Enviado em 18/03/2014 às 20h41

Justiça com as próprias mãos

Diário da Manhã
Osvaldo da Silva Batista

Está ocorrendo em todo o Brasil, e acentuadamente em Goiás, a punição do bandido pela própria sociedade. Na verdade, é bom esclarecer que o que chamam de justiça com as próprias mãos é apenas justiça da sociedade, pois sempre a vítima profundamente machucada não tem condição naquele momento de fazer justiça com as próprias mãos.

O que está acontecendo é que a própria sociedade como um todo não está resistindo mais à falta de segurança e garantia da vida humana, entregue de forma absoluta ao domínio dos bandidos, principalmente aqueles movidos pelo uso das drogas. Ninguém ignora que o tráfico e o uso de droga são uma constante na cidade de Goiânia e no interior, tornando-se cada vez mais ofensiva aos direitos dos bons cidadãos e destruindo a integridade moral da juventude que ainda não amadurecida entra na chamada “onda” e se perde pelo resto da vida.

Têm acontecido coisas absurdas, filho matando os pais por causa de dinheiro para usar drogas, e o governo assiste a todos esses acontecimentos de camarote, sem tomar uma providência efetiva. Goiás, mais precisamente Goiânia, é o caminho do tráfico de droga que geralmente vem das bandas do Mato Grosso, mas por incrível que pareça as pessoas ouvem o noticiário, mas nunca ficam sabendo quem foi a figura do verdadeiro infrator, ou seja, o chefe da gangue.

Esses pequenos bandidos que vão presos nada mais são do que transportadores, e diante da prisão deles, por incrível que pareça a polícia não descobre quem é o chefão no Estado de Goiás. Uma interrogação caprichosa, mas humana, poderia arrancar dessas pontas de lanças o verdadeiro traficante, ficando quem deveria ficar preso sem ser conhecido.

A droga é o mal do Brasil e também de Goiás, está completamente esparramada para todos os setores da juventude, e é bem comum encontrar-se os faisqueiros vendendo drogas nas portas das escolas e faculdades. O tráfico como maior mal atual da humanidade deveria ser punido com pena de morte, pois no Brasil não existem leis que possam gerar a punição dos delitos gratuitos na forma merecida.

Aqui em Goiás, em específico, a gente vê crimes absurdos, causados obviamente pela ausência constante e dedicada da polícia, e quando consegue prender alguns, as penas são tão irrisórias que logo esses marginais estão perambulando pelas vias dessa urbe sem qualquer atropelamento da polícia e cometendo novamente delitos de todos os tipos. A droga não é buscada pela polícia com objetividade de alcançar sucesso, só havendo algumas apreensões quando coincide, principalmente, da polícia rodoviária lograr êxito nas suas batidas.

Recentemente aconteceu uma tragédia altamente dolorosa, uma moça, jovem, bonita, que fazia um lanche em uma lanchonete foi abatida pelo ladrão drogado com uma bala no peito, simplesmente porque não estava de posse de seu celular. Quem rouba celular é o usuário de drogas, que por necessidade financeira troca esses celulares por droga, e esses celulares vão parar na mão das quadrilhas organizadas.

O que preocupa é que ninguém procura saber, o que é feito desses celulares, deve ser serventia para comunicação entre as diversas quadrilhas que poluem o nosso Brasil e o nosso Estado. Nunca se viu em Goiás um trabalho planejado para buscar saber qual a utilidade desses celulares, que são, sem dúvida alguma, peça fundamental no planejamento criminoso.

Pela ineficiência da polícia, principalmente dos seus dirigentes, não há como discordar da justiça da sociedade, porque a impunidade está tomando conta do País e de Goiás. A sociedade não tolera mais ver tantos abusos e crimes de toda natureza, estupro seguido de morte, assaltos a mão armada para invadir casas e apropriar-se de veículos de outrem, e ficando todas essas desgraças sem a punição ou até a própria prisão feita pelo Estado como um todo. 

Há de se concordar que está chegando o momento inevitável da população se levantar e começar fazer justiça com a própria mão, como merecia acontecer no caso acima citado, porque mesmo que haja prisão, não corresponderá ao dano causado aos familiares e à sociedade.

O cidadão como esse e outros demais por aí, só tem uma forma de fazer justiça, é usando os mesmos meios que eles usam, botando-os fora da humanidade com as suas mortes. Um elemento como esse e outros não merecem contemplação, jamais serão recuperados dentro das grades das delegacias e presídios, daí porque, para que se possa ter uma sociedade livre, boa, tranquila, como diz o nosso governador, é necessário que aplique-se o punitivo final que é a morte do bandido.

Sem dúvida, em breve a sociedade não mais resistirá e haverá um levante total, passando por cima da justiça e dos governantes e tomando pra si a punição desses bandidos. Que Deus proteja a srta. Ana Maria, mas ela só será vingada com o assassinato desse bandido que a retirou do convívio da família.

A irresignação da sociedade está passando a agir com as suas próprias mãos, e hoje é o único meio de termos paz neste País imenso e neste Goiás sofrido. 

(Osvaldo da Silva Batista, advogado e professor universitário)