Sucessão passa por Iris e Marconi

O governador e o prefeito se firmaram como as principais lideranças políticas de Goiás

Postado por helton Lenine em 17 de Junho de 2017 às 22h14
Atualizado em 17 de Junho de 2017 às 22h14
Dois maiores ícones vivos da política goiana magnetizam carisma que atrai para si milhares de voto por todo o Estado de Goiás(Foto:MARCO MONTEIRO)

Dois maiores ícones vivos da política goiana magnetizam carisma que atrai para si milhares de voto por todo o Estado de Goiás(Foto:MARCO MONTEIRO)

Nas últimas décadas, Marconi Perillo (quatro vezes governador) e Iris Rezende (duas vezes governador e quatro mandatos de prefeito de Goiânia) se firmaram como as principais lideranças políticas de Goiás. Em 2018, certamente, ninguém vencerá as eleições para o governo de Goiás se não tiver o apoio de um deles.

Marconi e Iris possuem trajetória política que os projetam como lideranças respeitadas no Brasil, em razão dos cargos que já ocuparam. O tucano é nome influente no PSDB, inclusive cotado para a presidência nacional do partido. Também tem seu nome lembrado para disputar a presidência ou vice-presidência da República, em 2018. Marconi foi senador da República e exerce liderança junto aos governadores do Fórum do Brasil Central.

Desde 1998, quando derrotou o próprio Iris Rezende para o governo de Goiás, Marconi lidera, de forma absoluta, a política do Estado, pois, depois de vencer quatro pleitos para governador, teve papel decisivo na vitória de Alcides Rodrigues (PP) também para a sucessão estadual. O tucano foi deputado estadual e federal e senador da República. Teve nove mandatos, sem uma derrota sequer.

Iris Rezende completa este ano 60 anos de vida pública, que começou como vereador em Goiânia, deputado estadual, prefeito da Capital por quatro vezes, dois mandatos de governador e ministro da Agricultura (governo Sarney) e da Justiça (governo FHC). Iris disputou, sem sucesso, a convenção nacional do PMDB na escolha do candidato a presidente da República, em 1989, vencida por Ulysses Guimarães.

Força da base 

Após completar 20 anos de ocupação do poder em Goiás, a base aliada (formada por 17 partidos) dependerá, mais uma vez, da liderança de Marconi Perillo para levar o atual vice-governador José Eliton (PSDB) à vitória, na corrida ao Palácio das Esmeraldas, em 2018.

Marconi e seus aliados exercem forte influência, desde a primeira vitória, em 1998, junto aos municípios goianos. Hoje, por exemplo, quase 200 prefeitos estão comprometidos com o projeto de Marconi e José Eliton para a sucessão estadual do ano que vem.

Para reforçar a performance político-eleitoral da base aliada, a dupla Marconi/José Eliton percorre os 246 municípios goianos para consolidar o programa Goiás na Frente, em que os prefeitos assinam convênios para assegurar obras importantes para as suas comunidades. É um projeto administrativo, mas com forte viéis político e tráz dividendos eleitorais para o governadoriável José Eliton.

Vice-governador eleito nas chapas 2010 e 2014, José Eliton está ciente de que a vitória, nas urnas, em 2018, só chegará, principalmente, porque contará com o prestígio político reconhecido do governador, ao longo dos anos. “Marconi é líder de maior expressão na história política de Goiás, daí a sua projeção em nível nacional”, costuma dizer, em discursos, no interior, José Eliton.

Em 2006, quando a oposição, representada pelo então senador e ex-governador Maguito Vilela já comemorava a vitória, já que o peemedebista liderava todas as pesquisas, Marconi Perillo revertou o panorama eleitoral do Estado e assegurou, em razão da sua liderança, a vitória do então aliado, o governador Alcides Rodrigues.

Assim, a base aliada se prepara para novo desafio eleitoral, em 2018, em busca da vitória de José Eliton e de dois senadores, tendo o atual governador como “principal cabo eleitoral”, aliás, fato que ocorreu nas últimas cinco eleições majoritárias de Goiás.

A possibilidade de Marconi Perillo figurar como um dos candidatos ao Senado reforça ainda mais a campanha de José Eliton à sucessão estadual, porque a campanha, novamente, será “casada”, ou seja, candidato a governador e a senador estão na mesma urna eletrônica.

Trunfos da oposição 

A exemplo de Marconi Perillo, Iris Rezende é um político vitorioso. De 1992 a 1998, comandou as vitórias do PMDB nas disputas para o governo de Goiás e ao Senado, resultando em 16 anos de controle do poder no Estado.

Iris foi eleito governador em 1982 e 1990 e teve papel decisivo nas vitórias de Henrique Santillo em 1986 e de Maguito Vilela em 1994 ao Palácio das Esmeraldas. Em 1986, contribuiu com a vitória de Iram Saraiva e Irapuan Costa Júnior ao Senado e, em 1994, elegeu-se senador e “arrastou” também Mauro Miranda para a Casa Alta do Congresso Nacional.

As três derrotas de Iris Rezende para o governo de Goiás (1998, 2010 e 2014) e uma para o Senado (2002) não tiram o brilho de sua consagrada carreira na vida pública.

A projeção política de Iris Rezende alcança o cenário nacional, pois, por duas vezes, ocupou cadeiras na Esplanada dos Ministérios: Agricultura e Justiça.

No PMDB nacional, desde os tempos de Tancredo Neves e de Ulysses Guimarães, Iris teve forte influência nos destinos do partido. Em 1985, por exemplo, emplacou o economista Flávio Peixoto no Ministério do Desenvolvimento Urbano, sugestão acatada pelo presidente eleito Tancredo Neves.

Em Goiânia, Iris Rezende conquistou tudo: foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito por quatro vezes. Ainda foi deputado estadual mais votado na Capital e chegou à presidência da Assembleia Legislativa.

Quem quiser ter o apoio do PMDB para disputar, com chances de vitória, o Palácio das Esmeraldas, em 2018, terá que buscar o apoio e, mais que isso, o engajamento do prefeito Iris Rezende. Isso serve, no momento, para os pretendentes Daniel Vilela (PMDB) e Ronaldo Caiado (DEM).

O prestígio político de Iris Rezende não se confirma apenas nos dois maiores colégios eleitorais do Estado: Goiânia e Aparecida de Goiânia, mas, também, em outras cidades populosas como Rio Verde, Itumbiara, Catalão, Formosa, Goianésia, Porangatu, Uruaçu, Luziânia, Trindade e Mineiros.

 

BREVE HISTÓRICO DOS DOIS LÍDERES GOIANOS

IRIS REZENDE

Começa sua carreira política em 1958, elegendo-se vereador em Goiânia pelo PTB; presidente da Câmara municipal de 1961/1962

Em 1962, eleito deputado estadual pelo PSD; presidente da Assembleia Legislativa em 1964

Eleito prefeito de Goiânia, em 1965, pelo PSD e, depois, ingressa no MDB e, posteriormente, no PMDB

Em 1966, teve o mandato de prefeito de Goiânia cassado pelo regime militar

Volta à militância política em 1979, com a aprovação da anistia pelo Congresso Nacional

Em 1982, eleito governador de Goiás

Em 1986, assume o ministério da Agricultura no governo José Sarney

Em 1989, disputa, sem sucesso, a convenção nacional do PMDB que escolhe Ulysses Guimarães como candidato a presidente da República

Em 1990, elegeu-se governador de Goiás

Em 1994, elegeu-se senador da República

Em 1996, toma posse como ministro da Justiça no governo FHC

Em 1998, disputa, sem sucesso, o governo de Goiás, sendo derrotado por Marconi Perillo

Em 2002, perdeu a reeleição para o Senado da República

Em 2004, elegeu-se prefeito de Goiânia

Em 2008, reeleito prefeito de Goiânia

Em 2010, perdeu a eleição para o governo de Goiás

Em 2014, perdeu a eleição para o governo de Goiás

Em 2016, elegeu-se prefeito de Goiânia

 

Marconi Perillo

Começou sua carreira política no PMDB.

Em duas oportunidades, presidiu o PMDB Jovem (1985-1987 e 1987 – 1989), período em que atuou também como membro do diretório estadual

Assessor pessoal do governador Henrique Santillo de 1987 e 1991

Deputado estadual de 1991 e 1995

Em 1992, Perillo e Santillo, juntamente com outras lideranças do PMDB, filiam-se ao PST, permanecendo na legenda até 1993. O PST funde com o PTR e surge o PP

Em 1994, eleito deputado federal pelo PP

Em 1998, eleito governador de Goiás pelo PSDB com apenas 35 anos de idade, derrotando o favorito, Iris Rezende, no segundo turno

Em 2002, reeleito governador de Goiás no primeiro turno

Em 2006, eleito senador da República com 75% dos votos; ajudou a reeleição do governador Alcides Rodrigues (PP)

Em 2010, se elege pela terceira vez governador de Goiás

Em 2014, reeleito governador de Goiás