Cotidiano

Moradores reclamam da Pecuária

diario da manha
Estou aqui desde 1995. Essa Pecuária só traz constrangimento pra gente” Robson Domingues, mora e trabalha na Nova Vila

Mais uma edição da Exposi­ção Agropecuária de Goiânia. Contando com o antes e o de­pois, cerca de 20 dias de sofri­mento para os moradores da região do parque de Nova Vila. Nem a novidade deste ano, a não alteração do trânsito nas vias, alterou o humor das pes­soas que moram ou trabalham próximos ao parque.

O professor de Educação Fí­sica Marcos Antônio Silva, mo­rador da Nova Vila há 45 anos, já desistiu de acreditar que um dia a pecuária vai deixar a região. “Todo ano é a mesma coisa, polí­ticos aparecem aqui com a mes­ma conversa de possibilidades de mudança mas nada de con­creto é feito. O barulho continua. Ninguém dorme direito. Tráfico de drogas intenso. Assaltos e fur­tos a todo momento. É um infer­no essa pecuária pra quem mora aqui”, afirma o professor.

Sobre a novidade deste ano, a decisão da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobi­lidade de Goiânia (SMT) de não alterar o trânsito em volta da pe­cuária, Marcos diz que não piorou nem melhorou, continua péssi­mo. Para ele, a situação do parque na região é tão caótica que nada que for feito vai melhorar. “Não há a mínima condição da pecuá­ria continuar na Nova Vila. É um fedor constante. O trânsito no lo­cal no dia a dia já é tumultuado. De qualquer lugar que você venha vai enfrentar tumulto. Depois das 22 horas você não consegue cir­cular. O barulho é insuportável à noite toda e madrugada adentro. A Amma – Agência Municial de Meio Ambiente de Goiânia veio aqui medir, foi embora e nada aconteceu”.

Vizinhos da pecuária, morado­res de prédios no Setor Negrão de Lima, afirmam que, à noite, duran­te os shows, além dos prédios tre­merem, a medição feita por eles chega a mais de 70 decibéis, mui­to acima do permitido em lei que é 55 decibéis durante o dia até as 22 horas em zonas residenciais, e 50 decibéis após às 22 horas.

João Felipe, dono de uma Lan House na Nova Vila, afirma que a não alteração das vias durante a festa da pecuária melhorou para o comércio durante o dia, mas não deixa de criticar a o evento que continua maltratando os morado­res da região. Já o Cabeleireiro Rób­son Domingues, que mora e traba­lha na Nova Vila, não gosta nem de ouvir falar em pecuária. “Estou aqui desde 1995. Essa pecuária só traz constrangimento pra gente. É preciso de um local mais apro­priado. Além do mau cheiro, mos­quitos, barulho, trânsito insupor­tável, aparece também dinheiro falso, violência. A transferência da pecuária já virou bordão e piada entre os moradores–todo ano é o último ano”, brinca o cabeleireiro. Sobre o trânsito, a partir das 5 ho­ras da tarde, Róbson afirma que as ruas são tomadas pelos vigiadores de carros e que a não alteração das vias durante a festa não mudou em nada o tumultuado trânsito local.

Waldivino da Silva, morador do Criméia Leste há 40 anos, se re­volta com a continuidade da festa da pecuária na Nova Vila. “Minha opinião é tirar este parque daqui o mais rápido possível. Já tinha que ter tirado há muitos anos. Como pode ter um trem desse tamanho em pleno centro da cidade. Leva este parque para Nerópolis uai. Ninguém aguenta mais o tumul­to e o cheiro insuportável de uri­na e bosta de vaca e cavalo. Esta não mudança de sinalização das vias piorou e muito o trânsito du­rante a festa. Tá insuportável isto aqui. Se tivesse alterado como em anos anteriores, ficaria pelo me­nos um pouco mais organizado. Mas não tem jeito não. Essa pe­cuária tem que sumir daqui”, con­clui o indignado morador.

SINALIZAÇÃO

O Secretário de Trânsito de Goiânia, Fernando Santana, afir­ma que a decisão de não fazer as alterações nas vias durante a festa da pecuária de Goiânia neste ano foi feita pela própria pasta ao perceber que as mu­danças incomodavam muito os moradores e não traziam gran­des efeitos em termos de me­lhorias no trânsito. Ele afirma que os engenheiros de trânsito da SMT analisaram a situação e entenderam que não havia ne­cessidades de alterações.

“Não alterar o trânsito foi uma decisão nossa ao perceber que não alterava grande coisa devido a grande quantidade de pessoas que vão a pecuária principalmen­te à noite para ver os shows. No período noturno reforçamos para 20 agentes para controlar o trân­sito”. O Secretário descartou tam­bém a liberação total da Marginal Botafogo que continuará tendo trechos sendo reparados duran­te a festa da pecuária.

 

Mudança continua sem definição

Já foram muitos os projetos e muitas as possibilidades apon­tadas para a retirada da pecuária da Nova Vila, mas Nenhuma foi pra frente. Na coletiva de aber­tura da festa neste ano, no dia 14 de maio, Tasso Jayme, atual pre­sidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), entidade responsável pela fes­ta, foi curto e grosso na coletiva afirmando que está descartada qualquer possibilidade de mu­dança de local do Parque Agro­pecuário de Goiânia. A 73ª edi­ção começou no dia 18 e vai até o dia 27 de maio.

Ainda na coletiva de aber­tura do parque o presidente da SGPA afirmou que o evento fo­menta a economia e a mudan­ça de local poderia trazer pre­juízos. “Tem se falado muito em tumulto, então reduzimos de 15 para 10 dias a exposição. Se a pecuária sair da Nova Vila, a área, com certeza será ocupa­da por prédios, o que geraria tumulto durante todo o ano. A pecuária na Nova Vila gera ativi­dade econômica e traz também benefícios para a população local, afirmou o presidente da SGPA na abertura da festa.

Pelo visto, se depender do pre­sidente da SGPA, os moradores da região vão continuar sofren­do com o tumulto antes, duran­te e alguns dias depois da festa da pecuária nos próximos anos. “O parque faz parte da história da cidade e da cultura goiana. Foi prospectada a possibilidade de mudança de local, mas não foi le­vada adiante essa possibilidade”

Todo ano é a mesma coisa: políticos aparecem aqui com a mesma conversa de
possibilidades de mudança” Marcos Antônio Silva,professor de Educação Física e
morador da Nova Vila há 45 anos
Minha opinião é tirar este parque daqui o mais rápido possível”
Waldivino da Silva, morador do Crimeia Leste, se revolta com
continuidade da festa na Nova Vila(FOTOS: DIVULGAÇÃO)

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