Enviado em 19/07/2013 às 11h41

Sabrina Sato estreia no cinema em 'O Concurso'

Agência Estado
Luiz Carlos Merten

Suas marcas são o riso franco e a ingênua perversidade que lhe permite dizer as maiores impropriedades impunemente - como uma criança travessa que passeasse pelas páginas do 'Kama Sutra', sem saber do que se trata. Sabrina Sato sabe. Ela é muito mais bela ao vivo do que na TV e no cinema - como agora em 'O Concurso', que toma de assalto (serão 400 salas) os cinemas do País. Mas não é a Sabrina travessa. Uma mulher armada duplica os perigos do homem. Na comédia de Pedro Vasconcellos, ela faz Martinha.

Atiradora de facas, persegue seu objeto de desejo e o intima a concretizar o sexo frustrado quando eram adolescentes. A frase é grosseira - 'Me come ou te mato'. E, para torná-la mais convincente, Sabrina, ou a personagem, enfia a faca no pescoço de Rodrigo Pandolfo. Na vida real, ela jura que jamais fez nem fará isso. 'Nunca fui de me declarar para homem algum', conta. E acrescenta que, contra todas as evidências, é tímida. 'Me põe num palco e eu me solto. A dois, ali no cantinho, eu travo.'

Sabrina Sato teve uma passagem pelo 'Big Brother Brasil', mas não precisou da máquina de fazer celebridades que é a Globo para virar objeto de desejo dos machos brasileiros. Bastou-lhe a irreverência do 'Pânico' e algumas páginas despidas na 'Playboy'. Ela conta que não faltaram convites para fazer cinema antes. Não se sentia segura. Como na vida, protegida pela família, na TV e no cinema ela também precisa da equipe para resguardá-la. Sozinha, não deslancha. 'Hebe, Dercy Gonçalves, isso não existe mais.' O carinho do diretor e do ator com quem faz par - Pandolfo é o filho gay de 'Minha Mãe É uma Peça' - foram essenciais.

Há uma Sabrina Sato de antes e depois do 'Big Brother'. Antes, era riponga e vendia artesanato num cursinho pré-vestibular. Depois, 'virei essa perua' e aponta para o próprio corpo, o vestido (Balmain) que brilha mais que noite estrelada, o salto tão alto que ela aumenta uns 20 centímetros. Sabrina sente falta de alguma coisa da fase riponga? 'Sim, das minhas sandálias franciscanas.' É moça de família - e uma explosiva mistura de pai libanês com mãe japonesa e avô suíço. A mãe e a irmã a acompanham na entrevista. A irmã, Karina, é advogada, cuida da parte jurídica de Sabrina e está grávida de três meses. 'Vou ser a madrinha', anuncia, feliz, a estrela. O sobrinho vai se chamar Felipe, como o pai e o avô. Felipe III.

Pequenina, já queria ser atriz. 'Procura no YouTube "Sabrina Sato criança" e você vai ver imagens minhas gravadas por meu pai quando eu tinha cinco anos. Karina era mais bonita, mas não gostava de aparecer. O pai queria filmá-la, mas eu me metia no meio. Dizia que ia ser atriz de cinema e TV e que a Karina seria minha empresária.' A realidade atual não é muito diferente do que Sabrina sonhava e ela põe a família toda para trabalhar. O irmão caçula é empresário, a irmã, como já foi dito, assessora jurídica.

Como o riso franco, a pinta na testa é outra marca. Sabrina pensou em retirá-la, mas a mãe, supersticiosa, a demoveu da intenção. 'Não se mexe em time que está ganhando.' O papel tem muito dela, tanto que Sabrina nem parece estar interpretando, mas chegou a treinar para atirar facas. 'Tem de saber, se a gente não atira direito, o cabo bate na parede.' Ela adorou o figurino, 'essa coisa de circo'. Neste filme e no seguinte, que faz na O2 - 'Aprendiz de Samurai', o título tem tudo a ver com ela -, os papéis não são de protagonista. 'O Concurso' é sobre os quatro finalistas para o concurso de juiz federal. Só um vai ganhar o cargo. Como em 'Se Beber Não Case', os caras caem na noite do Rio, levados por um carioca típico (Danton Mello), e a confusão está formada. À simples menção da comédia com Bradley Cooper, Sabrina reage - 'Entrevistei o elenco do terceiro. Está no YouTube.' As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O CONCURSO

Direção: Pedro Vasconcellos. Gênero: Comédia (Brasil/ 2013, 101 minutos). Classificação: 12 anos.