Cotidiano

A importância do barbeiro

diario da manha

Ruimar Ferreira Especial para  Opiniãopública

A atual sociedade ocidental possui um hábito peculiar de frequentar salões de beleza de diversas modalidades. Inúmeros abrem portas todos os dias em todos os lugares, atendendo às necessidades de todas as camadas da sociedade. Esta atividade é muito requisitada devido à falta de emprego e à procura incessante pela beleza perfeita e o bem estar; Algo particular de cada pessoa. O interessante é que esta atividade está tão presente em nosso cotidiano e não damos conta da importância do profissional de beleza, título mais comum nos dias atuais, que é uma das mais antigas aspirações do homem. Os primórdios desta profissão estão situados em 1580 a.C no Egito durante o segundo período intermediário, sobre o domínio dos Hicsos, antigos povos que dominaram o Egito por 490 anos, também os primeiros a dominarem técnicas de fundição, em lâminas feitas de bronze, antes era utilizado apenas o cobre.
Na antiguidade greco-romana, as técnicas foram aperfeiçoadas, as lâminas de aço permitiram maiores e melhores resultados, estas sociedades já dominavam técnicas de cortar os cabelos e de barbear, porem em uma pratica mais específica dos romanos, onde podemos observar pelas esculturas dos imperadores romanos, geralmente escravos eram destinados para este trabalho. Os romanos tinham outros costumes como tomar banho, para isso contavam com os famosos banhos públicos, e com grandes conglomerados arquitetônicos, os balneários, também adoravam tomar saunas, porem esta invenção foi a Noruega, os romanos gostavam de muito luxo, por isso seus estilos, seus penteados e seus cortes de cabelos são inconfundíveis. Este conhecimento era restrito apenas a eles. Chamavam de bárbaros quem não falava o latim e quem possuía uma aparência de causar má impressão com cabelos e barbas longas e sebosas, a exemplo dos Hunos, Germânicos, Gauleses, Normandos e todos os outros povos da mesma aparência, denominados bárbaros pelos romanos. Com a queda do Império Romano em 476 d.C. deu-se início ao domínio da Igreja Católica como religião universal, foram abnegados os costumes romanos, entre eles os banhos e os embelezamentos, pois eram vistos como luxúria, entretanto ainda foi mantida a pratica de cortar os cabelos e fazer a barba pelo clero e por alguns membros da nobreza, somente para a higiene pessoal. Os historiadores afirmam que o grau de higiene alcançado pelos romanos só foi possível na segunda metade do século XX.
No século XIV, já na baixa idade média muitos já contestavam o poder e o domínio da Igreja. O imperador do Sacro Império Romano Germânico, da casa de Luxemburgo, o boêmio Venceslau tornou digna e ratificada a profissão do barbeiro, se tornando uma das mais respeitadas e influentes daquela época, alem de barbeiro, ele era uma espécie de confidente do rei, mantinham uma grande afinidade e respeito recíproco, contudo ainda não existia um estabelecimento próprio, ele tinha que se locomover até seus clientes. Neste período a navalha já era a principal ferramenta do barbeiro. No final da idade média, durante a guerra dos cem anos, podemos notar o uso da tesoura, quando Joana D’arc corta seus cabelos como os de um homem.
Com o renascimento, a valorização da arte, da filosofia e do homem, esta profissão cresceu junto com ela a procura incansável pela beleza, seguido do período moderno, onde era comum o uso de perucas com cabelos humanos entre a nobreza e também reis absolutistas entre eles podem destacar o rei sol Luiz XIV, com suas perucas de fios de cabelos encaracolados.
No Brasil a profissão de barbeiro ganha uma dimensão mais ampla, não havia universidades e o acesso à universidade de Coimbra em Portugal era muito caro, tornando difícil o estudo para o barbeiro. O médico era barbeiro-cirurgião, seu conhecimento não tinha erudição. Manuel Antônio de Almeida, em seu livro Memórias de um Sargento de Milícias deixa transparecer na sociedade no início do século XIX, a importância deste personagem, onde ele realizava a sangria, para combater moléstias como anemia. A sangria era uma prática empírica muito realizada nesta época, abria-se um pequeno corte com uma navalha na parte interna do anti-braço, a fim de retirar o sangue venoso, em muitos casos funcionava e o paciente era curado. Tal prática foi mantida até o final do século XIX. O barbeiro cirurgião realizava também abortos e extração de dentes.
Durante a colonização do Brasil pelos Bandeirantes, era indispensável para cada expedição para o sertão a presença de um padre para fazer a extrema unção no caso de morte e de um barbeiro para cuidar dos feridos, enfermos, realizando sangria e fazendo curativos, garantindo a saúde e a confiança da tropa.
Nos EUA, os salões de barbeiros realizavam banhos, corte de cabelo, barba e extração de dentes, podemos observar estes costumes através de filmes de western de Clint Eastwood e do lendário John Wayne. Até o século XIX, quem freqüentavam salões eram apenas os homens, somente no século XX, é que foram criados salões de beleza, abertos ao público feminino. Com a globalização e a especialização das profissões, a modalidade de barbeiro foi descaracterizada, e hoje existe uma especialização para cada tipo de necessidade. Em Goiânia são poucos os salões que mantém o hábito de fazer barba, com as tecnologias de fácil acesso e baixo custo promovidas pela Gillette e outras marcas, o barbeiro foi praticamente extinto, fazer barba como nos bons e velhos tempos é um ato difícil. O salão New Star de Ruimar Ferreira, situado na Praça Tamandaré é um dos poucos que mantém a tradição, é um salão extremamente masculino, e ainda mantém o hábito de barbear como nos bons tempos.

(Ruimar Ferreira, empresário barbeiro)

Comentários

Mais de Cotidiano