A leitura como um aprendizado para a vida

Para formar leitores críticos e conscientes de sua cidadania

Postado por Júlio Röcker Neto em 24 de Março de 2017 às 23h34
Atualizado em 24 de Março de 2017 às 23h34

Um dos mais importantes temas em educação e em formação humana é, certamente, a leitura e a formação de leitores.

Adquirindo um sentido muito mais amplo do que apenas decifrar a palavra escrita, o ato de ler deve ser entendido sob muitos matizes: como atribuição de sentido ao texto escrito, como prática social, como compreensão do contexto (“a leitura do mundo precedendo a leitura da palavra”, lembrando Paulo Freire, para quem a “compreensão do texto implica a percepção das relações entre texto e contexto”), etc. Ler, assim, é explorar o texto em busca de respostas textuais e contextuais, é ser questionado pelo mundo e por si mesmo, o que gera uma ação crítica do sujeito no mundo.

Nesse sentido, o ato de leitura é um ato de abertura para o mundo. Ao entrarmos no território dos textos com tudo o que somos e lemos, emergimos da leitura com mais clareza do nosso universo interior e exterior, reinaugurando nosso repertório. Olhar é ler, e ler, antes de tudo, é uma operação de percepção, em que estão envolvidos muitos processos: neurofisiológico, cognitivo, afetivo, argumentativo, simbólico, não necessariamente nessa ordem, daí a complexidade e abrangência do conceito de leitura.

Discutir, estudar ou revisar o conceito que temos ou tínhamos de leitura, neste momento do século 21, é mais do que oportuno. Em primeiro lugar, porque exige pensar a respeito da formação de leitores e escritores no espaço escolar, tendo como mote nada mais do que uma das funções essenciais da escola, que é desenvolver a competência comunicativa dos alunos, tornando-os, assim, capazes de compreender a realidade em que estão inseridos e participar ativamente da construção do mundo histórico e cultural. Em segundo lugar, e não menos importante, a função da escola em educar sensibilidades, em formar pela arte. Não há como pensar em um projeto de nação sem pensar em leitura e formação de leitores.

Se a função do educador e da escola der conta de tornar o aluno capaz de ler e pronunciar o mundo, citando novamente Paulo Freire, responderemos ao desafio maior de não só formar leitores críticos e conscientes de sua cidadania, mas também pessoas que exercitem a expressão da criatividade e do espírito como preparo para uma vida adulta de valorização do humano.

 

(Júlio Röcker Neto é gerente editorial da Editora Positivo, especialista em Leitura de Múltiplas Linguagens (PUCPR) e mestre em Literatura (UFPR))