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Goiás apresenta aumento de homicídios com armas de fogo

É mais fácil morrer assassinado em Goiânia do que em cidades consideradas violentas como Rio de Janeiro. Goiás é mais letal do que Iraque

diario da manha

 

Beto Silva,Da editoria de Cidades

O  Estado de Goiás, nos últimos dez anos, revelou um surpreendente incremento das taxas de homicídio e suicídios por armas de fogo. Conforme o novo “Mapa da Violência”, Goiás tem puxado para cima os índices do Centro-Oeste, que apresentou um aumento de 44,9%.

O estudo estatístico realizado pelo governo federal e subsidiado pela Unesco revela que os goianos vivem um clima de terror semelhante a países em guerra. Em Goiás, a taxa de homicídios por armas de fogo cresceu 23,5% em dez anos. No mesmo período, só para efeito de comparação, o Rio de Janeiro – considerado perigoso no imaginário coletivo – teve um crescimento de apenas 1,6%.

Goiás teve uma escalada indicial de 18, em 2002, para 31,7, em 2012. Se antes Goiás era o 11º dentre os que mais matavam com armas de fogo, com 31,7, ele ocupou a sexta posição do País.

Pelos dados estatísticos, coletados por meio do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), é mais fácil ser assassinado em Goiânia do que em grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Goiânia é a 9ª Capital mais violenta, com índice de 43, enquanto o Rio de Janeiro se localiza na 21º posição, com índice de 16,7 por cem mil habitantes. São Paulo apresenta taxa de 12,6, o que revela um fato constrangedor: as políticas públicas de segurança pública executadas na Capital goiana se revelam ineficientes quando comparadas com as que são executadas no Rio de Janeiro e São Paulo ao longo dos últimos anos.

A pesquisa Mapa da Violência é realizada anualmente e envolve metodologias quantitativas, através de dados de mortalidade comunicados pelo Data SUS. Evitam-se dados repassados pela Polícia Militar ou Polícia Civil, pois a comunidade científica desconfia de que estes números sejam amenizados, tendo em vista o interesse dos governos manipularem as informações e reduzirem o número de mortos. Nas pesquisas de segurança pública, considera-se o aumento ou redução de mortes como sinalizadores do sucesso das gestões de área. Mesmo assim, existe uma taxa não mensurável, denominada de homicídios ocultos e que não aparecem nas estatísticas.

Neste ano, o Mapa da Violência tematizou as mortes ocorridas a partir do uso de armas de fogo. “Na região Centro-Oeste, os quantitativos cresceram 44,9%, impulsionados pelo crescimento de Goiás, que mais que duplica o número de vítimas. Em contrapartida, Mato Grosso do Sul evidencia uma moderada queda: 24,5%. Já a região Sul teve um crescimento menor: 34,6%, destacando-se Paraná, onde os números crescem 55,3%”, diz o relatório da pesquisa, que pode ser consultado no http://www.mapadaviolencia.org.br.

 

 

 

 

JOVENS

As mortes através de armas de fogo, em Goiás, apresentaram um aumento de 23,5% desde 2002. A pesquisa segue até 2012, quando Goiás obteve um índice de 31,7. Quando diz respeito a população jovem, a pesquisa revela que Goiás é o sexto em mortes através de arma de fogo. Antes de 2002, o Estado ocupava a 13º posição. Mas pulou para sexto, estando atrás apenas de Paraíba, Bahia, Ceará, Espírito Santo e Alagoas.

Em dados estatísticos, é o estado que mais evoluiu em termos de violência homicida do país. Um dado peculiar é que Goiás ocupa a terceira colocação em homicídios de brancos – com índice de 16 por 100 mil. O estado está atrás apenas do Rio Grande do Sul (17,2) e Paraná (27). Quando se calcula a morte de negros, o Estado cai para a sexta colocação nacional – atrás de Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Paraíba e Distrito Federal.

 

BRASIL

Conforme o estudo, o uso de arma de fogo mata 116 por dia no país. Desde 1980, a taxa de mortalidade por armas de fogo já era computada. E deste este ano, não existe uma alta tão assustadora no País (21,9 óbitos para cada 100 mil habitantes).

Os casos de homicídio, suicídio, mortes por acidente e em circunstâncias indeterminadas figuram na pesquisa do Mapa da Violência. A masculinização da morte é patente: 94% das vítimas fatais são do sexo masculino.

Conforme a pesquisa, morrem em Goiás e também no restante do país mais pessoas do que as assassinadas em guerras, como a do Golfo: “O Brasil, sem conflitos religiosos ou étnicos, de cor ou de raça, sem disputas territoriais ou de fronteiras, sem guerra civil ou enfrentamentos políticos levados ao plano das armas, consegue vitimar mais cidadãos via armas de fogo do que muitos dos conflitos contemporâneos, como a guerra da Chechênia, a do Golfo, as várias Intifadas, as guerrilhas colombianas ou a guerra de liberação de Angola e Moçambique, ou ainda uma longa série de conflitos armados acontecidos já no presente século e que tivemos oportunidade de expor em mapas anteriores”.

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