Ataques de supremacistas e opositores ao governo matam mais do que atentados muçulmanos

Estudo mostra que, desde 11 de setembro, 48 pessoas foram vítimas extremistas de direita, enquanto 26 foram mortas por jihadistas

diario da manha

Desde os ataques de 11 de setembro, quase o dobro de pessoas foram mortas nos Estados Unidos por supremacistas brancos e extremistas antigovernamentais do que por muçulmanos radicais, informou o “New York Times” nesta quarta-feira. Segundo um estudo do centro de pesquisa Nova América, neste período 48 americanos morreram em atentados sem relação com motivações muçulmanas, enquanto 26 foram vítimas de autoproclamados jihadistas.

O caso mais recente que evidencia a pesquisa foi o massacre em uma igreja frequentada por negros em Charleston, na Carolina do Sul, que deixou nove mortos. O ataque da última semana , considerado como um “crime racial”, gerou muita comoção entre os americanos e reacendeu a discussão sobre manifestações de supremacia branca. Mas o episódio é só mais um exemplo de uma série de atentados letais realizados por pessoas que defendem o ódio racial, a hostilidade ao governo e teorias que nega a legitimidade das leis americanas.

— As agências de aplicação da lei em todo o país têm mostrado que a ameaça de extremistas muçulmanos não é tão grande quanto a ameaça de extremistas de direita — disse Charles Kurzman, da Universidade da Carolina do Norte.

A pesquisa mostra que foram realizados 19 ataques deste tipo desde 11 de setembro. No mesmo período, ocorreram sete ataques letais por militantes islâmicos.

Esses números, novos para o público, já são conhecidos pelas autoridades. Uma pesquisa a ser publicada esta semana perguntou a 382 departamentos de polícia e delegacias por todo o país quais eram as três maiores ameaças de extremismo em cada local. Enquanto 74% dos interrogados respondeu violência contra o governo, 39% apontou a al Qaeda.

Segundo o especialista em terrorismo John G. Horgan, da Universidade de Massachusetts Lowell, o descompasso entre as percepções públicas e casos reais está cada vez mais óbvio para os estudiosos.

— Agora há uma aceitação da ideia de que a ameaça do terrorismo jihadista nos Estados Unidos tem sido exagerada — disse Horgan. — E há uma crença de que a ameaça da extrema-direita, a violência contra o governo tem sido subestimado.

 

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