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Goiânia tem maior número de assalto a pedestre dos últimos anos

Apesar do aumento de ações policiais, maio e junho foram os meses com maior registro de roubo de transeunte, quando comparado com dados desde janeiro de 2011

diario da manha

“Fica quietinha e não grita. Me entrega o celular.” Ainda era dia, quando a estudante Carolina Leopardo, 21, foi abordada por um homem com uma faca, na avenida Independência. “É muito ruim, fiquei com medo de ele me esfaquear. Mas eu sei que dei bobeira andando sozinha e falando no celular.” Era o segundo assalto em que era vítima em menos de um ano.

Além da estudante, houve outros 1.162 casos de roubo a transeunte na Capital, em maio, último mês em que foi assaltada. De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), maio e junho deste ano, foram os meses com mais casos de assalto a pedestres em Goiânia, quando comparados com os dados dos outros meses desde janeiro de 2011, disponibilizados no site da SSP-GO.

A quantidade de casos desse tipo de roubo no mês de junho é 36% acima da média de 2014, que é de 877 ocorrências mensais. O caso de Carolina não foi contabilizado nas estatísticas, já que a estudante preferiu não fazer uma ocorrência em uma delegacia. “Eu fiquei com medo de fazer (ocorrência), porque eu estava sozinha. E não ia dar em nada.”

Já o estudante Luciano Cesar Barros, 21 anos, fez um boletim de ocorrência on-line, após ser assaltado à noite, em um ponto de ônibus no cruzamento da avenida T-2 com a rua T-48. “O local estava sem iluminação e vazio, mas do outro lado da rua havia algumas lojas funcionando”, diz. A vítima foi conferir o horário do ônibus no celular, quando foi abordado por um homem armado. “O cara retirou uma arma das costas e apontou para os meus pés me mandando entregar o celular.”

Tanto Luciano, como Carolina mudaram seus hábitos após a experiência do assalto. Ela evita andar de ônibus e prefere caronas; ele só sai depois das 22h se for de táxi e dorme na casa de amigos ao invés de voltar para casa. “Quando estou só em uma rua à noite, já me preocupo muito”, conta Luciano.

Policiamento

O delegado do 1º Distrito Policial de Goiânia, no setor Central, Gylson Mariano Ferreira, confirma que a maioria dos boletins registrados na delegacia é de roubo ou furto a pedestre. “Quase metade é de roubo ou furto de documento e celular. Muitos dentro de transporte coletivo e feiras. Locais com grande aglomeração e efetivo policial pequeno.” Ele diz que o perfil das pessoas que praticam esse tipo de assalto, é de usuário de drogas. “Quase todos são envolvidos e acabam roubando para alimentar o vício”.

Ao mesmo tempo em que existe uma alta no número de roubo a pedestre, também há um crescimento significativo da proatividade policial, que é a soma das ações policiais. Também disponibilizado no site da SSP-GO. Houve o aumento de 138% de abordagens, 53% de operações policiais e 26% de patrulhamento, quando comparados os primeiros semestres de 2014 e 2015.

Para a especialista em Direito Público Nathália Oliveira, que pesquisa segurança pública na Universidade Federal de Goiás (UFG), esta comparação de dados demonstra que não existe relação direta entre policiamento ostensivo e diminuição de criminalidade. “O policiamento é apenas um dos instrumentos que pode ser utilizado para diminuir os índices criminais. No entanto, fatores mais simples, como falta de iluminação pública, e mais complexos, como distribuição de renda, inclusão social e melhoramento do sistema de ensino influenciam”, diz.

 

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