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Argentina: Avós da Praça de Maio anunciam restituição da "neta 117"

Da Agência Télam

A presidenta da Associação das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, anunciou hoje (31) a restituição à família da “neta 117”, filha de Walter Domínguez y Gladys Castro, nascida durante o cativeiro de sua mãe, em março de 1978. Estela deu a informação durante entrevista coletiva, da qual participaram também as avós e um tio da “neta 117”,

Walter e Gladys foram sequestrados no dia 9 de dezembro de 1977 em Godoy Cruz, Mendoza, quando a jovem estava no sexto mês de gravidez. Desde então, nada mais se soube deles.

Em 1994, o Movimento Ecumênico pelos Direitos Humanos de Mendoza encaminhou à Associação das Avós da Praça de Maio una denúncia anônima sobre uma menina nascida em março de 1978, que tinha aparecido na casa um casal de idade, de um dia para outro. Foi o primeiro dado sobre a filha de Walter e Gladys, disse Estela.

No último dia 16 de julho, a mulher que se provou ser neta de María e Angelina, sobre a qual ainda não tem muitas informações, concordou em passar por exames para estabelecer sua identidade e quinta-feira passada (27) o Banco Nacional de Dados Genéticos informou que ela é filha de Walter e Gladys.

“Falta muito por fazer”, afirmou Estela de Carlotto. Ela apelou para que que “nada do que se fez volte para trás. Nada, nem um passinho atrás”.

María Domínguez, mãe de Walter, lembrou as quase cuatro décadas de busca incansável pela neta. “São 37 anos que estamos esperando por isso”, disse María.

“Espero que nos conheça, porque ainda não a conhecemos, e que fique bem conosco”, afirmou a outra avó, Angelina, que disse falar em seu próprio nome e no de “muitos tios e muitos primos”.

Na entrevista, María Domínguez destacou o papel dos presidentes Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner na anulação das leis que garantiam impunidade aos acusados de crimes de terrorismo de Estado e no julgamento deles. María lembrou, porém, que passaram-se “muitos anos sem que ninguém se ocupasse do tema”.

O secretário de Direitos Humanos, Martín Fresneda, por sua vez, afirmou que há uma tarefa pendente: “encontrar todos os netos, todos os irmãos que faltam”.

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