Opinião | 28 de Agosto de 2008 | Edição nº 7601
Francisco Barros
Francisco Barros é jornalista, publicitário e diretor da Comunicação Interativa. E-mail: francisco@interat.com.br
É inconteste que vivemos um período de grande descrédito na política e nos políticos. O desencanto se deve a vários fatores. Um deles: os sucessivos escândalos envolvendo agentes públicos. Nas escolas e universidades, a participação dos jovens no movimento estudantil é mínima. O desinteresse desse segmento é lamentável. Afinal, caberá a eles conduzir os destinos do País.
A política feita com idealismo parece coisa do passado. Até que ponto esta afirmação guarda uma excessiva carga de saudosismo? Não obstante, a imagem que a população faz hoje dessa atividade está associada a interesses e vantagens pessoais. A fulanização da política contribui para reforçar essa situação. E o que dizer dos atuais candidatos? As propostas que apresentam (ou a falta delas) não estimulam a melhoria desse quadro.
Para justificar o desinteresse pela política é comum ouvirmos a seguinte afirmação: “Não gosto de política porque os políticos são todos farinha do mesmo saco, são todos corruptos.” Com isso, dão as costas a uma atividade que é vital para a organização da sociedade. Quem se abstém do processo político mal sabe que está dando um cheque em branco para aqueles que vão governá-lo.
Muitos críticos da política também não se dão conta da importância do voto. Enxergam o ato como uma mera obrigação. Não compreendem que este é um direito duramente conquistado. Melhor ainda: historicamente conquistado. A nossa jovem democracia ainda se ressente de aperfeiçoamentos. Impossível esquecer que de 1964 a 1985 vivemos amordaçados e subjugados por uma ditadura militar.
Os hábitos e costumes políticos só serão mudados se houver participação popular na política. Ignorá-la, em última instância, só reforça os políticos que querem usar a política como trampolim para enriquecer. Só haverá transformação real se enxergarmos a administração pública com outros olhos. Somos nós, eleitores, cidadãos, que devemos exigir transparência, ética, eficiência dos gestores públicos e dos nossos representantes no parlamento.
Adotar uma atitude eqüidistante é um erro crasso. Se não concordo com o cenário político, devo questionar: o que fazer para alterá-lo? Discutir política, nesse sentido, é debater os rumos que queremos dar para nossas vidas, nossa cidade, nosso Estado e nosso País. Até mesmo para o futuro do planeta Terra. Esqueça, portanto, aquela idéia atrasada, retrógrada, segundo a qual política não se discute. Essa máxima deve ter sido criada por um político muito esperto (e, com certeza, corrupto).
Todas as relações na sociedade são, em última instância, políticas. O ar que respiramos, só para ficar num exemplo, tem relação direta com a política. Quando está poluído é porque o tema está sendo negligenciado.
Nesse sentido, política e cidadania são irmãs siamesas. Uma não sobrevive sem a outra. A cidadania necessária só será edificada se tivermos claro o seu significado político. Ela se traduz no tripé: bem comum, igualdade social e dignidade coletiva.

Muito bem escrito o artigo do jornalista Francisco Barros. Se a sociedade não se importar com a política nunca teremos uma país com políticos sérios e conseqüentemente mais escândalos surgiram. Só teremos mudanças significativas quando nós pararmos para prestarmos mais atenção e estudar os nossos candidatos. Mas, como disse Francisco Barros, não adianta só participarmos da política no pleito eleitoral, é preciso que a população fiscalize quem ela elege, saber de seus projetos e sua postura durante o mandato. Não podemos nos contentar com essa postura que temos de votar e depois de passados um ou dois anos, não sabermos em quem votamos. E quem diz que não gosta de política, fica o recado de que a todo momento estamos fazendo política com nossas escolhas. Cód: 14302
o jornalista e publicitario Francisco Barros falou em poucas palavras o que a nossa grande m idia e o nosso querido DM tem que pautar no dia a dia.e nao enveredar pela blindagem de politicos espertos e mal intencionado. Cód: 14319
Muito interessante o texto a política e a cidadania, há dias venho procurando um texto neste perfil para trabalhar com meus alunos, pois, como a eleição está tão próxima é necessário que nós educadores façamos o nosso papel de esclarecer a importância da política para o desenvolvimento da cidadania porque politicagem é bem diferente de política e todo cidadão deve ter comprometimento sério na hora de votar e acima de tudo ter consciência. Sei que este texto me dará o subsídio que necessito para retomar o meu trabalho na 2ª feira 08/09/08
Obrigada Aparecida Cód: 14834



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