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Prefeitura demole Palácio das Campinas

Prédio onde funcionou administração municipal por décadas dará lugar a escultura do artista plástico Siron Franco. Marconi Perillo, Paulo Garcia e vereadores da capital participaram ontem de vistoria das obras

diario da manha

 

 

A Prefeitura de Goiânia iniciou ontem o desmanche do Palácio das Campinas, prédio construído na lateral da Praça Cívica e que por décadas foi a sede da administração municipal. A demolição faz parte do programa de revitalização da Praça Cívica, cujas obras a prefeitura empreende desde o início de fevereiro.

Na manhã de ontem, as obras foram vistoriadas pelo prefeito Paulo Garcia, acompanhado do governador Marconi Perillo e do presidente da Câmara Municipal, vereador Anselmo Pereira, este foi, inclusive, o principal defensor da demolição desde que a sede da prefeitura saiu do velho barracão.

“É preciso resgatar a identidade cultural de Goiânia e para isto se faz necessário tirar uma construção que não condiz com o estilo”, frisou Anselmo. A defesa da demolição foi endossada pelo prefeito Paulo Garcia, que comentou sobre a circunstância da construção no final da década de 1960, pelo então prefeito Iris Rezende.

Além da demolição, o prefeito anunciou a intenção de criar um corredor cultural entre a Praça Cívica e a Avenida Tocantins com o propósito de fomentar a reocupação do Centro por meio de atividades cívicas, culturais, de esporte e lazer. O prefeito disse que a intervenção faz parte do cronograma de ações para requalificação da Praça Cívica com o propósito de resgatar a função originária prospectada por Attílio Corrêa Lima, urbanista responsável pela criação do projeto da então nova Capital de Goiás.

A ideia de Paulo Garcia é integrar a nova Praça Cívica e a estrutura administrativa do Estado à Vila Cultural e ao Teatro Goiânia, tendo como elo a Avenida Tocantins. Para isso, representantes do Paço e do Palácio das Esmeraldas iniciaram uma agenda para dialogar sobre o tema que, segundo Paulo Garcia, tem sinalização positiva do governador Marconi Perillo (PSDB). “Temos conversado sobre a possibilidade de expansão da requalificação do Centro, inclusive com o governador e com o secretário Vilmar Rocha (titular da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos – Secima), sobre a possibilidade de realizarmos ações nas avenidas aqui do centro histórico da cidade e transformarmos esse corredor da Tocantins em corredor cultural”, conta o prefeito de Goiânia. Paulo Garcia acrescenta que a manutenção da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), hoje a cargo de Ivanor Florêncio, ajudará a fortalecer a agenda de eventos, aproveitando os centros culturais disponíveis no bairro e a reconfiguração da Praça Cívica, que perdeu em definitivo a ocupação como estacionamento para retomar a função originária de bulevar para estímulo à convivência.

Entre os principais espaços culturais do Centro da Capital, que também conta com o Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, a Vila Cultural e o Teatro Goiânia, inclusive, são assuntos em comum entre a Prefeitura de Goiânia e o governo do Estado desde março deste ano. Há contornos bem definidos, até mesmo em âmbito jurídico, para que a administração desses espaços culturais possa, ainda este ano, passar a ocorrer em coparticipação entre os poderes Municipal e Estadual. Agora, o Executivo goianiense verbaliza outras configurações deste acordo em prol do desenvolvimento cultural da cidade. “O governador já se comprometeu conosco e, tenho certeza, que, se nós nos esforçarmos, quem sabe possamos entregar tudo coletivamente”, acrescenta Paulo Garcia, que projeta a entrega das obras da nova Praça Cívica para o dia 24 de outubro, data em que a Capital celebrará 82 anos. Antes, no entanto, o prefeito tenta expandir a requalificação da praça para a reconfiguração histórica do Centro de Goiânia.

“Nós estamos conversando com o governador porque sabemos que existem aparelhos que são equipamentos sociais do governo do Estado, como Teatro Goiânia, a Vila Cultural. Nós manifestamos ao governador nosso desejo de ocupá-los em cogestão por um período, o período que a legislação nos permitir, e aproveitar para restaurar, reocupar o Centro da cidade. É natural que os centros urbanos sofram degradação ao longo dos anos, mas são ciclos virtuosos. Há esse período de decadência, mas há também o ressurgimento e isso tem ocorrido em todos os grandes centros, com calçamento apropriado para que os pedestres utilizem, parklets, como nós começamos a implantar em Goiânia, etc. É uma restauração para que o povo se aproprie dos espaços públicos,” justificou.

 

SIMBOLISMO

A própria obra na Praça Cívica, viabilizada por meio de parceria entre o município, executor das obras; o governo federal, financiador das intervenções; e o Estado, fornecedor do projeto, tem esse propósito. “Esse momento (as obras na Praça Cívica) tem um simbolismo muito forte para a cidade de Goiânia porque nós estamos resgatando a Praça Cívica, nessa parceria com o governo do Estado, para que ela se torne definitivamente uma área de convivência, de manifestação cívica, como sugere o próprio nome pelo qual ela é conhecida, de manifestação popular, de manifestações esportivas, manifestações culturais”, diz o prefeito.

Praticamente um ‘morador’ da praça, Marconi Perillo diz que tem ‘vigiado’ as obras e aprovado cada detalhe modificado: “Sou a maior testemunha das obras da Praça Cívica. Sou o maior fiscal. Vejo todo dia, várias vezes por dia”.

Município e Estado preparam diálogo técnico para ocupação do Centro

 

Segundo Paulo Garcia, a partir de agora, Prefeitura de Goiânia e governo do Estado começarão diálogos técnicos minuciosos sobre a ocupação cultural do Centro da Capital. Na pauta, além da viabilidade da parceria, estará a captação dos recursos financeiros para execução e manutenção da proposta. O prefeito defende que município e Estado sejam partícipes nos custos mensais. A realização das intervenções, no entanto, seria viabilizada com uma parcela da verba destinada pelo governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para as obras na Praça Cívica.

“A intenção é reocupar o Centro. Os espaços urbanos são cíclicos, passam por períodos de ascensão e decadência. Há de se reconhecer, não acho que estou falando nenhum absurdo, que nosso Centro passou por um período de decadência. Mas eu sinto uma vontade pujante na nossa comunidade de retomada, de se apropriar novamente, de reocupar o Centro da Cidade e é isso que nós estamos fazendo. É sobre isso que, quando a gente conversa sobre desenvolvimento sustentável, a gente planeja, a gente cria expectativas para implantar ambientes em que homens e mulheres vivam bem,” finaliza. Ao todo, R$ 12,5 milhões estão sendo investidos para resgate histórico dos 58.935 metros quadrados da Praça Dr. Pedro Ludovico Teixeira. Os recursos originários do PAC Cidades Históricas custeiam a substituição do piso, implantação de novo sistema de iluminação, execução de projeto paisagístico e requalificação dos monumentos.

 

RETIRADA

A demolição do Palácio das Campinas começou ontem, com a retirada de materiais que poderão ser reutilizados em obras, reformas e serviços de manutenção, conforme demanda dos prédios administrados pela Prefeitura de Goiânia. O serviço, executado por 20 servidores da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semob), deve ser concluído até amanhã. Após de demolição, o espaço será ocupado por um monumento assinado pelo artista plástico Siron Franco.

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