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Homem é preso por fingir ser pastor no Facebook e enganar religiosas

Polícia Civil investiga suposta conduta de suspeito que se relacionava com evangélicas. Ele “orava ao Senhor pedindo uma esposa”

diario da manha

Tom Carlos

As influências do filósofo Jean Baudrillard estão presentes até mesmo nos crimes de estelionatários virtuais. A história de Samuel Lima, suspeito de se passar por militar e pastor, parece sair de uma de suas críticas diante da pós-modernidade, que simula realidades e nos convence a acreditar nelas. Não que seja verdade as suspeitas, pois necessita-se do poder Judiciário para dizer o “direito”, mas apenas a narrativa que se forma após a prisão do homem já é suficiente para montar uma trama de simulacros e simulações.

Samuel, de 48 anos, foi preso na última terça-feira após a Polícia Civil monitorá-lo. Ele é suspeito de aplicar golpes em Anápolis. Sua história: militar aposentado e pastor nas redes sociais conquistava o coração das evangélicas separadas e se aproveitava delas como as clássicas narrativas dos galãs aproveitadores.

Os investigadores denunciam que ele teria sido preso dez vezes por estelionato em quatro estados (Ceará, Alagoas, Sergipe e Tocantins). Sua estratégia sensível incluía dizer que “Deus” preparava para ele uma “mulher boa”, “uma seguidora de Deus” e “evangélicas”. As vítimas acreditavam que elas seriam estas pessoas.

Pouco após as primeiras tecladas no computador, na rede social Facebook, o “pastor” militar já estava de mãos dadas com as pretendentes. Uma das vítimas entregou o cartão poupança para o suspeito. Em alguns casos, os golpes chegam a R$ 200 mil em cheques.

 

NOVAS

A Polícia Civil aguarda novas denúncias e vítimas, que podem trazer novas versões dos simulacros supostamente criados pelo suspeito de cometer estelionato. Mas é preciso que elas pensem: o simulacro nunca é aquilo que esconde a verdade. Ao contrário, é a verdade que esconde que não existe. Logo, se o simulacro é verdadeiro, muitas das vítimas podem reconhecer que estavam conscientes observando um ator em ação.

O Artigo 171 do Código Penal diz: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: pena de um a cinco anos”.

Para condenar Samuel, portanto, a Justiça terá que se convencer da “indução a erro”.

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