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Pesquisa revela por que os policiais se matam

diario da manha

 

A pesquisa “Por que os policiais se matam”, desenvolvida pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), afirma que depressão, falta de reconhecimento profissional e maus-tratos provocam mortes nos quadros da Polícia Militar fluminense.

A investigação quantitativa e qualitativa tornou-se um livro que será lançado nesta semana.  Nele, o mapa da auto-violência

O estudo desenvolvido pela cientista política Dayse Miranda e psicólogos que atuam na PM-RJ mostra por meio de entrevistas com profissionais de saúde que ocorre uma subnotificação dos casos de suicídios consumados e tentativas. As estatísticas seriam ainda maiores caso os relatos fossem todos fidedignos.

De acordo com o estudo, 224 policiais militares foram entrevistados pela equipe da Uerj: 10% disseram ter tentado suicídio; 22% afirmaram que veio à cabeça a ideia de suicídio em algum momento da vida.

A grande maioria, 68% dos entrevistados, disse que jamais tentou ou sequer pensou em se matar.

O estudo da GEPeSP indica que de 1995 a 2009 foram notificados 58 casos de suicídio de PMs no Estado.

Por sua vez, ocorreram 36 tentativas de suicídio.

Das 58 mortes, diz os pesquisadores da Uerj, três ocorreram em serviço.

O mais comum é o policial se matar fora do ambiente de trabalho: 55 delas aconteceram nos dias de folga.

Foram em média três suicídios a cada ano.

RISCO

Os pesquisadores concluíram que o risco relativo de morte de PMs por suicídio é pelo menos quatro vezes superior ao da população geral, fato que chama atenção para que os gestores públicos aumentem suas ações para amparar os profissionais de segurança pública.

Apesar de o estudo abranger especificamente policiais do Rio de Janeiro é grande a similaridade com outros centros do país, como Goiânia, São Paulo ou Distrito Federal.

A realidade dos policiais costuma ser semelhante nos estados do país, onde existe quantidade de PMs abaixo do normal exigido para as ruas, em referência no quantitativo para habitantes, falta de armamento adequado, baixos salários e constante pressão para que ocorra alta produtividade – apreensões de objetos de crime, realização de ocorrências e detenções de suspeitos e foragidos.

Tais fatores produzem ansiedade e muitas vezes tornam os policiais mais suscetíveis à depressão – fator que desencadeia parte significativa da estatística da pesquisa.

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