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Opinião | 06 de Setembro de 2008 | Edição nº 7610

Trânsito de Goiânia precisa de boas idéias

Da Redação

A criatividade consiste apenas em perceber o que já está lá. Sabia que os sapatos direito e esquerdo só foram inventados há pouco mais de um século?
(Bernice Fitz-Gibbon)

A Prefeitura de Goiânia esbanjou ousadia ao construir o complexo viaduto/trincheira nas avenidas T-63 e 85. Críticas eram esperadas e vieram aos quilos. Mas o trânsito, que suporta diariamente frota composta por mais de 800 mil veículos, não pode esperar. Depende de soluções rápidas e, sobretudo, criativas. A elevação de uma avenida e/ou rebaixamento de outra pode até não resolver o problema como um todo, mas sem dúvida contribui. Um ponto de estrangulamento a menos já é muito diante do caos. Na relação custo-benefício, os R$ 18 milhões gastos na obra têm impacto reduzido.

É evidente que soluções mais eficazes envolvem a melhoria do transporte público. A construção de duas linhas de metrô (norte-sul e leste-oeste) seria fundamental para o futuro de Goiânia, que ganha ares de metrópole com crescimento populacional e econômico. Porém, enquanto o investimento necessário, na casa de bilhões, não se torna realidade, criatividade por parte do gestor público é algo preponderante.

Matéria publicada no último dia 18 pelo DM aponta caminhos. Uma boa idéia – boa principalmente por não exigir investimento – seria a implantação de áreas de embarque e desembarque em escolas e faculdades, como já acontece em São Paulo. Por que não determinar que novos alvarás só sejam emitidos caso os solicitantes se comprometam a construir tais áreas? Basta vontade política. Poder-se-ia ainda, sem gastar um centavo, determinar que a Superintendência Municipal de Trânsito desenvolvesse ou auxiliasse estudos de implantação dessas áreas em colégios já instalados em bairros nobres, como Bueno, Oeste e Marista, onde o problema é maior.

Desatar este nó já seria um grande passo, criativo, econômico e, principalmente, eficaz. À medida em que os pais entrem nas áreas destes estabelecimentos para deixar ou apanhar seus filhos, as vias ficam menos congestionadas e o problema diminui.

Outra solução, que também exige mais criatividade e ousadia que propriamente investimento, seria a transformação de vias de mão dupla em única. A idéia consiste em trabalhar ida e retorno em vias paralelas. Exemplo: a Avenida T-4 é hoje uma das mais congestionadas da cidade. Por que não acabar com o canteiro central e transformar as duas vias (a que desce e a que sobe) em apenas um sentido?

A avenida passaria a contar com cinco faixas e, sem dúvida, o congestionamento seria consideravelmente amenizado por pelo menos 10 anos.

O mesmo teria que ser feito com uma via paralela. No caso, poderia ser a T-2, que também perderia o canteiro central e ganharia cinco faixas em apenas um sentido, contrário ao da T-4. Ou seja, hipoteticamente, quem quer subir pega a T-4. Quem quer descer, passaria pela T-2. É mais ou menos o que aconteceu com a T-13, que durante o período de obras do viaduto passou a ter um só sentido, contando com a T-64 como auxiliar para retorno.

O mesmo poderia ser feito com várias outras vias problemáticas da cidade, sempre aos pares: 85 e 90, T-8 e T-9, T-7 e T-6, e assim por diante. Com isso, o gestor público conseguiria duplicar o espaço para veículos nestas avenidas praticamente sem custo. O ônus ficaria por conta de a população se acostumar a rodar um pouco mais para pegar outra avenida para conversão, o que não é novidade em grandes centros como São Paulo, Rio, Brasília.

Retirada de rotatórias, adoção de onda verde (sinais sincronizados) e implantação racional de semáforos – hoje, Goiânia tem o maior número proporcional de semáforos entre as capitais, conforme já mostrou matéria do DM – e de viadutos podem não resolver o problema como um todo, mas com certeza ajudariam a botar ordem naquilo que hoje parece não ter jeito. Soluções não podem ser tão simples como a instalação de câmeras para constatar o que já se vê nas ruas, mas também não se resumem à complexidade da implantação de metrô.

Uma boa idéia não tem preço. Principalmente em se tratando de trânsito. Nem sempre a melhor solução é a mais cara. Às vezes, o menor esforço e o menor custo, aliados a uma maior criatividade, resultam no melhor benefício à população. É como diz a megapublicitária americana Bernice Fitz-Gibbon: “A criatividade consiste em apenas perceber o que já está lá.”


Manoel Rubens é
editor de Cidades

Comentários

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1

marcelo

06/09/2008 | marcelo25rio@...

"A criatividade consiste em apenas percebar o que já está lá"

Então vamos ver: O que já está lá?
Goiânia, dentre as grandes cidades que conheço, é a única onde o semáforo fica instalado do outro lado da via que se pretende cruzar. Isto acaba por possibilitar aos apressadinhos se anteciparem a abertura do seu sinal ao ver o da outra via amarelo.
Com o semáforo localizado antes da via de cruzamento o motorista somente consegue visualizar o seu sinal!
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