Cultura

Afastamento entre público e a imprensa prejudica a qualidade do jornalismo

diario da manha

Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, os noticiários locais ainda possuem uma grande distância entre os moradores e a imprensa na maioria das cidades, e no Brasil provavelmente não é diferente. A apuração foi feita pelo Pew Research Center, a instituição de pesquisa mais prestigiada sobre comportamentos e opinião pública nos Estados Unidos, e revela que apenas 10% dos moradores das três cidades investigadas tiveram algum contato com a imprensa nos últimos 12 meses.

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Especialmente para a imprensa local, a investigação mostra uma situação preocupante porque revela uma falta de envolvimento, interação e confiança mútuos entre profissionais e seu público (leitores) no debate de temas da comunidade. Os jornalistas e moradores acabam tendo uma relação marcada por interesses alheios à busca de soluções para problemas, desejos e necessidades da sociedade. O estudou apresentou também que a população das cidades estudadas – Denver (Colorado), Macon (Georgia) e Sioux City (Iowa) – mantêm uma relação igualmente distante com os governos municipais.

Metade dos habitantes das cidades averiguadas discutem regularmente temas comunitários, segundo o estudo. Isso prova como as questões locais são importantes para as pessoas, porém elas preferem mais discutir entre sim ao invés de dividir suas preocupações com a imprensa e com os governantes. Mas quando a questão chega a nível decisivo, as autoridades e os jornalistas entram em cena e passam a ser procurados, porém nesta fase o processo já entrou em um momento que faz uso de pressões e contrapressões. A fase de formatação de uma necessidade ou desejo ocorre à margem da imprensa e dos administradores.

A qualidade da produção das notícias acaba sendo prejudicada por falta de engajamento dos jornalistas com os temas do corpo social em que estão inseridos, não apenas por haver uma identificação tardia das questões de interesse coletivo como também a falta de confiança e de proximidade humana dificultam a espontaneidade das fontes informação.

A maioria dos jornais de pequenas e médias cidade possuem como maior dilema o distanciamento dos jornalistas em relação ao povo, conforme explica o ex jornalista e professor Jake Batsell em seu livro Engaged Journalism Connecting with Digital Empowered Audiences (Conectando o engajamento do jornalismo com grande público digital, na tradução livre), lançado há um mês pela Columbia University Press. Segundo o autor, a maioria esmagadora dos profissionais do jornalismo foi formada para falar aos leitores, em vez de com os leitores. A produção do texto jornalístico tem mais características de um discurso, ou aula, do que uma conversa/ uma troca de informações.

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Esse discurso jornalístico ‘distanciado’ foi uma exigência da limitação tecnológica da imprensa antes do surgimento da era digital (principalmente a internet). A transmissão das informações era centralizada e as formas de interação entre jornalistas e o público era restritas a diálogos telefônicos, conversas pontuais ou cartas que eram enviadas aos jornais, rádio e emissores de televisão. Hoje tudo isso mudou. A comunicação móvel e as redes sociais abriram um novo leque gigantesco, barato e imediato para a troca de dados, opiniões e versões.

O jornalismo incorporou as novas tecnologias como uma ferramenta para divulgar o seu trabalho, mas ainda não as utilizam como uma forma de interagir com o público para identificar os desejos, as necessidades e os problemas. Além de ainda não terem percebido que a interação com a comunidade lhes facilita encontrar fontes com informações de maior credibilidade, muito maior do que uma numa relação entre estranhos.

A resistência dos profissionais às novas formas de relacionamento com os leitores, ouvintes e telespectadores está no princípio da isenção que foi incorporada aos manuais de redação na primeira metade do século passado como uma reação ao jornalismo sensacionalista. A isenção era uma forma de tentar preservar a credibilidade, mas atualmente as coisas são bem diferentes.

A fácil e rápida acessibilidade às pessoas gerada pelas tecnologias de informação e comunicação tornou necessária uma relativização dos princípios da isenção e objetividade no campo jornalístico. Um bom jornalista precisa estar inserido ao meio social onde exerce sua profissão justamente para estar em ‘sintonia’ com o público alvo e assim poder trabalhar melhor, informar melhor e principalmente orientar melhor as pessoas. Um profissional do jornalismo especializado em lidar com a informação possui maior capacidade de identificar um boato, rumor, mentira por omissão, indução de opiniões e difamação.

O crescimento do jornalismo em comunidades ocorre em todo mundo como um desdobramento das mudanças provocadas pela internet na comunicação jornalística, não sendo uma exclusividade norte-americana. Ainda assim é uma grande incógnita porque inevitavelmente não poderá seguir o modelo da imprensa local tradicional, cuja sobrevivência está ameaçada pela avalanche de informações nas redes sociais e na comunicação móvel. Para explorar essas nova realidade da imprensa local é obrigatório pesquisar e experimentar muito, coisa que nós aqui no Brasil, salvo a exceção do projeto Grande Pequena Imprensa, do Instituto Projor, ainda não começamos a fazer.

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