Mais 30 corpos de imigrantes mortos de sede são encontrados no Saara

Africanos foram encontrados em Dirkou, no Niger, importante ponto de partida para os que procuram fugir da pobreza e governos opressores

NIAMEY — Mais 30 corpos de imigrantes da África subsaariana foram encontrados mortos no deserto do Níger, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta terça-feira. As autoridades acreditam que eles tenham morrido de fome e sede, enquanto tentavam atravessar o deserto do Saara.

A OIM já havia anunciado na segunda-feira a descoberta de 18 corpos, o que eleva o número de mortos para 48, descobertos só nesta semana. Os imigrantes são do Níger, Mali, Senegal, República Centro-Africana, Libéria, Guiné e Argélia.

O primeiro grupo teria se perdido em uma tempestade de areia no início do mês, depois de partir de Arlit em direção à Argélia, mas os corpos só foram encontrados uma semana depois. O segundo grupo, de 30 imigrantes, teria morrido dias antes.

— O Saara pode ser tão mortal quanto o Mediterrâneo, mas muitas mortes são desconhecidas. Não há nenhuma operação em andamento no Saara — disse o diretor-geral da OIM, William Lacy.

Os corpos foram encontrados em Dirkou, no Nordeste de Agadez, no Niger. A cidade é um importante ponto de partida para os africanos de todo o continente que querem fugir da pobreza e, em alguns casos, dos governos opressivos de seus países.

A organização estima em 100 mil o número de migrantes que cruzaram o Saara este ano. Centenas deles podem ter morrido. Entre janeiro e o final de maio, cerca de 100 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo para chegar à Europa, dos quais 1.865 morreram afogados, de acordo com a OIM.

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