Opinião | 28 de Agosto de 2008 | Edição nº 7601
Pedro Palazzo Luccas
Pedro Palazzo Luccas é editor de Brasil/Mundo do DM. E-mail: jornalistapedro@gmail.com
Se o horário eleitoral fosse ao vivo, o primeiro dos problemas que políticos e marqueteiros listariam seria o aumento do custo de produção.
Mas o horário eleitoral não tem nada de gratuito. Todos nós, contribuintes – inclusive, os políticos e marqueteiros que contribuem –, pagamos.
Problema resolvido.
Sem aumentar impostos, governo federal, faça o favor de repassar ou ao menos direcionar quantia a mais para que contratem aparato técnico capaz de mostrar ao vivo a caminhada do candidato “A” pelo Recanto das Minas Gerais. Ou a enquete da campanha do candidato “B” com transeuntes da Praça do Bandeirantes sobre a qualidade do serviço de Saúde nos Cais do município.
Dessa maneira, poderíamos avaliar a real aceitação dos concorrentes e a opinião dos eleitores. A campanha ficaria mais interessante. Sairia dessa modorra que se segue de dois em dois anos – porque assim também são os pleitos estadual e presidencial. Musicazinha emotiva. E tome-lhe gente com cara sofrida na televisão para falar que está tudo muito ruim. Sertanejão (forrozão, etc.) alegre, e dá-lhe moçada bonita e feliz. Chega!
Quero ver povão de verdade. Desses que não vão ter nem a chance de perguntar: “E que que (sic) eu ganho pra aparecer na tevê falando bem do fulano?” Isso para os que perguntam. Antes que protestem, sei que é possível encontrar gente disposta a aparecer sem cobrar. Mas o contrário também acontece. Quero ver candidato correr o risco de estender a mão e ganhar um “não” como resposta.
Seria, no mínimo, divertido. “Olá, meu nome é...” Já era. O cidadão precisa ir trabalhar, candidato, não pode parar para te dar um abraço em frente às câmeras. E os entrevistadores das enquetes, hein? Precisariam de muito jogo de cintura. Lá vai o repórter da oposição perguntar: “O que a senhora pensa sobre a Educação municipal?” E a senhora, aos pés do Anhangüera, responde: “Uai, minha filha, sabe que eu acho até boa?” “A democracia tem dessas coisas”, ponderaria o staff de campanha.
Não vamos nem falar dos vereadoriáveis. Esses já nos divertem o bastante.
O fato de a campanha ser ao vivo não impediria que as coordenações ensaiassem antes com os moradores da Vila “X” todos os passos de um evento. Com batedores para evitar qualquer transtorno. Mas os riscos para os candidatos seriam maiores. E a verossimilhança para nós, eleitores, mais satisfatória. No mínimo, conseguiríamos rir um pouco mais. Televisão é entretenimento, não é? Seria informação com entretenimento. Olhem que beleza! E, por fim, como diz aquele apresentador chato da televisão, quem sabe faz ao vivo.
Pedro Palazzo Luccas é
editor de Brasil/Mundo do DM.
E-mail: jornalistapedro@gmail.com


