Cidades

Entidades apontam uma morte em decorrência do frio em SP

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo, foi a noite mais fria do ano com média mínima de 5 ºC.

diario da manha
Foto: Reprodução/A Cidade ON

De acordo com entidades que acompanham a população em situação de rua em São Paulo, pelo menos uma pessoa morreu em decorrência do frio na madrugada de quarta-feira (30) na capital. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo, foi a noite mais fria do ano com média mínima de 5 ºC. O caso foi registrado na Praça da Sé.

O Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, afirma que essas mortes por hipotermia são subnotificadas, pois, os médicos registram, normalmente, a patologia de base. “A pessoa teve um infarto, mas estava deitada na rua em um papelão com 5ºC, então o que aconteceu? O que potencializou foi o frio”, questiona.

A Secretaria de Saúde do Município, informou que não foi verificada ocorrência de verificação de óbito com essas características. “Constatam parada cardíaca, infarto do miocárdio, pneumonia, cirrose, nunca se diz que foi por causa do frio. Para chegar à constatação de hipotermia precisaria fazer exames muito sofisticados que não são feitos”, afirma.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, foi verificada uma ocorrência envolvendo a população de rua na noite da terça-feira (29), e a vítima teve o corpo incendiado e foi hospitalizada, também afirma que não foi acionada para casos envolvendo a população de rua na região da Sé.

A instituição disse ainda que as mortes por causa natural são encaminhadas aos órgãos de saúde para emissão da declaração de óbito e demais providências legais.

Darcy Costa, do Movimento Nacional da População de Rua, relata estar acompanhando o caso de outro homem morto por morte natural nesta madrugada na mesma região. Segundo o movimento, houve pelo menos 12 mortes por causa natural nas ruas de São Paulo desde o início do ano, especialmente nas noites de frio mais intenso.

“A insalubridade dos serviços [de acolhimento], a falta de segurança dentro dos serviços faz com que a população de rua procure evitar os espaços. E faz com que as pessoas permaneçam na rua, às vezes se sentem mais seguras na maloca delas”, ressalta Darcy.

De acordo com o Censo de 2019, há 24.344 pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. Segundo a prefeitura, a população pode solicitar uma abordagem social pela Central 156 – ligação gratuita nas opções 0 e em seguida 3. O pedido pode ser anônimo e é necessário informar o endereço onde a pessoa em situação de rua está, citar características físicas e detalhes da vestimenta.

Comentários