Cultura

Morreu B.B. King, O REI DO BLUES

Longa vida ao rei

diario da manha

 

 

E a emoção se foi. Morreu na noite de quinta, em Las Vegas, um mito, o último ‘level’ da música negra autóctone americana, o senhor de dedos gordos e carinhosos que fazia Lucille ‘cantar’.

B.B. King está morto.

Viva, B.B. King!

O músico de blues americano responsável por dar a cara do estilo no último meio século estava com 89 anos, vivia intensamente até meses atrás e deixa um legado inestimável – que vai de gravações de standards a parcerias com grandes nomes da música internacional. Sua guitarra chamada Lucille está silenciosa.

Conforme o advogado do músico, ele não suportou as consequências do diabetes tipo 2 e de uma longa desidratação.

B.B. King chegou a fazer 100 shows em 2012 e pouco mais de 70 em 2013.

Era um músico ativo, que voltou até à África, onde reapresentou o blues aos seus ancestrais. Recentemente, apareceu ao lado de Barack Obama, em uma apresentação surpresa na Casa Branca. Tocou várias vezes no Brasil. Inúmeras em São Paulo e duas vezes em Brasília. A última apresentação – para paulistas – ocorreu em 2012.

Sua música mexe com os instintos e a sensibilidade de quem as ouve. Ele faz bends na guitarra que movem os ouvidos, provocando um leve incômodo e dor. Emociona ao cantar.

Sua imagem, logo após o anúncio da morte, na madrugada de ontem, passou a figurar na página central dos sites do The New York Times, El Pais, Le Monde.

Ele é uma personalidade pública universal. Um ícone da cultura global. Um gentleman. Casou duas vezes e teve 14 filhos. Ganhou 16 prêmios Grammy.

Riley B. King, que nasceu em setembro de 1925, sempre encarnou a transição do blues elétrico de primeira fase para as bandas de rock pesado dos anos 1960 e 1970.

Jamais usou distorção na guitarra.

Gravou preciosidades como “How blue can you get”, “Everyday I have the blues”, “Why I sing the blues”, “You don’t know me”, “Please love me” e “You upset me baby”, Three o’clock blues”, “The thrill is gone”, “When love comes to town”, “Payin’ the cost to be the boss”.

“The thrill is gone”, então, fala da emoção que vai embora após o fim de um relacionamento. É um clássico do blues, em dó menor, com a sugestão de ser uma base fantástica para improvisos e felicidades após o rompimento.

Na letra, ele diz que está “livre do feitiço” do amor. E que devemos respeitar os homens que amam.

B.B. King amou muito.

Vida longa ao rei.

 

O dia que B.B. King ressuscitou minha banda

Um dia, em 2004, B.B. King resolveu tocar em Goiânia. E lá fomos eu e meus amigos do blues (Cleomar Rosário, Gilberto Ávila e Heráclito Aquino), além do agitador cultural Pablo Kossa, testemunhar a lenda e respirar o mesmo ar que ele.

Encontramo-nos com Henrique de Paula, que já morava em Brasília. Juntos, fora Kossa (que era mais rocker), esse pessoal tocou na Hard Days – uma banda de blues que se apresentava no final dos anos 1990 tocando basicamente… B.B. King e outras velharias.

No dia do show, em Brasília, B.B. King chegou, empunhou a guitarra e começou a conversar com ela. Pensei baixinho comigo: como tocava errado suas músicas.

Seu fraseado de guitarra sempre me impressionou. E como estava distante, ficava incontrolável para tentar chegar perto desta lenda.

Não me lembro mais nem onde foi o show.

Mas lembro de cada faixa apresentada no dia, como “You upset me baby”, tocada com um vigor impressionante nas pentatônicas. Ao fim, saímos todos satisfeitos daquele show. A banda Hard Days, que estava quase desaparecendo, sem vigor, raquítica, taciturna e acabrunhada, teve um novo momento graças ao ‘rei’.

Tocamos mais vezes, agora com um gaitista genial, o Danny Boy.

E hoje, com sua morte, deu até vontade de trocar as cordas velhas da guitarra Fender que usava para emular aquele som macio.

Ele vai como que me batizando com estigma do blues: na terça-feira postei numa rede social algo do tipo “sinto que não verei mais ele”. Comecei a escutar “To Know You Is To Love You” com King, depois fui para uma versão de Stevie Wonder. E tive o pressentimento: ele estava partindo.

Enfim, eu tinha o blues. O pressentimento é um signo da música dos campos de algodão. Pela primeira vez, enfim, ocorria com naturalidade um sentimento bluesy na minha vida. E ele se confirmou ontem.

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