Os bebês estão com pressa

O Brasil está entre os dez países com maior taxa de nascimentos prematuros

Postado por Maria Teresa Dorneles em 19 de Novembro de 2015 às 19h30
Atualizado em 19 de Novembro de 2015 às 19h33

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que Brasil ocupa atualmente o décimo lugar dos países com o maior número de nascidos prematuros em todo o mundo. Cerca de 40 bebês prematuros nascem a cada hora no país, o que corresponde a 12,4% da taxa de prematuridade.

A Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Prematuros (ONG) realizou uma pesquisa com 130 pais de crianças que nasceram prematuramente. A pesquisa revelou que os problemas respiratórios são a maior preocupação dos pais quando o assunto é a sobrevivência do bebê (32%), seguida pelos problemas neurológicos (13%).

A fundadora e diretora executiva da associação, Denise Suguitani, fala que a ONG foi criada para dar apoio aos recém nascidos e suas famílias e explica que os problemas respiratórios são os mais preocupantes pois os pulmões são o último órgão do bebê a se formar. Ela ainda fala que o problema respiratório é mais preocupante nos últimos meses de gestação, porém, quando os bebês tendem a nascer mais novos do que isso o problema se torna a hemorragia craniana. Denise fala que a intensidade e a gravidade dessa hemorragia muda de acordo com a formação de cada criança, mas explica que ambos os problemas quando não tratados de maneira correta podem deixar sequelas nas crianças.

A Jovem estudante de biología, Ana Carolina Guimarães, de 23 anos, passou por essa dificuldade. Aos 21 anos ela deu a luz a seu primeiro filho, Carlos Augusto Guimarães Gonçalves. Carlos Augusto, carinhosamente chamado de Guto por sua família, nasceu com aproximadamente 31 semanas de gestação, pouco mais de seis meses, e com uma formação pulmonar incompleta. Sem poder respirar, Guto teve de ser encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para que lhe providenciassem uma maneira de respirar. O garotinho foi separado da mãe logo no início da vida. “A coisa que mais me doeu foi não ter ele perto de mim”, afirma Ana. Guto ficou internado por 25 dias na UTI, mesmo após sua mãe ter recebido alta do hospital em que estava internada.

A fundadora de ONG de proteção aos prematuros cita a permanência dos pais e dos bebês nessas UTI’s como outro ponto importante, pois não ocorre atualização do estado de saúde do bebê. Na pesquisa 18%  das unidades de tratamento sofreu uma “desumanização”, em 16% houve a falta de apoio psicológico aos pais durante a hospitalização de seus filhos e 9% a falta de informação da saúde geral dos bebês. Porém, mesmo com a pesquisa, Ana afirma que teve um tratamento regular, mesmo que algumas enfermeiras tenham a tratado de maneira descabida, outras estavam sempre preocupadas com ela e seu filho.

Denise afirma que existem vários motivos para que o nascimento prematuro ocorra. Desde a idade das mães, que correm risco caso engravidem antes dos 17 ou depois dos 35, problemas emocionais, como uma taxa muito alta no estresse, e mesmo problemas de saúde, como diabetes, pressão alta, e problemas no útero. Denise defende também que um dos motivos que faz o número de nascidos prematuros no país aumentar são os partos cesarianos marcados. Segundo Denise 85% dos partos atualmente no Brasil são cesarianas pois as mulheres têm medo ou não entendem muito bem o  parto normal. “Muitas vezes um médico acha que o bebê está com 37 semanas quando vai fazer a cirurgia, mas, na verdade, ele está com 35 ou 36  e isso faz com que eles nasçam de maneira prematura”, afirma.

Já o pediatra e neonatologista, Renato Kifuri, afirma que mesmo que as cesárias tenham um pouco de influência no nascimento prematuro elas não são uma causa importante nem principal, “estamos falando de uma minuiria” afirma. Mas concorda com Denise quando se trata do medo das mulheres em relação ao parto normal. Ele ainda afirma que, em relação a qualidade da saúde, ainda existe muito a se resolver e que os erros de qualquer natureza não podem ser atribuídos apenas aos médicos. Ele também fala que deve-se dar valor atualmente a taxa crescente da sobrevida que esses bebês vêm adquirindo. Atualmente são disponibilizadas a essas crianças aparelhos, remédios e cuidados que permitem médicos salvarem vidas de garotos como Guto, ou até mesmo mais novos do que ele.

Ana conta como foi difícil ver o filho dentro da encubadora e de como sempre pedia para ele sobreviver. Ela fala que já havia ouvido médicos lhe dando palavras de conforto falando que Guto melhoraria, enquanto outros a diziam para se preparar para o pior. “eu tive duas gestações, uma com ele dentro da minha barriga e outra com ele na encubadora”, afirma. Felizmente Guto saiu da UTI e , segundo Ana, os médicos disseram que ele foi um milagre. Hoje Guto tem dois anos e cresce firme e forte.

O pediatra explica também que existem vários problemas que podem levar a um parto prematuro e que a melhor maneira de previni-lo é sempre fazer o acompanhamento médico. Desde o pré-natal, vitaminas que a mulher deve tomar, exercícios que deve fazer, e até mesmo a vida sexual deve ser avaliada.

Denise fala que recentemente a Comissão de Assuntos Sociais aprovou um requerimento da associação para que haja um dia onde se possa falar sobre os bebês prematuros. O requerimento foi aprovado no início de outubro, porém, ainda não tem data para ocorrer.

Ana Carolina e seu filho, Guto, que nasceu com pouco mais de seis meses de gestação, com formação pulmonar incompleta

Carlos Augusto pouco tempo depois de sair da UTI