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Escondidas na falta de divulgação, bibliotecas enfrentam dificuldades

diario da manha
A Biblioteca Estadual Escritor Pio Vargas possui um acervo de cerca de 60 mil títulos, entre 160 mapas, 28 atlas e vários tipos de periódicos, como revistas semanais e mensais e jornais(foto:ROOWER ALMEIDA)

Apesar de muitos goianos não conhecerem, Goiâ­nia é rica em bibliotecas. Públicas ou privadas, a falta de divulgação acaba somando à fal­ta de interesse da população, que desperdiça uma grande oportu­nidade de frequentar e conhecer estes locais de leitura, que têm muito a oferecer como enrique­cimento cultural.

Um bom exemplo é a Biblio­teca Marieta Teles Machado, que fica na Praça Universitária. Quem passa por lá todos os dias, muitas vezes na correria da ro­tina, acaba não percebendo sua grande estrutura. Uma das bi­bliotecas mais tradicionais de Goiânia, o local conta com um acervo de 35 mil volumes. E mes­mo com a grande estrutura, e sua importância para a memória da capital, o estabelecimento vem passando por grandes dificul­dades nos últimos anos.

Quem relata os problemas é a bibliotecária e chefe do local, Már­cia de Oliveira. Em entrevista ao Diário da Manhã, ela reportou que há dois anos a biblioteca foi assaltada e diversos itens foram roubados, incluindo computado­res que são de suma importância para o funcionamento pleno do lo­cal. Sem reposição dos PCs desde então, a biblioteca continua sem nenhum tipo de segurança.

Os vinte funcionários, que se dividem em três turnos, contam com apenas dois aparelhos para registrar a locação e devolução de livros das 600 pessoas que visitam a biblioteca diariamente. Oliveira afirma que o estabelecimento já entrou com uma licitação no Mi­nistério da Comunicação, no pro­grama de inclusão digital para con­seguir novos computadores, mas o resultado ainda não apareceu, e pode demorar um bom tempo.

A bibliotecária ressalta que a maioria dos funcionários já está aposentada, que a quantidade atual não é suficiente para a de­manda e reclama que os núme­ros de concursos para novos car­gos são muito baixos. O DM tentou conversar com os responsáveis pela biblioteca inúmeras vezes, mas não conseguiu obter contato.

O horário de funcionamento da Biblioteca Marieta Telles Ma­chado é das 7h às 20h de segunda a sexta-feira. Lembrando que a bi­blioteca não abre aos finais de se­mana. Os visitantes podem locar dois livros por semana e a multa por atraso é de R$1,00.

PIO VARGAS

Outra biblioteca que acaba sen­do despercebida pelos goianos é a Biblioteca Estadual Escritor Pio Var­gas. Criada em junho de 1967, ela recebeu a atual denominação ape­nas em abril de 1991, em homena­gem ao escritor Pio Vargas, que ce­deu algumas de suas obras para a criação do museu, em 1967. A bi­blioteca possui um acervo de cerca de 60 mil títulos, entre 160 mapas, 28 atlas e vários tipos de periódicos, como revistas semanais e mensais e jornais. O espaço oferece uma sala exclusiva para crianças, decorada especialmente pelo desenhista e cartunista Jorge Braga.

O DM conversou com a superin­tendente de Patrimônio Histórico e Artístico da Seduce, Maria Abadia Silva, que afirmou que o proces­so de revitalização da biblioteca e de toda praça, os sete antigos pré­dios administrativos da região, irá acontecer. “A intenção é que a bi­blioteca crie rodas de leituras e que as escolas participem ativamente das futuras novas atividades” expli­ca. Questionada sobre problemas de estrutura e pessoal, ela ressalta que o número de funcionários pode melhorar e argumenta que é mui­to difícil formar agentes culturais.

O horário de funcionamento é das 8h às 19h de segunda a sex­ta-feira.

CORA CORALINA

Entre as bibliotecas públicas que foram abordadas, nenhuma se apresentou mais ausente que a Cora Coralina. Além das dezenas de telefonemas não respondidas, nossa equipe compareceu ao lo­cal diversas vezes, sempre encon­trando portas fechadas.

Com a ausência de justificati­vas por parte da administração, a reportagem procurou respostas com um comerciante que traba­lha próximo ao local. Ele, que pre­feriu não ser identificado, contou que já viu o estabelecimento fun­cionando, mas que neste final de ano ela permanece, na maior par­te do tempo, fechada.

Com essa nova informação, a re­portagem tentou novamente entrar em contato, em busca de respostas. Mas, novamente, não foi atendida. Até o fechamento desta edição, con­tinuamos sem sucesso. A biblioteca fica localizada na Avenida 24 de Ou­tubro nº 120, no Setor Campinas

 

Quem foi Marieta Teles

Marieta Teles Machado foi a pioneira da Biblioteconomia em Goiás, uma das intelec­tuais mais importantes para a consolidação dos livros e das bibliotecas em nosso Estado. Escritora, prosadora, articu­lista cultural, ela deixou um importante legado. A escrito­ra nasceu no antigo arraial de Santo Antônio das Grimpas, nome poético da hoje metro­politana Hidrolândia em 25 de setembro de 1935.

A escritora ingressou no Grupo de Escritores Novos (GEN), juntamente com ou­tros notáveis escritores, foi se­cretária de Cultura da cida­de de Goiânia e pertenceu à União Brasileira de Escritores em Goiás. Marieta Telles Ma­chado foi, também, pioneira da Literatura Infantil em Goiás, ao produzir os primeiros traba­lhos da área, além de estudos teóricos, na defesa do Cerrado e das lendas e tradições.

A Biblioteca Marieta Teles Machado, que fica na Praça Universitária. Mesmo recebendo 600 pessoas diariamente, seus 20 funcionários possuem apenas dois computadores(Foto:ROOWER ALMEIDA)
Fechada em todas as visitas da reportagem, a Biblioteca Cora
Coralina apresenta uma art déco que encanta o Setor Campinas(Foto:CRISTÓVÃO MATOS)

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