Quem são os deputados e senadores goianos que receberam doações da JBS e BRF

Criminalização da política, pode levar à quebra do setor de carne no Brasil

Postado por Marcus Vinicius em 18 de Março de 2017 às 23h43
Atualizado em 19 de Março de 2017 às 09h14

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A criminalização à política e a atividade econômica continuam sendo a tônica das operações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato, conduzida na 13ª Vara Criminal de Curitiba pelo juiz Sérgio Moro. No calor das primeiras informações, a megaoperação que envolveu cerca de mil agentes policiais trouxe notícia de que a JBS-Friboi vende carne podre para os consumidores no Brasil e no exterior, e que os produtos da BRF (Brasil Foods), que tem como marcas a Perdigão e a Sadia, também participam do esquema de propina a autoridades sanitárias.

O inquérito aponta que o conglomerado de carnes JBS-BRF “propinou” políticos do PMDB e do PP para favorecer seus interesses no governo federal. Se no Brasil o lobby fosse legitimado, como nos Estados Unidos, provavelmente esta prática das empresas de investir em mandatos políticos ganharia transparência. Somente em Washington (D.C) estão registrados mais de cinco mil escritórios de lobby, onde empresas de todo o mundo exercem pressões sobres congressistas norte-americanos.

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Em Goiás, a JBS-Friboi, através do empresário José Batista Júnior, o “Júnior Friboi”, buscou uma candidatura ao governo do Estado nas eleições de 2014 pelo PMDB. Não deu certo, mas a empresa gerida pelo seu irmão Joesley Batista, a JBS, juntamente com a BRF, investiu nas campanhas de senadores e deputados federais do Estado. Entre os que receberam recursos – devidamente registrados nas prestações de contas junto à Justiça Eleitoral -, estão os senadores Ronaldo Caiado (DEM), Lúcia Vânia (PSB). Caiado registrou na sua prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a doação de R$ 150 mil da Brasil Foods (BRF). Lúcia contabilizou R$ 200 mil da JBS.

No PMDB, os deputados federais Daniel Viella e Pedro Chaves receberam doações de R$ 250 mil cada da JBS. A deputada Flávia Morais (PDT) informou doação de R$ 100 mil da BR Foods e a sua colega de parlamento Magda Moffato (PR) registrou doação de R$ 500 mil da JBS. A maior doação do grupo foi para o deputado federal Roberto Balestra (PP), que recebeu R$ 900 mil.

Pela legislação eleitoral em vigor nas eleições de 2014, não há nada de errado nas doações recebidas por estes parlamentares. Mas na República de Curitiba, as doações de empresas estão sendo todas encaradas como propina, independente se forem no “Caixa 1” (contabilizados na Justiça Eleitoral)  ou no “Caixa 2” (não contabilizadas).

A histeria moralista de Curitiba, que demoniza políticos e empresários, está lançando o Brasil na mais grave recessão de sua história, onde o desemprego já atinge 12 milhões de brasileiros e o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou recuo de 3,6% no ano passado.

A espetacularização das operações pode trazer prejuízos irreversíveis para as empresas envolvidas e para a cadeia produtiva da carne. De acordo com análise feita pelo site Brasil 247 com base em manchetes em jornais dos EUA e Europa,  vai haver recuo imediato nas exportações brasileiras. “Deu no New York Times: as maiores empresas brasileiras de alimentos pagam propinas a fiscais agropecuários para servir carne podre nas merendas escolares e também para exportar carne com salmonella para a Europa. Deu na BBC: a carne que o Brasil exporta para a Europa e outros países é podre”.

O resumo das notícias no mercado externo é baque para as bancadas ligadas ao agronegócio: menos exportações representam menos demanda, e portanto, o valor da arroba do boi deve cair e o preço das terras também. Para quem bateu panela e curtiu no Face a atuação do juiz Sérgio Moro, o futuro pode estar ligado ao desemprego.

O jornalista Luis Nassif, especializado em economia, adverte que o tamanho e o estardalhaço da operação Carne Fraca dá um tiro no peito do setor de carne no Brasil. “Mais uma vez é conduzida pela Justiça Federal do Paraná e pelo delegado Moscardo Grillo. E com um estardalhaço injustificável. Prisão ou condução coercitiva de 46 pessoas, centenas de policiais envolvidos, o nome das empresas exposto globalmente. E tudo isso para verificar, segundo o Globo, “excesso de água, inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas, assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Ministério da Agricultura, sem checagem in loco, venda de carne imprópria para o consumo humano”, registra.

O período de governo dos presidentes Lula e Dilma foi de aposta em cinco  setores principais: construção civil, indústria da carne, siderúrgicas, bancos e petróleo. Coincidentemente, as operações da PF a mando da Lava Jato têm atacado um a um destes setores. A indústria do petróleo foi a primeira a ser detonada, o setor da carne está na fritura, o Banco BTG está a caminho de liquidação, e vale registrar que, vez ou outra, a mídia lança notícias contra o financista Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Nunca é demais lembrar que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) teve o apoio de várias empresas e entidades, entre elas o Itaú, a Ambev e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). É provável que ao final da Lava Jato, somente Itaú, Ambev e a própria Rede Globo sejam as únicas empresas que não serão vítimas de operações da Lava Jato.

Faço minhas as palavras do jornalista Luis Nassif:

“A Friboi não era, de fato, flor que se cheire. Mas entram outras, como a BRF, empresas que caminhavam para exercer hegemonia no poderossísimo mercado de carnes e alimentos.

Corrupção em fiscalização sanitária é segredo de polichinelo, como me lembra um colega jornalista. Era uma arma engatilhada, pronta a ser sacada a qualquer momento contra o setor.

Até agora, a Friboi havia conseguido ampla blindagem na mídia graças à parceria com veículos de comunicação e verbas polpudas de publicidade.

A Lava Jato vai conseguir destruir mais um setor da economia. O BTG Pactual caminha para o mesmo destino, agora alvo de ofensiva da Suíça. Na Petrobras, Pedro Parente prossegue no desmonte de vender ativos na bacia das almas, a pretexto de reduzir o endividamento, ao mesmo tempo em que liquida antecipadamente financiamentos já contratados.

É um desmonte amplo do país”.

 

Nota da JBS à imprensa
Em relação à operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação.

A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da Companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás.

A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas.

A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos.

A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou comercialização – e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos.

 

São Paulo, 17 de março de 2017.