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Jornalistas são mortos nos EUA por atirador durante transmissão ao vivo

AVester Lee Flanagan, suspeito de ter matado a tiros os jornalistas Alison Parker e Adam Ward nos EUA, morreu na tarde de ontem num hospital, informou o xerife do condado de Franklin, Bill Overton.

"Aproximadamente às 13h30, o suspeito morreu no Hospital Fairfax, no norte da Virgina, como resultado de feridas de bala autoinfligidas", disse.

O suspeito havia atirado em si mesmo enquanto era perseguido e foi transportado para o hospital em uma ambulância. Ele usava na mídia o nome de Bryce Williams.

A repórter Alison Parker, de 24 anos, e o cinegrafista, Adam Ward, de 27 anos, do canal WDBJ-TV, foram atingidos na cidade de Moneta por volta das 6h45 (no horário local) quando estavam no ar.

Segundo as autoridades, após o ataque, Flanagan fugiu dentro de um Mustang para o aeroporto local. Lá ele mudou para um Chevrolet Sonic que alugou no começo do mês. O xerife pediu a ajuda da polícia estadual, que ficou de alerta. Uma policial na rodovia I-66 avistou o veículo procurado seguindo na direção leste e acionou o esquema para tentar parar o veículo.

Williams acelerou e fugiu. Cerca de um ou dois minutos depois o veículo saiu da estrada e bateu. Quando a polícia chegou até o carro encontrou o suspeito ferido após atirar em si mesmo.

Ataque

Flanagan registrou os disparos e postou o vídeo em sua conta no Twitter. Ele escreveu também que Alison Parker havia feito comentários racistas e que Adam Ward fez uma reclamação contra ele no setor de recursos humanos do canal.

Também foi ferida no tiroteio a entrevistada Vicki Gardner, integrante da Câmara de Comércio da região. Ela conversava com a repórter no momento do crime. Ela foi atingida nas costas, passou por cirurgia e está em condição estável, segundo disse um porta-voz do hospital. Não havia detalhes sobre seu estado de saúde.

O programa “Entertainment Tonight”,  da rede CBS, publicou no Twitter uma nota divulgada pela família da jornalista Alison Parker: “Isso é sem sentido e nossa família está destruída”, afirma o texto, que descreve Parker como “vivaz, ambiciosa, esperta, engajada, hilária, bonita e imensamente talentosa”.

Atirador havia sido demitido

Em transmissão ao vivo sobre a repercussão do assassinato de seus dois funcionários, o gerente geral da emissora WDBJ7, Jeff Marks, esclareceu que Flanagan trabalhou na empresa e foi demitido há dois anos por problemas relacionados à sua raiva no ambiente de trabalho.

“Depois de muitos incidentes em que ele reagiu com muita raiva, nós o demitimos. Ele não aceitou bem [a demissão], nós tivemos que chamar a polícia para escoltá-lo para fora do prédio”, afirmou Marks no ar.

Relato de comentários racistas

Segundo o gerente, o jornalista acionou a Justiça contra funcionários da emissora, que ele acusou de terem sido racistas contra ele. “Ele entrou com uma ação, e fez vários tipos de reclamação. Talvez haja uma sobre Alison [Parker, a repórter que Williams acusou, em seu Twitter, de ter feito comentário racista contra ele, e que foi morta a tiros nesta quarta], eu francamente não me lembro. [Foram reclamações] sobre membros da equipe terem feito comentários racistas, ele é afro-americano.”

Marks continuou, afirmando que a empresa abriu procedimentos sobre as reclamações, mas disse que “nenhuma dessas reclamações foi corroborada”.

Casa Branca

A Casa Branca afirmou após o crime que o tiroreio foi mais um exemplo de violência armada que “está se tornando comum demais”. O secretário de imprensa da casa Branca, Josh Earnest, disse a jornalistas que o Congresso deveria aprovar uma legislação que tivesse um “impacto tangível na redução da violência por armas no país”.

Imagens transmitidas ao vivo

Nas imagens gravadas pelo cinegrafista pouco antes de morrer, é possível ouvir os tiros e ver o momento em que a repórter tenta se esconder dos disparos. A câmera cai, mas ainda registra as pernas do atirador. Logo em seguida e fora do campo de imagem, os gritos da jornalista continuam a ser ouvidos.

Acredita-se que o atirador tenha atirado seis ou sete vezes, disse o gerente-geral do WDBJ Jeff Marks, segundo a CNN.

Perfil dos assassinados

Alison Parker namorava Chris Hurst, que é âncora do mesmo canal de TV em que ela trabalhava. Em seu Twitter, ele escreveu que os dois planejavam se casar.

"Estávamos juntos há quase nove meses. Foram os melhores nove meses das nossas vidas. Queríamos nos casar. Acabamos de celebrar seu aniversário de 24 anos", disse Chris Hurst. "Ela era a mulher mais radiante que eu já conheci", completou.

Hurst afirmou que Parker trabalhava diariamente com Adam Ward, o cinegrafista que também morreu no tiroteio. "Eles eram uma equipe. Estou com o coração partido pela noiva dele."

Outro jornalista do canal disse que Ward tinha dito recentemente que planejava deixar o jornalismo e fazer outra coisa.

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