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Cidades | 02 de Outubro de 2008 | Edição nº 7636

Centro de estudos investiga criminosos

Da Redação

A investigação desenvolvida em Goiânia pelo Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão Aldeia Juvenil, da UCG, não realiza o monitoramento após cumprimento de pena, mas procura entender os mecanismos e situações que levaram o indivíduo sentenciado a praticar o crime sexual.

Entre tantos motivos relatados, alguns dos envolvidos narram que a busca de prazer sexual em crianças tem origem na insatisfação dos relacionamentos com mulheres adultas. “Do ponto de vista sexual, a criança demandaria menos atenção deste homem do que uma mulher, que não aceita o papel de passividade. Ele não teria que se preocupar com seu desempenho, por exemplo, quando envolvido com a criança”, explica Karen Michel. Desta forma, o comportamento do pedófilo demandaria apenas a sua satisfação sexual, não tendo responsabilidade nem obrigações de satisfazer a parceira.

É um mito imaginar que todas pessoas que abusam de crianças são pedófilos, informa a psicóloga. “Nem sempre quem pratica ato sexual com a criança é pedófilo. E nem sempre os pedófilos chegam a submeter as crianças aos atos sexuais. “Por exemplo, pode acontecer de uma pessoa invadir uma casa para roubar a família e manter relação com uma das crianças. Não se trata necessariamente de um pedófilo, mas algo que chamamos de alguém que praticou um crime oportunista”, explica Karen.

O psiquiatra forense Diego Franco de Lima informa que a pedofilia não é motivo suficiente para a Justiça decretar a inimputabilidade. No processo penal, utiliza-se o conceito de inimputável ou imputável para identificar se a pessoa vai ou não responder pelo crime. No primeiro caso, o Estado aplica o tratamento via medida de segurança e no último, em que a pessoa sabe o que fez, aplica-se a prisão penal. Na situação da violência sexual contra menores, o criminoso permanece imputável, respondendo na cadeia pelos delitos cometidos.

Diego informa que a medida de segurança é indicada para quem apresenta transtornos psicóticos, que não são referentes aos casos de pedofilia. A identificação do transtorno é o principal problema, informa o médico. “A pessoa não procura ajuda e custa a aceitar esta condição.”

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