Cultura

Impressões sobre o Morro do Mendanha

Simbologia de objetos mudos. Significados visuais da paisagem

diario da manha

Quando eu tinha uns 7 anos, minha noção de universo era compactada a um conjunto de casas chamado Vila Lucy, na região sudoeste de Goiânia. Havia espaço para alguns outros lugares, mas tirando a vila, a única coisa de relevante que eu me lembro era a fazenda da minha avó em Edeia, interior de Goiás. Pegávamos a saída para Guapó, passando por Posselândia, a fábrica de Cezarina e Indiara.

Alguns anos depois tive a oportunidade de percorrer esse caminho na direção de um carro. Todo o mistério do movimento virou “pegar a BR-070 rumo a Edeia”. Na época que eu viajava pra lá, não tinha muita noção de que a gente vive numa imensa bola e que as coisas se distribuem em cima dela do jeito que hoje eu imagino que seja.

Percepções

Funcionava assim: me colocavam dentro de um (clássico) Fiat 147 barulhento, eu só precisava ficar olhando pela janela enquanto um monte de vacas, cavalos, cercas, plantações e algumas cidadezinhas passavam. Até que finalmente o chão mudava da cor cinza-asfalto pra marrom-terra, passávamos por uma ponte que eu morria de medo. A apreensividade da viagem toda estava no medo de morrer que eu sentia ao passar por essa ponte.

Chegando mais, avistávamos uma cruz, que, segundo minha mãe, era uma tal de “homenagem” a um amigo falecido do meu avô Beraldino. Depois vinha a porteira, o pé de tamarindo e magicamente um cachorro vira-latas preto maior que eu chamado Flait vinha nos receber junto com a vovó Tilinha dentro do seu vestido florido pra hora da bença.

Mídia

Na televisão às vezes eu ficava sabendo de outros lugares que existiam. Tinha um morro com uma estátua de Jesus, chamado de Cristo Redentor, que sempre aparecia nas novelas. Quando eu saía pra rua, eu conseguia visualizar um morro bem grande também, só que no ligar de Jesus tinha um monte de anteninhas. De noite dava pra ver as luzes vermelhas que brilhavam delas. Um dia falei com um amigo que jogava bola na rua comigo sobre o morro e ele disse que o nome dele era Mendanha, e que ele ficava “bem lonjão”.

Eu ouvia falar, também na TV, que Goiânia era uma cidade muito grande, com mais de 1 milhão de habitantes, mas só fui compreender isso de verdade quando entrei pra UFG e tive que começar a pegar vários ônibus até chegar nela. A mágica de olhar pela janela, apesar de já ter sido desmistificada pelo acúmulo de informações na minha cabeça (um fenômeno natural chamado de envelhecimento), se transformou em um hábito. Uma estratégia contra o tédio, um teste de paciência.

Janelas

Durante essas observações de janela, que geralmente duram entre sessenta e noventa minutos, reparei que a imagem do Morro das Antenas insistia em continuar aparecendo vez ou outra, dependendo da amplitude de visão que o lugar em que eu passava permitia. Pode parecer idiota contemplar um morro cheio de antenas “de celular” (segundo a lenda presente na Vila Lucy), mas pensar sobre isso me fez refletir profundamente sobre a estética e a simbologia presente nos aclamados monumentos universais, e a diferença de valores atribuídos a eles em relação ao meu monumento privado: o morro.

Cheguei à conclusão de que esse caso da estética e da importância dessas coisas é apenas uma questão de geometria e de como essas figuras encontram meios de se fazerem presentes nas nossas vidas. No caso do Mendanha, não tinha novela pra fazer propaganda dele: ele simplesmente estava lá, diante dos olhos. A ele também nunca foi atribuído algum milagre, ou história relacionada a alienígenas (ainda não tive a oportunidade de contar).

Também não tinha nenhum arquiteto de renome por trás do formato visual daquelas simples torres. A distribuição pitoresca delas em cima daquele morro achatado que serve de cenário para várias sequências da minha vida me prende a atenção e me convida a observar como ele é presente e está sempre vigiando Goiânia.

É claro que deve ter muito mais explicações, inclusive psicológicas, sobre a minha fixação pelo morro. A mente se comporta de maneira estranha diante de algumas informações que recebe. Essas coisas emocionais ainda não devem ter sido explicadas direito pela ciência. Talvez no ano 3000 tudo já esteja mais claro.

Pra mim o Mendanha é um quadro tridimensional que provoca várias sensações, inclusive de localização. Você que está lendo deve ter alguma interpretação diferenciada de algum fotograma aleatório fixado por significados obscuros que talvez possa ser esticado. Que tal uma viagem de janela pra pensar um pouco sobre essas coisas?

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