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Sindicalista pode virar presa política

Presidente da CTB, Ailma Maria participa de audiência, hoje, às 10h, no 5º Juizado Criminal

diario da manha

Renato Dias,Especial para Cidades

A presidente da Confederação dos Trabalhadores do Brasil (CTB-GO), seção de Goiás, Ailma Maria de Oliveira, participa de audiência, hoje, às 10h, em Goiânia, no 5º Juizado Criminal, por ter participado de panfletagem para a manifestação contra a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) das Terceirizações, realizada no último dia 29 de maio em todo o Brasil. A sindicalista corre o risco de ser condenada e de se tornar a primeira prisioneira política do País, em plena democracia, no Século 21.

A líder sindical distribuía material para os trabalhadores na porta da empresa de ônibus Rápido Araguaia, na madrugada daquele dia, que parou parte dos trabalhadores do País. Um policial militar a prendeu, ao lado do trabalhador Valdones Santos. Em flagrante abuso de autoridade e desrespeito à Constituição Federal quer permite a livre expressão, garante o direito de manifestação e as liberdades individuais, denuncia a professora, que compõe ainda o Conselho Estadual de Educação (CEE).

Pedagoga e orientadora educacional das redes municipal e estadual de ensino, ela foi levada, com truculência, para o 20º DP – Distrito Policial – (Delegacia de Polícia), onde um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) teria sido lavrado pelo delegado de plantão Geraldo Caetano. Ailma Maria, que diz ao Diário da Manhã ter presenciado agressões físicas e verbais ao operário que a acompanhava, foi impedida de registrar um BO contra o PM supostamente responsável pela ação.

– Isso ocorreu às 5h30 da manhã do dia 29 de maio. A libertação ocorreu às 7h30.

Trata-se de uma clara criminalização dos movimentos sociais urbanos e rurais no Estado e no País, denuncia. “A operação que culminou com a minha prisão, onde fui algemada e jogada em uma viatura policial, fere os mais elementares direitos humanos, desnuda a violência policial, ataca o direito de manifestação pacífica dos trabalhadores contra a perda de seus direitos e constitui-se em uma prisão arbitrária, sem fundamento na lei, para proteger os interesses do capital”, classifica ela.

 

Histórico

Ligada à ala esquerda do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), legenda fundada no ano de 1962 e que deflagrou a guerrilha do Araguaia, a ativista sindical conta que, no dia do 2º turno das eleições à Prefeitura de Goiânia em 2000, ela havia acabado de votar, usando uma calça vermelha, uma camiseta branca, com um adesivo de “Fora FHC – contra as privatizações”, no Colégio Estadual Vila Boa, quando tentou impedir que estudantes fossem presos acusados de realizarem supostamente boca de urna.

– Fui presa, algemada, com as mãos para trás, fiquei de 8h30 as 17h em um veículo com policiais militares, até ser levada para o ginásio onde ficavam os acusados de supostamente estarem fazendo boca de urna. Sofri ameaças psicológicas e com hematomas no corpo. Quando cheguei ao local, denunciei o abuso policial à TV Anhanguera (Afiliada da Rede Globo, em Goiás). Logo em seguida, me levaram para o 20º DP onde fui acusada de desacato, desobediência e de resistência. O que não ocorreu.

Ailma Maria de Oliveira relata, em lágrimas, ao Diário da Manhã que o processo andou e no ano de 2001 teria feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que a proibia de sair de Goiânia durante um ano e que a obrigava a comparecer a cada 30 dias à Justiça. “Eu chorava toda vez com a situação constrangedora”, afirma, emocionada. Cumpri a pena integralmente, informa. Em 2006, porém, o PCdoB quis lançá-la candidata a deputada estadual quando descobriu que havia sido condenada à revelia.

– Por desacato, desobediência e resistência, a um ano e meio de prisão!

O Ministério Público Estadual (MP-GO) propôs, então, uma pena alternativa. “Como possuía bons antecedentes, era ré primária, exercia o cargo de educadora e até integrava a assessoria do Conselho Estadual de Educação, o MP recomendou punição alternativa com trabalhos comunitários, que cumpri totalmente. Apesar disso, tive os direitos políticos suspensos, não votei em 2010 e a sentença estabelecia ainda que não poderia ser presa até dezembro de 2015”, dispara. O que ocorreu, em maio – É um processo político que lembra a prosa de Franz Kafka!

 

 

 

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