Cotidiano

A graça das araras

diario da manha
Graça Estrela e uma das suas araras(FOTOS:DIVULGAÇÃO)

Na Feira Mundial de Nova York, onde participava de uma exposição, a artis­ta plástica Graça Estrela conheceu Ana Raquel Grassi, que se encan­tou pela sua arte. Por indicação dela, Graça fará uma exposição dos seus quadros na Art & Design Gallery, Miami, Flórida, agora em outubro.

Os preparativos já começaram e Graça conta com a ajuda das três filhas para embalar suas enormes telas, bem como outras peças de arte, pois a tarefa exige cuidado, e só quem a ama cuida. Viviane, Valquiria e Vanessa se esforçam. Também os genros e netos são convocados. Aliás, o talento é de família. Sua netinha Clarice Es­trela Bottoso de cinco anos já im­pressiona pintando araras.

Desta vez, além dos quadros, Graça Estrela está levando trinkets com sua marca registrada. “Além das pinturas das araras brasileiras em quadros vou levar xales, cami­setas, cangas, porta-guardanapos e sacolas decoradas com as araras. Vai ser uma exposição bem diver­sificada”, conta Graça Estrela.

Graça Estrela faz seu traba­lho usando cores vivas, o que atrai a atenção de todos. É au­todidata, porém fez um curso livre de pintura na Escola Su­perior de Belas Artes de Paris.

Para a exposição de Miami, que acontecerá na Art & Design Gallery, 8690 Biscayne Blvd, Flórida–EUA, de 4 a 16 de outubro de 2018, os or­ganizadores precisavam de alguém que traduzisse a alma brasileira e refletisse as cores de um País tro­pical em transbordo. Graça Estre­la foi escolhida.

Com mais de 50 anos de pin­cel, o talento lhe sobressaiu nos tempos de menina quando era nota máxima nos trabalhos de desenho ou geometria.

Sempre batalhadora, Graça foi dona de uma escola infantil no co­meço de sua vida como mãe. Ela não tinha tempo para pintar, então se dedicava à administrar sua esco­la e os seus desenhos que mantinha guardados, porque inspiração nun­ca faltou. Mentalizou que um dia iria fazer o que mais gostava: pintar.

Quando começou a pintar, nas noites e madrugadas, por ser o tempo que lhe sobejava, as ara­rinhas eram tristes. Graça avalia que nesta fase, ela pintava “as ara­ras do seu cansaço”.

Um dia, uma amiga, também artista, fez a seguinte análise de sua obra: “Você está muito presa, e é por isso que suas araras estão tristes.”

AS ARARAS

A vida lhe foi igualmente dura. Um acidente de carro e seu mari­do se foi. Quanto a si, ficou conva­lescendo por um ano, engessada, se recuperando de uma fratura na cervical, sétima vértebra.

Durante esse ano em que lu­tou pela sua vida, suas araras al­çaram voo. Já não eram mais tris­tes e encolhidas.

Desde então, as araras voaram nas telas.

Sua luta para voltar a andar e se recuperar do acidente mar­ca o início de uma nova fase em sua pintura.

Já profissional, enviou um cur­rículo para o Palácio do Itamaraty. Fernando Henrique Cardoso era presidente e tinha viagem oficial marcada para um encontro com a rainha da Inglaterra.

A curadora da festa na Ingla­terra queria alguém que repre­sentasse o Brasil com uma arte original. Graça brinca que seu currículo estava na hora certa no lugar certo. Foi a escolhida.

Graça Estrela viajou com des­pesas pagas para participar des­te evento oficial, na National Gal­lery, England, onde expôs suas telas como única expositora, ao lado do então presidente Fer­nando Henrique. Este fato mar­cou o início de sua carreira inter­nacional. De lá para cá ela não parou mais.

Neste mesmo evento conhe­ceu um professor da Universi­dade de Oxford que lhe fez a se­guinte observação: “Você é como uma pedrinha que foi jogada em um lago parado.” Graça avalia que ele quis dizer que quando uma pedra é jogada em um lago de águas paradas, ela gera ondas que se propagam até se dissipa­rem, em uma alusão de que ela iria crescer muito.

De fato. A arte a levou para o mundo. Já expôs em Seul, Coreia do Sul, por duas vezes; Tóquio, Japão; Alemanha por 11 vezes; Toronto, Canadá; América do Sul em quase todos os países: Vene­zuela, Equador, Argentina, e em alguns desses países por mais de uma vez; Nova York por duas vezes, na Feira Mundial de Ar­tes; e agora Miami, pela tercei­ra vez: duas vezes na Feira Mun­dial de Artes.

Graça é uma artista completa. Pinta natureza morta, casarios do Brasil Colonial (Goiás Velho-GO), Tiradentes-MG), mas foram as ara­ras que voaram para o mundo, por isso sua prioridade.

“Estou muito animada com esta exposição e tenho certeza que de lá sairei com a agenda cheia para lugares que jamais imaginaria chegar tempos atrás”, conclui Gra­ça. Graça Estrela, de Goiás, voan­do para todo o mundo.

Pinturas da artista plástica Graça Estrela

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