Cotidiano

Permanece o impasse sobre aumento de impostos a empresas

Líderes se reúnem com Levy e ministro da Aviação Civil diz que não há como aprovar proposta ‘sem fazer concessões’

BRASÍLIA — Depois de mais de duas horas de reunião entre os líderes da base na Câmara e integrantes do governo na manhã desta quinta-feira, segue o impasse na votação do projeto que aumenta os impostos na folha das empresas. Ao sair do encontro, o relator do projeto, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), afirmou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, passou a concordar com a tributação menor de quatro setores — transportes, meios de comunicação, call center e alguns produtos da cesta básica —, o que pode facilitar a votação do projeto ainda nesta quinta-feira.

Segundo Picciani, o ministro conhece o conteúdo do seu relatório e durante a reunião e concordou que seja votado desta forma. No entanto, minutos depois, Levy deixou a reunião dizendo desconhecer o acerto:

— Não estou familiarizado com o acordo ainda, mas estou na expectativa de que seja votada ainda hoje essa alternativa que é indispensável para o país — declarou o ministro da Fazenda.

O vice-presidente Michel Temer convocou os líderes da base aliada na Câmara para uma reunião com o objetivo de tentar fechar acordo para votar o projeto que aumenta a tributação sobre a folha de mais de 50 setores. Prevista para ontem, a votação não aconteceu porque Levy declarou não concordar com a exclusão dos quatro setores, após acordo fechado com partidos aliados.

— Vamos votar hoje, mas não há como aprovar sem fazer concessões — disse o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, ao chegar para a reunião.

O desacerto entre área política e Levy ocorreu, segundo informações de fontes ao GLOBO , porque na reunião de terça-feira, onde o acordo foi fechado, o ministro da Fazenda ficou calado sempre que questionado se aceitava deixar de fora os quatro setores. A articulação política entendeu que quem cala consente e Levy concluiu que se não disse sim nem não, não havia acordo.

O ministro da Fazenda argumentou ontem que o governo não tem condições de manter a renúncia fiscal que, segundo ele, chega a R$ 25 bilhões por ano. Ele acrescentou que o aumento dos tributos permitirá uma redução de R$ 12 bilhões nos gastos.

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