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Crimes cibernéticos: como se proteger

Todos os dias são registrados pelo menos 366 crimes cibernéticos em todo o país

diario da manha
Foto: Reprodução

A internet é um mundo pelo qual nos conectamos diariamente, seja por computadores ou celulares. Como esse mundo espelha a própria realidade, facilita a nossa vida, como acesso ao banco, pagamento de contas, ferramentas de trabalho, redes sociais de amizades, etc. Contudo, assim como no mundo real, onde existe perigo e violência, e tomamos medidas de proteção, ao utilizar a internet também devemos estar atentos aos procedimentos de segurança.

Todos os dias são registrados pelo menos 366 crimes cibernéticos em todo o país. A pesquisa mais recente, feita em 2018 pela associação SaferNet Brasil, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), contabilizou 133.732 queixas de delitos virtuais, como pornografia infantil, conteúdos de apologia e incitação à violência, crimes contra a vida e violência contra mulheres ou misoginia, além de contas e celulares invadidos, entre outros.

WhatsApp espelhado

O banqueiro, Renato Bernardes, de 27 anos, teve o WhatsApp espelhado, através de um telefonema falso. A pessoa por trás da ligação disse que era do Mercado Livre e que precisava conferir o número de celular do rapaz.

O criminoso teve acesso ao número de Renato através de um anúncio do próprio banqueiro no Mercado Livre, site de compras e vendas, no qual ele disponibilizou seu telefone para facilitar a venda de um carro. Após a ligação, o rapaz recebeu uma mensagem com um código verificador. Seu WhatsApp tinha sido sequestrado.

O criminoso, então, se fez passar por Renato, através do WhatsApp espelhado. Usando a desculpa que estava com problemas na conta, pediu para os contatos da vítima dinheiro. Duas pessoas caíram no golpe. Um dos amigos, que não quis se identificar, chegou a transferir o valor de R$ 2.500.

Print das mensagens enviadas pelo golpista para contatos de Renato
Foto: Arquivo pessoal

O criminoso dispunha de contas no Nubank, Caixa, Bradesco e Banco do Brasil, com nome de várias pessoas diferentes, uma delas no nome de Daniel Almeida de Araújo. O golpe foi revelado quando um dos amigos de Renato, ao desconfiar das mensagens, entrou em contato com o banqueiro por ligação afim de confirmar se o mesmo estava pedindo dinheiro.

Print das mensagens enviadas pelo golpista para contatos de Renato
Foto: Arquivo pessoal

Ontem, (5) as vítimas procuraram a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos e fizeram o boletim de ocorrência. A denúncia será enviada para a cidade da respectiva conta para começar as investigações.

Após sequestro da conta do WhatsApp, a vítima deve mandar um e-mail para [email protected], falando que teve a conta sequestrada e que solicita um código verificador a ser enviado para seu telefone pessoal.

Engenharia social

A delegada de Crimes Cibernéticos, Sabrina Leles, explica que os criminosos usam de engenharia social para convencerem as vítimas. Alguns dos exemplos comuns são: A solicitação de código verificador, anúncios em sites não confiáveis, se passar por assessoria de cantor famoso convidando para algum evento, em que se solicita a confirmação de algum código, etc.

Sabrina destaca o despreparo e o desconhecimento dos usuários da tecnologia do próprio aparelho. Um dos recursos de proteção é a confirmação de duas etapas ativadas. Nessa medida, o usuário precisará digitar o PIN de seis dígitos todas as vezes que quiser confirmar seu número no WhatsApp.

A delegada também ressalta a importância da utilização de senhas fortes, com caracteres, letra maiúscula e minúscula, conjunção de letras de alguma frase, e o mais importante, não utilizar a mesma senha para suas redes sociais e contas no Banco, já que, se uma delas forem invadidas, o criminoso terá acesso a todo banco de dados da vítima.

Sextorsion

Um do crimes cibernéticos de maior ocorrência segundo a delegada é o sextorsion, termo em inglês, que significa a prática de extorsão a partir da ameaça de exposição de supostas fotos ou vídeos sexuais das vítimas na internet.

Em alguns casos, os golpistas não têm qualquer conteúdo comprometedor da vítima, mas utilizam mecanismos bastante convincentes para que ela realmente acredite no golpe.

Medidas de proteção:

  • Não compartilhar fotos e vídeos de conteúdos sexuais, principalmente com estranhos ou pessoas pouco conhecidas.
  • Evitar manter esse tipo de conteúdo em seu dispositivo ou salvá-lo na nuvem, uma vez que, em caso de roubo do aparelho ou da senha de usuário do serviço, podem ser acessados por terceiros.
  • Ter sempre um antivírus instalado e atualizado em seu computador e, preferencialmente, manter a webcam coberta e desligada enquanto não estiver sendo utilizada.

Scammers

Outro crime comum é o scammers, golpistas em tradução livre. Nessa prática, o golpista age para conseguir, informações bancárias ou pessoais, dinheiro, senhas ou algum outro artifício de valor.

Eles geralmente agem de duas formas distintas: a primeira é roubo de informações a partir de links ou URL, prática conhecida como phishing. A segunda é a aproximação da vítima estabelecendo uma relação de confiança, podendo se apresentar como empresa, instituição ou como um pretendente.

Medidas de proteção:

  • Não compartilhe dados pessoais ou bancários com pessoas, instituições ou empresas que não conhece.
  • Ao ser receber mensagem de empresas como instituições bancárias, entre em contato com a empresa em canais oficiais e cheque se a empresa realmente entrou em contato.
  • Não clique em links de atividades suspeitas ou de verificações, caso desconfie de sua autenticidade.
  • Para identificar um perfil falso pode-se conferir a data de criação da conta, o local de criação, quantas vezes o usuário trocou de nome e quantos perfis parecidos com esse existem na plataforma.
  • Instalação de aplicativos no PC e no celular que detectam scammers, como antivírus capazes de detectar e bloquear automaticamente os perfis mal-intencionados.
  • Manter os programas atualizados com as últimas versões disponíveis para os sistemas operacionais.

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