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Energia solar não provoca crise

diario da manha

A energia alternativa, com ênfase para a solar, não provoca crise no abastecimento, ao contrário da energia hidráulica que com as secas das bacias hidrográficas nos últimos tempos, a movimentação das hidrelétricas ocasiona sérios problemas. É o que diz Rodrigo Lopes Sauaia, presidente executivo da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), ao abordar “Os avanços da energia fotovoltaica no Brasil e em Goiás” durante a 10ª Reunião do Fórum Permanente de Energia Alternativa. O evento transcorreu no auditório do Centro de Treinamento da Emater, no Campus II. Chamou das autoridades a presença maciça de jovens, atentos à série de palestras e fazendo anotações.

A Absolar representa e promove o setor fotovoltaico no País e no exterior, dialogando com o governo, empresas, mídia, ONGs e a sociedade civil. No total, 170 empresas são representadas pela associação. Segundo Rodrigo, o recurso solar brasileiro é o dobro do que países europeus apresentam. “O Brasil hoje é mais competitivo, mais econômico e não necessita dos mesmos subsídios utilizados na Europa para que a energia fotovoltaica seja competitiva”, comentou.

Segundo Rodrigo, Goiás tem o maior potencial para a instalação de energia fotovoltaica no Centro-Oeste. Ele ainda solicitou que o governo estadual faça um Atlas Solar do Estado, o que facilitaria a indicação das melhores regiões para as empresas investirem. O presidente da associação ainda falou sobre a atual situação do financiamento e também das questões tributárias da tecnologia em Goiás e no Brasil, apresentando, inclusive, ao secretário Macxwell, recomendações para um programa municipal para Energia Solar Fotovoltaica.

Sauaia explicou ainda o crescimento expressivo da energia fotovoltaica em todo o Brasil, que deve crescer 10 vezes em apenas um ano, chegando a 1.000 megawatts de produção. Defende o envolvimento dos prefeitos municipais, observando que eles abrem portas. Se comprometeu a puxar o cordão e manter uma audiência com o prefeito de Goiânia, Iris Rezende Machado, para sugerir incentivos para a instalação nesta Capital. Os impostos como IPTU e ISS devem ser mais baratos para atrair investimentos no setor de equipamentos e difundir a energia solar.

1ª Reunião do Fórum em 2017

O Fórum Permanente de Assuntos Relacionados ao Setor Energético do Estado de Goiás, presidido pelo deputado estadual Simeyzon Silveira (PSC), também presidente a Comissão de Minas e Energia, se reuniu pela primeira vez no ano de 2017 na manhã de hoje, 31, no Centro de Treinamento da Emater (Centrer), em Goiânia. Esta foi a 10ª reunião do Fórum.

Compuseram a mesa dos trabalhos, além de Simeyzon Silveira, Antelmo Teixeira Alves, da Emater; Danúsia Arantes, superintendente de Energia, Telecomunicação e Infraestrutura da Secima; Rodrigo Sauaia, da Absolar; Macxwell Novais, secretário da Sedetec, representando o prefeito de Goiânia; Nicola Giani Brandão, coordenador comercial da Alsol Energias Renováveis; e Marcos Alberto, diretor técnico da Eplan. Luiz Stival, presidente da Agehab, e Adilon Souza, presidente da Fundater, também participaram do evento.

Simeyzon iniciou o evento agradecendo a Emater por ceder o local para as discussões sobre o Setor Energético de Goiás, apresentou todos os demais palestrantes e membros da mesa principal, e fez um rápido balanço do Fórum.

“Tudo o que fizemos no ano de 2016 seria inócuo sem a contribuição de todos os participantes e membros efetivos do Fórum Permanente de Energia. E o que temos feito é importante para ver o estado crescer neste sentido. Mas não vamos parar por que conquistamos o Goiás Solar. Esta foi apenas o primeiro passo. Ainda temos muito a avançar na área”, disse o deputado.

Simeyzon ainda enfatizou que o seu desejo é deixar um legado no setor de energias renováveis no Estado. “Eu quero daqui a cinco, 10 anos, ver o estado de Goiás como o maior produtor de energia fotovoltaica. A ideia do Fórum é manter o diálogo sobre o assunto aberto entre todos os setores e, também, popularizar o tema em todo o estado”, salientou.

Cenário energético goiano

A primeira palestra foi proferida pelo diretor técnico da empresa Eplan, Marcos Alberto, com o tema “Cenário Energético de Goiás – Fontes convencionais e alternativas”. Segundo Marcos, hoje, 70,5% da eletricidade ofertada no Brasil são de origem hidráulica, mas 45,5% da energia utilizada são renováveis, quando a média mundial é de apenas 12,9%. Em Goiás, 52% da matriz energética são não renováveis.

Ainda sobre Goiás, segundo Marcos, o etanol se tornou destaque na balança comercial energética goiana nos últimos cinco anos, com um crescimento de mais de 302,5%. Saltou de 1.525 TEP (termo usado para tonelada equivalente de petróleo) em 2007 para 2.267 TEP em 2012. Pelos dados da Eplan, Goiás consumiu 954 mil metros cúbicos e exportou 2,18 milhões de metros cúbicos de etanol.

A segunda palestra foi ministrada pelo coordenador comercial da Alsol Energias Renováveis, Nicola Giani, com o tema “Energia fotovoltaica, biogás e biomassa.” Ele explicou às vantagens da instalação de módulos fotovoltaicos, como a sustentabilidade, a previsibilidade (pela compra antecipada de energia), a economia, o preço da manutenção, além da contribuição para o sistema elétrico brasileiro.

Segundo o representante da Alsol, a atual capacidade fotovoltaica brasileira subiu de 400 watts para quase 60 megawatts em apenas quatro anos (Números até 2016. Hoje o país produz aproximadamente 100 megawatts). Em Goiás estão instalados 1,5 megawatts deste tipo de energia.

Nicola explicou ainda algumas maneiras de mudar esse cenário e aumentar a quantidade de energia instalada em Goiás. Ele citou as linhas de financiamento, como o realizado pelo Goiás Fomento, com o Crédito Produtivo Energia Solar e o FCO Solar; a grande irradiação solar em Goiânia; o apoio do estado, com a criação do Programa Goiás Solar; a seriedade na análise no dimensionamento correto de sistema e qualidade nas instalações; além do fortalecimento do Setor feito pelo Fórum

“Nos próximos três anos, Goiás pode ser o estado com o maior número de energia fotovoltaico instalado no país. O potencial é enorme”, afirmou Nicola.

Danúsia Arantes, superintendente da Área de Energia da Secima, discorreu sobre o Programa Goiás Solar, lançado em fevereiro pelo Governo do Estado. O programa foi elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Cidades, Infraestrutura e Assuntos Metropolitanos (Secima), com auxílio do Fórum Permanente de Energia, como enfatizou a superintendente.

Danúsia explicou o programa que é parte do esforço do governo estadual para a elaboração de políticas públicas e adoção de medidas promotoras do desenvolvimento da energia solar fotovoltaica em Goiás, além das demais fontes renováveis.

A superintendente deixou claro que o Programa Goiás Solar busca resolver a questão emergente da microgeração e minigeração distribuída.

Danúsia ainda levou à reunião a portaria simplificada para o setor fotovoltaico (Nº 036/2017), que foi lançada pela Secima. Esta era uma demanda dos membros do Fórum Permanente de Energia, e é mais uma conquista das reuniões realizadas durante todo o ano de 2016.

A superintendente também falou sobre a isenção de ICMS para insumos e equipamentos voltados à energia fotovoltaica em todo Oe estado, que deve ser assinado pelo governador Marconi Perillo nas próximas semanas.

Luiz Stival, presidente da Agehab, discorreu sobre a instalação de módulos de energia fotovoltaica nos programas habitacionais goianos. Ele parabenizou o deputado Simeyzon e o Fórum Permanente de Energia pelo trabalho que tem sido realizado nos últimos anos.

“O programa visa dar mais qualidade de vida e bem estar a estas famílias, que poderão produzir energia em suas residências, reduzindo o preço final da conta de energia, por exemplo. O projeto se inicia por Alto Paraíso e Pirenópolis, e tem como objetivo colocar Goiás na vanguarda dos estados que produzirão energia fotovoltaica no país”, afirmou.

Macxwell também agradeceu a Simeyzon pelo convite, e afirmou que a implantação de energia fotovoltaica pela prefeitura municipal é bastante necessária, tanto pela sustentabilidade, quanto pela economia de energia, e que parcerias na área serão buscadas nos próximos meses.

Ao final o deputado Simeyzon, presidente do Fórum, abriu espaço para perguntas aos palestrantes. A próxima reunião do Fórum já foi marcada e acontece no dia 28 de abril, na sede da Secima.

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