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CNJ devolve cargo a desembargador que criticou Polícia Militar

De acordo com o ministro corregedor, embora a crítica "tenha sido infeliz", o desembargador não cometeu uma ofensa prejudicial à instituição

Foto: Reprodução/TJGO Foto: Reprodução/TJGO

O ministro corregedor Luís Felipe Salomão, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determinou nesta quinta-feira, 11, a reinstalação do desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo em seu cargo, após ele ter feito críticas à Polícia Militar durante um julgamento.

De acordo com o ministro corregedor, embora a crítica "tenha sido infeliz", o desembargador não cometeu uma ofensa prejudicial à instituição.

“Tampouco a afirmação feita pelo Desembargador representa uma ameaça ou risco para o contínuo exercício da jurisdição, de tal modo que sua permanência no cargo e nas funções não parece prejudicar a instrução do possível procedimento disciplinar”, afirmou Luís Felipe Salomão.

O advogado do desembargador e da Associação dos Magistrados de Goiás (Asmego), Dyogo Crosara, o magistrado recebeu as decisções, tanto a inicial do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), quanto a do CNJ, com tranquilidade.

"Ele tem 34 anos de história do tribunal, então ele respeita a casa dele e enxerga que não havia, de fato nenhum elemento para o seu afastamento", disse o advogado.

O TJGO informou que "não comenta decisão do CNJ e sim cumpre os comandos advindos do Conselho, o que não será diferente nesse caso".

O caso

O desembargador Adriano Roberto Linhares Camargo comentou, no dia 1º, sobre supostos abusos cometidos pela Polícia Militar durante as operações, e disse que a instituição é invisível.

"Aqui vai uma reflexão pessoal: para mim, tem que acabar com a Polícia Militar. A PMGO é invisível, vemos nos jornais a quantidade de confrontos e ninguém leva um tiro. Morrem quatro, cinco, seis. Não é por preparo não, nós sabemos porque é", afirmou o desembargador durante um julgamento.

Em resposta, Ronaldo Caiado gravou um vídeo em que falou que o desembargador "praticou um verdadeiro crime contra a PMGO". Além disso, o governador afirmou, por duas vezes, ter orgulho de ser o comandante da instituição.

"O senhor, no mínimo, vou corrgir: você devia conhecer a Constituição Brasileira [...]. Neste momento em que você pede a extinção da Polícia Militar do Estado de Goiás, você está atentando contra o Estado Democrático de Direito", afirma.

Caiado continua: "O senhor deve ter respeito pela Polícia Militar. A sua fala deve ser avaliada pelo Conselho de Ética do Tribunal de Justiça, que deve lhe impor o impeachment, porque você não tem qualidadea mínimas para responder com o título de desembargador. Você é um cidadão desrespeitoso, agressivo, inconsequente."

Por fim, o governador afirmou que já mandou o procurador-geral do estado de Goiás fazer um documento para encaminhar ao corregedor, para que as fossem tomadas as devidas providências.

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