‘Sou um homem de direita, e daí?’

Sérgio Borges Lucas, do PDS ao PP

Postado por Renato Dias em 17 de Junho de 2017 às 22h12
Atualizado em 17 de Junho de 2017 às 22h12
  • Advogado com pós-graduação na Adesg, diz que em 1964, no Brasil, não houve golpe, mas uma contrarrevolução contra a luta armada 
  • Operador do Direito diz que Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, Josep Stálin, Mao-Tsé-tung, Pol Pot, Fidel Castro executaram milhões de pessoas 
  • Diretor reeleito da AGR, com 22 votos, na Assembleia, frisa que socialismo é sinônimo de partido único, censura, intolerância, dirigismo e atraso 
  • Pesquisador vê EUA como referencial ideológico, defende livre iniciativa, quer Estado Mínimo, criação de riquezas e reformas de Michel Temer 

– O Brasil deveria implantar o Estado Mínimo!

É o que propõe o advogado, com pós-graduação na Adesg, Sérgio Borges Lucas, com longas a brancas madeixas e com a barba por fazer. Diretor reeleito da Agência Goiana de Regulação, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, na semana passada, por 22 a zero, inclusive com o voto do deputado estadual da oposição José Nelto [PMDB], ele acredita que o mercado não pode sofrer intervenções do Estado, deve cuidar das cuidar das áreas de Justiça, Segurança Pública, Relações Externas e criar marcos e agências reguladoras para garantir a Justiça Social.

– O papel do Estado deve ser o de regular e impedir abusos.

Pesquisador, ele, ex-membro do PDS [Partido Democrático e Social, sucedâneo da velha Arena, Aliança Renovadora Nacional, duas legendas da ditadura civil e militar [1964-1985], acredita que não houve um golpe de fardados e civis, em 1º de abril de 1964. Contra o presidente da República, nacional-estatista em sua versão trabalhista, gaúcho de São Borja [RS], João Belchior de Marques Goulart, que morreu, no exílio, em Mercedes, Argentina, em dezembro de 1976. Meses depois do acidente que matou Juscelino Kubistcheck, em agosto do mesmo ano.

– O que ocorreu teria sido uma contrarrevolução das Forças Armadas para impedir a luta armada das Ligas Camponesas, lideradas por Francisco Julião. Além das Reformas de Base.

Tempos difíceis aqueles da guerra fria, observa. A referência é à coexistência pacífica e à tensão entre União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [URSS] e os Estados Unidos [EUA], pós-segunda-guerra mundial, de 1945 até 25 de dezembro de 1991, com o colapso do comunismo, dispara. A América Latina integrava o contexto, admite. Cuba, Nicarágua e El Salvador, além de Granada, constituíam ameaças à hegemonia liberal, democrática e da livre iniciativa no continente, explica o auxiliar do inquilino da Casa Verde, Marconi Perillo [PSDB].

– O liberalismo trará a riqueza, a redução das desigualdades e a democracia.

Mão invisível

O liberal quer que o mercado, que produz riquezas, não seja alvo de intervencionismo estatal. A mão invisível do mercado resolve as crises, insiste. Animado, ele acredita que as experiências socialistas, no mundo, Europa, Leste Europeu, Ásia, África e América Latina fracassaram. Fracassos econômicos retumbantes, atira. Socializaram a miséria e não criaram riquezas, para a melhoria do bem-estar da população, com produtos para consumo popular e para a revolução tecnológica para competir com as economias capitalistas do centro mundial de poder, conta.

– A ascensão dos comunistas ao poder foram trágicas.

Com o monopólio do partido único, comunista, sem pluralismo político e ideológico, vocifera. Além de censura á imprensa, fuzilamentos sem julgamentos justos, intolerância religiosa, perseguição a homossexuais, dirigismo cultural, ataca. Mais: educação ideológica, atraso científico por cartilhas marxistas, culto à celebridade de Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, Josep Stálin, Nikita Kruschev, Leonid Brejnev, Iuri Andropov e Konstatín Tchernenko, gulags, campos de concentração e de trabalhos forçados, violações aos direitos humanos, torturas, fome e miséria, frisa.

– Não há nada a se vangloriar de um passado triste nos capítulos da Humanidade.

Crítico da esquerda, ele diz que PT e PC do B, de 2003 a 2016, aparelharam o poder de Estado no Brasil. Mais: queriam implantar uma República Bolivariana, sublinha, em tom de indignação o neoliberal. O antigo bloco de poder possuía aversão à liberdade de imprensa, aponta. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] investiu até em Cuba, no Porto de Mariel, uma ditadura comunista, controlada, desde o ano de 1959, por um clã familiar, Fidel Castro, morto em 2016, e Raúl Castro, que deve ficar no poder até 2018, reclama.

– O consórcio de esquerda no poder de 2003 a 2016 montou um esquema sistêmico de corrupção, para financiar campanhas eleitorais e enriquecer comissários dos partidos.

Conservador católico

De formação católica, Sérgio Lucas, um conservador nos costumes, desabafa que os radicais do PT, MST [Movimento dos Sem Terras], MTST [Movimento dos Trabalhadores Sem Teto] e CUT [Central Única dos Trabalhadores] infiltraram-se na Igreja Católica e ensinam marxismo a seus integrantes. A Igreja Católica começou a fazer política e distanciou-se dos fiéis, que aguardam o conforto e a palavra de Deus, destaca. O exemplo é a Teologia da Libertação, que mistura, de forma equivocada, o cristianismo com o marxismo de linhagem revolucionária, denuncia ele.

– Michel Temer deve obter maioria no Congresso Nacional, com o apoio do PMDB, PSDB e PP, para barrar um eventual pedido de impeachment e aprovar as reformas liberais para destravar a economia, destruída por gestões intervencionistas e corruptas de Luiz Inácio Lula da Silva – ex-operário metalúrgico, que ganhou as eleições presidenciais em 2002 e em 2006 – e de Dilma Vana Rousseff, ex-guerrilheira urbana da VAR-Palmares, eleita em 2010 e reeleita, no ano turbulento de 2014, após as ruidosas jornadas de junho de 2013, que pararam o Brasil.

Reformas

O País requer a aprovação da Reforma Trabalhista, para desonerar a folha do empresário e ampliar a geração de empregos, explica. O Congresso Nacional precisa aprovar a Reforma da Previdência Social, que é deficitária, e não suportará pagar as aposentadorias se mudanças não ocorreram agora, sublinha. Sérgio Borges Lucas defende a Reforma Tributária, para diminuir a carga do setor produtivo – primário, secundário e terciário. As terceirizações servirão para criar novos postos de trabalho, diz. A abertura do Pré-Sal atrairá capital estrangeiro, acredita.

– O projeto do PT, PC do B e das esquerdas estatistas faliu.

 

“Radicais do PT, MST, MTST e CUT infiltraram-se na Igreja Católica e ensinam marxismo!

Estado Mínimo: cuidar das áreas de Justiça, Segurança Pública, Relações Externas

O mercado deve ser apenas regulado. Sem intervencionismo, bruto, estatal

Reformas Liberais de Michel Temer acelerarão o desenvolvimento econômico do Brasil

Sérgio Lucas, advogado

 

Perfil

Nome: Sérgio Borges Lucas

Partido: PP

Formação: Advogado com pós na Adesg

Linhagem: Neoliberal

Cargos: Diretor da AGR e membro do PP

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