Brasil

Terras indígenas foram entregues para ruralistas

A redução de recursos da Funai representa retrocesso nas políticas para indígenas no Brasil, além de refletir a violência e ameaçar negativamente medidas de proteção à essa população

diario da manha
Foto: Reprodução/Eccaplan)

A demarcação de terras indígenas tornou-se ainda mais incerta após órgãos de proteção terem poder reduzido. Missionários e ativistas ligados à causa alertam que a situação ficou ainda mais vulnerável no início da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido), em 2018. No entanto, o secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, destaca o despreparo do governo em lidar com assuntos voltados para a população indígena.

Além disso, as críticas são relacionadas também à retirada de médicos de comunidades indígenas. Deste modo, o acesso às terras demarcadas tornou-se facilitado aos garimpeiros.

No entanto, o gestor Antônio Eduardo destaca problemas causados pela pandemia de covid-19. “A pandemia pegou as populações desprevenidas por causa da desarticulação do programa Mais Médicos. Com a saída de 8 mil profissionais, as aldeias ficaram sem equipes de atendimento à saúde indígena”, explica o gestor ao Metrópoles.

Deste modo, o estabelecimento de limites pela Fundação Nacional do Índio (Funai) ajudava a evitar o contágio. No entanto, 46,5 indígenas foram contaminados pelo vírus, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, 638 morreram e outros 163 povos foram contaminados.

Bolsonaro versus terras indígenas

A ausência de demarcações claras e áreas de proteção é um problema recorrente. O governo Bolsonaro, além de cortar diálogo com lideranças indígenas, autorizou lei que permite mineração nestas terras. Além disso, Antônio ressalta o desprezo governamental pela causa como situação gravíssima.

“Nesses três anos, perdemos 30 anos de conquistas, sobretudo em relação à Constituição. O estado social que ela estabelecia foi sequestrado por um grupo”, afirma.

Por outro lado, o incentivo de ações de invasões de territórios indígenas para mineração foi explícito em de Bolsonaro. “O governo não reconhece os povos indígenas, pelo contrário, incentiva e motiva a violência”, pondera.

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