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Religiosos celebram semana de oração pela unidade cristã

Promover a união dos cristãos é a intenção do evento, que tem como destaque uma celebração com a presença do arcebispo de Goiânia, dom Washington Cruz

 

Com o tema “Dá-nos um pouco da tua água”, a Igreja Ortodoxa de Antioquia São Nicolau, Igreja Católica Apostólica Romana, o Movimento dos Focolares, com a participação da Igreja Luterana do Brasil, comemora, entre os dias 17 e 24 de março, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC).

Em 2015, o evento enfoca um tema inspirado no Evangelho de João, que fala do encontro de Jesus com a mulher samaritana, símbolo de amor que possui o poder de diminuir as barreiras religiosas, de etnias ou culturas diferentes. A semana propõe também a discussão sobre os diferentes contextos religiosos do Brasil, abordando, principalmente, a intolerância religiosa.

O padre Rafael Magul, argentino, sacerdote da Igreja Ortodoxa e um dos pioneiros do movimento ecumênico da Argentina, explica que o objetivo do evento é fundamentalmente voltar ao maior desejo de Jesus Cristo, o de que todos os cristão sejam um só. “ Nesta semana todos nós, católicos romanos, católicos ortodoxos, evangélicos, rezamos para que essa unidade não só seja unida em uma igreja invisível, mas também em uma igreja visível. Nosso desejo é que aqui comecemos a fazer o paraíso de Jesus, que todos nos amamos uns aos outros e que trabalhemos pela unidade. Nós sempre dizíamos que onde há unidade está Deus, e onde há desunião, não é de Deus”, diz.

De acordo com ele, a ideia nesta semana é de que todas as pessoas tomem consciência da importância que tem todas as igrejas trabalharem juntos como aliadas. Essa aliança tem como missão resgatar os homens do pecado, da maldade, da corrupção, pensar nas pessoas que mais precisam, que mais necessitam. “Esse tempo é tempo de Pentecostes, por isso mesmo se escolhe no Hemisfério Sul esta semana, porque nós acreditamos que o espírito santo é que faz essa unidade”, afirma.

União

Padre Rafael explica que unidade não significa uniformidade. “Cada um tem seu dom, sua identidade. O que queremos é que cada um coloque seu dom em benefício do outro. Nós sabemos que com o amor podemos fazer mais junto, com o amor há unidade, sem o amor não há unidade. No mundo dividido, fragmentado, onde todo mundo fala de corrupção, divisão, de poder, o verdadeiro poder é a unidade”.

O pároco afirma que o que nos une é o amor, exemplificando com o matrimônio, em que cada pessoa vinda de cultura e família diferente é unida pelo amor. Ele diz que dessa forma também é o cristão, pois se ele amar uns aos outros poderá pregar o mesmo Cristo, caso contrário irá pregar diferentes Cristos, mas destaca que Cristo é um só, e vem para unir as pessoas e não dividir.

Ele explica que as igrejas ortodoxas, romanas e evangélicas em Goiânia tentam caminhar juntas focando em um objetivo fundamental, tentar viver o evangelho, e o mais importante do evangelho é que as pessoas amem umas as outras. “Um ato concreto é que todos os anos juntamos alimentos ou outros elementos, por exemplo, nos anos anteriores juntamos lençóis e entregamos a Santa Casa. “

 

Ações

O evento de amanhã será presido pelo padre Rafael Magul, da Igreja Ortodoxa, dom Washington, da Igreja Católica Romana, e pastor Filipe Schneider, da Igreja Luterana, mas terá a presença de outros sacerdotes, pastores e freiras. Ele será realizado às 19h30 na Igreja São Nicolau, localizada na Avenida República do Líbano n° 1457, Setor Oeste.

Ele explica que nesta quinta-feira serão juntados alimentos para entregar a alguma creche, gesto não só da organização, mas um ato concreto de ajudar os mais necessitados. De acordo com padre Rafael, a melhor religião para eles são nossas obras, nossas atitudes, nosso carinho e nosso amor para com ele”.

“No mundo fragmentado de hoje, falemos de unidade, isso é muito importante. Nem tudo está perdido, vale a pena lutar. Tem pessoas que acreditam em um ideal, a unidade é possível . Nós acreditamos na unidade quando dizemos que cada um pode ajudar a crescer a todos, onde ninguém cresce na sombra do outro, crescemos juntos”, conclui.

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