Enviado em 07/06/2013 às 07h30

Protesto contra aumento do ônibus vira depredação em SP

Agência Estado
Artur Rodrigues, Bárbara Ferreira e Bruno Paes Manso

Um protesto contra o aumento das passagens de ônibus, trem e metrô levou caos à região central de São Paulo em horário de pico. Manifestantes fecharam as Avenidas Paulista, 23 de Maio, 9 de Julho e São Luís. O bloqueio foi feito com pedras e papelões (cortados como catracas de ônibus), além de sacos de lixo em chamas. A polícia reagiu e houve confronto com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Pelo menos um manifestante havia sido preso até 21 horas.

Liderado pelo Movimento Passe Livre (MPL), o protesto começou às 18h30 na frente da prefeitura, no Viaduto do Chá. Em pouco menos de uma hora, o grupo já havia fechado as principais avenidas do entorno. Manifestantes encapuzados pegaram sacos de lixos das calçadas, colocaram no meio das avenidas e atearam fogo. Viaturas da São Paulo Transporte (SPTrans) foram destruídas.

Com a chegada da polícia, por volta das 19h, começou o confronto. Militantes lançavam pedras e policiais usavam gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão no Vale do Anhangabaú. A Polícia Militar estimou em 700 o número de manifestantes e a Guarda Civil Metropolitana, em mil. Organizadores do evento falaram em 5 mil.

Após o confronto no centro, o protesto se deslocou para a Avenida Paulista. A via chegou a ser bloqueada totalmente nos dois sentidos às 20h. Viaturas e motos da PM acompanharam os manifestantes, que voltaram a botar fogo em objetos no meio da avenida. Alguns depredaram bares, arrancaram fios de luz e jogaram pedras na polícia. Um fotógrafo do jornal O Estado de S.Paulo foi atingido com uma pedra na barriga.

O protesto ainda causou um dos piores índices de congestionamento do ano. Às 19h, havia 160 km de lentidão - a média do horário é de 138 km. A Paulista seguia parcialmente bloqueada por volta das 21 horas.

Reajuste

O aumento na passagem de ônibus, trens e metrô entrou em vigor no domingo. Os valores subiram de R$ 3 para R$ 3,20, um aumento de 6,7% - abaixo da inflação desde o último reajuste dos ônibus, de 14,4%. Para que isso fosse possível, a presidente Dilma Rousseff editou medida provisória para isentar dois tributos federais sobre as passagens de transporte urbano. O reajuste abaixo da inflação também vai exigir repasse recorde de verbas do Orçamento para custear a operação dos ônibus, segundo a própria Prefeitura. A previsão é de que esse repasse chegue a R$ 1,25 bilhão em 2013 - no ano passado, foi de R$ 960 milhões.

Para militantes do Movimento Passe Livre, porém, esse valor deveria ser bem maior. 'A passagem deveria ser gratuita, assim como a saúde pública e a educação são', afirma a militante Nina Cappello.

Repercussão

O prefeito Fernando Haddad (PT) acompanhou a manifestação de seu gabinete. A assessoria informou que Haddad está aberto ao diálogo, o que não foi possível diante do rumo tomado pelos protestos. Já o governo do Estado informou que não se manifestaria porque o ato se referia à 'passagem de ônibus municipal'.

No centro, trabalhadores se dividiram. O porteiro Jorge Rossi de Oliveira, de 41 anos, que mora em São Miguel Paulista e pega dois ônibus por dia para chegar ao centro, aprovou. 'Alguém tem de reclamar nessa vida. Tá certa a molecada.' Já o lojista Rodolfo Bodelacci, de 36, foi contra. 'Foi assustador. Ouvimos barulhos de bombas e gritos.' (Colaboraram , Bruno Deiro, Clarice Cudischevitch, Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.