em procurar outro refúgio, pois a Goiânia pela qual se apaixonaram está em risco. Pelo que ouvimos, o sintoma mais visível dessa decadência é o caos no trânsito.

Ora, todos os especialistas no assunto repetem incansavelmente que a principal solução para o caos das grandes cidades continua sendo o transporte coletivo de qualidade. Em Goiânia, há décadas temos um transporte coletivo ruim e caro. Nesse setor, nós vivemos uma situação de “inconstitucionalidade institucional” , como dizem os juristas.

Essa situação só permanece por conta do monopólio da exploração do transporte coletivo por umas poucas empresas de transporte e a cumplicidade, ativa e passiva, das diferentes administrações que ou temem enfrentar esse poderoso lobby ou dele dependem para garantir suas eleições.

Os ônibus são em número inferior ao necessário e por isso vivem lotados. Entretanto, ao bem da verdade, é preciso dizer que o mero aumento do número de ônibus nas ruas não resolverá o problema do transporte coletivo, pela óbvia razão de que os ônibus não voam, eles têm que passar pelas mesmas ruas congestionadas, porque a atual gestão não criou mais corredores exclusivos para eles. Fico imaginando o que acontecerá se de repente forem acrescidos, como prometeu o prefeito, mais mil ônibus no conturbado trânsito de Goiânia. É claro que precisamos de mais ônibus, mas esse aumento tem que ser planejado e concomitante com a retirada de veículos das ruas.

Aqui está o nó da questão: para que as pessoas deixem seus carros na garagem e escolham ir de ônibus, é preciso que elas confiem e aprovem a qualidade do transporte coletivo urbano. É preciso que esse transporte tenha pontualidade, para que as pessoas cheguem na hora em seus compromissos; conforto, para que não cheguem suadas e amarrotadas aos seus destinos; e, segurança, pois em algumas linhas o risco de furto e roubo está sempre presente.

Outro aspecto decisivo na solução do atual impasse, sem o qual todo esforço é inútil, é a educação para o trânsito, mudando mentalidades individualistas e ultrapassadas, e preparando as pessoas para as grandes mudanças necessárias para escaparmos ao colapso do trânsito, previsto por vários especialistas para acontecer em no máximo em cinco anos.

Intervenções de engenharia nas vias públicas também são uma ferramenta, mas não pode ser a única, como tem acontecido na gestão do atual prefeito. No trânsito, como em tudo, a atual gestão só privilegia as coisas, as obras físicas, nunca as pessoas. A pergunta que fica é: quantos viadutos mais serão necessários para que a atual gestão se dê conta de que o caminho que está trilhando leva nossa cidade diretamente para o caos no trânsito?

A implantação do Metrô é necessária. Trata-se de um meio de transporte ágil, confortável, seguro e viável para qualquer grande cidade no mundo.

Nenhum gestor público de uma grande cidade como Goiânia tem o direito de se posicionar contra a proposta de Metrô, sob pena de condenar a cidade que administra ao atraso nas questões relativas ao transporte coletivo e ao trânsito. Até mesmo cidades menores que a nossa já têm seu projeto de metrô em andamento. E é triste ver a resistência do atual prefeito à idéia e notar que em quatro anos de mandato ele não deixará para seu sucessor nem mesmo um projeto de construção do Metrô de Goiânia.

O Metrô, contudo, não é o remédio mágico que resolverá de imediato todos os problemas do transporte e do trânsito em Goiânia, mesmo porque esta é uma solução de médio e longo prazo; entretanto, é uma iniciativa que não pode mais ser adiada por nenhum gestor responsável em pleno Século 21. Nós começaremos a sua implantação em nossa gestão à frente da prefeitura.

Todavia, é preciso reconhecer que o caos que vivemos hoje no trânsito em Goiânia não pode esperar pela implantação do Metrô, que certamente durará vários anos. O atual estrangulamento do trânsito se resolverá com um conjunto planejado e articulado de iniciativas visando a diminuir o número de veículos nas ruas. Iniciativas essas que vão desde a firme exigência de que as empresas de transporte urbano cumpram os contratos que têm com o município, sob pena de anulação dos mesmos; passam por intervenções na área de engenharia de tráfego com a utilização de alta tecnologia para controle e gestão do trânsito, pelo estímulo ao uso seguro de bicicletas, por campanhas de educação para o trânsito, e chegam até a construção do Metrô de Goiânia.

A atual gestão já deu mostras de incapacidade para enfrentar e implementar todas essas medidas urgentes para sanear o trânsito. Será preciso uma nova visão administrativa e de futuro para salvar a qualidade de vida em Goiânia. Será preciso brecar o crescimento desordenado e mudar o rumo do desenvolvimento, se quisermos que ela continue essa cidade que nós todos amamos viver. Se não fizermos isso, em pouco tempo nossos filhos nos cobrarão pelo crime que cometemos contra o lugar onde eles vivem.


Gilvane Felipe é professor universitário, historiador e
candidato a prefeito de Goiânia
pela Coligação Goiânia em Movimento (PPS-PV)

Comentários

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Jose Achkar Petrillo

28/08/2008 | joseachkar.senai@...

Estive na cidade do Rio de Janeiro, durante 10 dias, no qual fiz uso do transporte coletivo para me locomover na cidade maravilhosa, e para minha grande suepresa e felicidade, costatei uma grande boa educação dos motoristas de onibus urbano, mesmo em horarios de pico, e olha que no Rio horario de pico é de pico mesmo! Independente do transito, ou de qualquer outra coisa, os motoristas são realmente bem educado com os passageiros, idósos ou não, mesmo quando o passageiro ainda esta longe do ponto, eles esperam, esperam tbm o passageiro embarcar ou desembarcar com muita educação, o que não acontece em nossa capital Goiania, a onde tbm faço uso do tranporte publico, e tenho costatado inumeros exemplos de falta de educação e paciencia, por parte dos motoristas de onibus em relação aos passageiros jovens ou idósos, é uma vergonha, pois goiania quase que um bairro em relação a cidade do Rio de janeiro, no que diz respeito ao tamanho e a quantidade populacional, sendo os motoristas cariócas, muito, mais muito mais bem educados que os motóras de goiania, Motoristas de onibus de goiania, ENVERGONHEN-SE Cód: 14308

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Mara Cristina Biasom

28/08/2008 | marabiasom@...

Concordo com Gilvane Felipe, o trânsito de Goiânia está uma caos, o transporte público deixa muito a desejar, eu mesmo não deixo meu carro em casa para andar de ônibus, é ilusão pensar que estou fazendo a melhor opção, pois tenho certeza que não é, pois os ônibus, por mais que sejam novos, continuam cheios, atrasados com motoristas despreparados que não respeitam as pessoas que utilizam do transporte ao qual servem. Tenho relatos de vários amigos que foram assaltados dentros dos ônibus coletivos, eu mesmo já fui assaltada quando utilizava deste transporte, então, não me arrisco enquanto não houver uma solução eficiente.
Gilvane, tem todo meu apoio!
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