Cultura

O rei da polêmica

diario da manha
“Não me importo com o que falam pelas minhas costas. Meu traseiro não tem ouvido.” (divulgação)

Clodovil não tinha problemas com seu filho adotivo. Aos 13 anos o garoto presenciou o pai tendo relações sexuais com outro homem, mas isso não mudou a relação de pai e filho

Thamy Gibson Da Editoria DMRevista

“Não espere nada cair do céu, meu amor… Pois do céu só cai cocô de passarinho, avião e raio! Vá à luta e faça por merecer.” Essa é uma das muitas frases ditas pelo polêmico Clodovil Hernandes. Homem que não negava seu gosto pelo luxo, Clodovil não teve um início de berço de ouro e batalhou para crescer e aparecer.
Nascido no interior do estado de São Paulo, em Elisiário, o apresentador era filho adotivo de Domingo Hernandes e Isabel Sánchez. Descobriu que não era filho biológico de seus pais aos 11 anos, mas, de acordo com ele, ser adotado nunca havia sido um problema.
Aos 13 anos, Clodovil presenciou o pai tendo relações sexuais com um cunhado. O assunto nunca foi tocado com o pai, que, aliás, nunca soube que o filho havia visto a cena. Esse fato não mudou o relacionamento de pai e filho, pois desde cedo Clodovil mostrou, além de uma veia crítica, ter uma mente aberta.
Sua carreira no mundo da moda se iniciou cedo. Os palpites dados no vestuário da mãe, tias e primas, logo se tornaram esboços de vestidos que foram vendidos para uma loja no centro de São Paulo.
Esse foi o pontapé inicial na sua grandiosa trajetória pelo mundo da moda. Com o tempo, o garoto simples de Elisiário conquistou a alta sociedade paulista, sendo reconhecido por diversas artistas, como Elis Regina e Cacilda Becker, além das poderosas famílias Diniz e Matarazzo.
Com um faro certeiro para o sucesso, ganhou, em 1960, o primeiro Agulha de Ouro e por muitos anos foi o pilar da alta costura brasileira, que na época dava preferência à importação de modelos europeus.
Após a conquista do ramo da moda, Clodovil resolveu expandir e aproveitar as oportunidades, passando a trabalhar também na televisão. Ficou na frente das câmeras por mais de 45 anos, nos quais percorreu quase todas as emissoras brasileiras. Apresentou programas como TV Mulher, na Rede Globo e Clodovil Abre o Jogo, na Rede Manchete.
Por querer tudo e querer na hora, o estilista premiado decidiu se arriscar em novos mares e em 2006 se candidatou a deputado federal. Foi eleito pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) com o terceiro maior número de votos em São Paulo.
O estilista e apresentador usou de muita ironia em sua campanha, com frases como “Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver.” Nascido para marcar a história, foi o primeiro homossexual assumido a ser eleito deputado federal no Brasil.
Hoje se completam seis anos desde seu falecimento, em 17 de março de 2009, devido a um acidente vascular cerebral (ACV). Dez dias após seu óbito, em 27 de março, três de seus projetos políticos foram aprovados na Comissão de Constituição e Justiça. Sendo eles: a obrigatoriedade das escolas divulgarem a lista de material escolar com 45 dias de antecedência para o final da matrícula, a criação do Dia da Mãe Adotiva e a obrigatoriedade da menção dos nomes dos dubladores nos créditos das obras audiovisuais dos quais ele participou.

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