Cultura

“Ler é nascer todos os dias”

É o que acredita o artista Marlos Pedrosa, que lança hoje o 3º livro da carreira, no Circo Lahetô. Na programação, apresentações artísticas e inauguração do projeto que entregará livros em pontos de ônibus da periferia

diario da manha

 

Rariana Pinheiro,Da editoria DMRevista

O ator, escritor, dramaturgo, professor e poeta Marlos Pedrosa é um velho conhecido dos palcos de Goiânia. Há mais de 30 anos está ligado a diversas expressões da arte. Mas, nem sempre que entra em cena é aplaudido em estruturados centros culturais da cidade. Sua atuação está mesmo na periferia. É nos bairros pobres, onde pode ser visto – quase sempre com seu chapéu ou vestido do personagem Palhaço Pequi –, que ele dá vida a projetos, como Pau-a-Pique e a Cia. Brikatores. E, hoje, o artista convida o público para conhecer mais uma proposta cultural inclusiva. Trata-se da obra O Livro Que Queria Ser Gente e a Menina Que Queria Ser Palavra, que, em tarde de autógrafos, será lançada às 16h30 no circo Lahetô.

Na ocasião, o respeitável público vai poder levar o livro por 1kg de alimento não perecível, já que a obra foi custeada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. E, durante o lançamento, não irão faltar, claro, atrações artísticas: no picadeiro estará a artista Joana Dark (do Grupo Narratividade) e membros do Brinkatores, como o violinista Sivanildo Cortez e os atores Jociel Alves e Amanda Guedes.

Esta nova obra literária de Marlos dará continuidade a um trabalho que começou com a publicação de O Palhaço Pequi e Homem que Ainda Ri (2010), já que também utiliza como grande intermediadora a linguagem infanto juvenil. Foi, aliás, por meio deste método de expressão, que ele conseguiu englobar o mundo lúdico do teatro – sua primeira escola –, para passar mensagens também aos grandinhos. “O livro fala da importância da leitura na construção do ser e de suas possibilidades de reinventar mundo. E isto é para todas as idades”, explica o autor.

E, se a intenção de Marlos é reinventar o mundo através da leitura, a do personagem central de sua nova empreitada também é. Com ilustrações de Iuri Vaz, a publicação, apesar de lúdica é bem contextualizada à realidade atual. A história discute a famigerada correria do dia a dia, que, na narrativa acabou deixando uma obra em especial com sentimentos de abandonamento na biblioteca.

Solitário, o livro decide então ser gente para chegar mais facilmente às pessoas. E, em sua saga enquanto humano, encontra com uma menina que queria exatamente inverso: se tornar palavra. “O projeto que apresento é para esse público que diz: ‘não tenho tempo para nada e, para ler, muito menos. Então gostaria de possibilitar-lhes esta oportunidade de leitura. E cuidarei para que ele chegue nas mãos desse público com arte e poesia”, adianta Marlos.

Neste intuito, o escritor irá pessoalmente “resgatar” leitores nas ruas. Pois, também faz parte do lançamento de O Livro Que Queria Ser Gente e a Menina Que Queria Ser Palavra, a realização de um projeto intitulado Livro no Ponto da Rua: Ler Enquanto Espera.

Dentro desta iniciativa, o autor irá distribuir até o próximo sábado (27), exemplares da obra – acompanhado por atores, palhaços e contadores de histórias –, em pontos de ônibus de bairros periféricos de Goiânia, como: Dom Fernando e Aroeira (veja a programação no Box). “Acreditamos que neste projeto diário as pessoas criem o hábito de ler”, conclui.

 

Lançamento O Livro Que Queria Ser Gente e a Menina Que Queria Ser Palavra

Quando: hoje, a partir da 16h30

Onde: Circo Lahetô (Avenida H, s/n – Jardim Goiás)

A ENTREVISTA

 

DMRevista — Como nasceu esta história do livro que queria ser gente?

Marlos Pedrosa — O ato de criação é uma soma de experiências que temos e nosso envolvimento com o ato de escrever. Esse é meu segundo livro e desde 1980 sempre trabalhei com teatro. O primeiro livro foi em homenagem à minha mãe, que tinha Alzheimer e eu brincava de inventar história para ela, que ficava encantada. Foi aí que comecei escrever para criança, mesmo trabalhando com elas há décadas. E, esse livro começou com uma busca minha, de reinventar o jogo teatral através da literatura  trazendo o universo cênico para o livro. Na obra, tem uma frase que diz: “ler é nascer todos os dias”. Foi a partir disso que busquei criar uma história que fizesse essa reflexão na perspectiva  da troca de papeis. E eu me perguntei: como seria o livro se transformar em gente e gente em palavra? E fui brincando com isso trazendo uma pesquisa sobre o ser e sua existência no olhar do outro e onde outro pudesse experimentar o outro e, nesse jogo, encontrar sua identidade.

 

DMRevista — Com a realização do projeto Livro no Ponto da Rua: Ler Enquanto Espera, a ideia é que esta obra não fique na prateleira e, sim encontre com o povo nas ruas?

Marlos — Sim. Venho da periferia e trabalhei e trabalho como professor nos bairros e nessa experiência que encontrei a importância  do livro ir para rua. Esse projeto surgiu quando eu pegava ônibus de madrugada para ir trabalhar e pensei: ainda vou fazer um livro para ser distribuído nos pontos de ônibus e para ler enquanto espera.

 

DMRevista — Acha que só assim para as pessoas desgrudarem os olhos do celular e colocarem nos livros?

Marlos — Sim. Talvez não seria essa a pretensão, mas também para que o livro volte ser mais uma ferramenta de conhecimento. Acho que a tecnologia é muito importante, até mesmo para incentivar as pessoas a pegar mais no livro. E, outra coisa, lendo no ponto de ônibus, ninguém vai roubar o livro (risos).

 

DMRevista — Levando em consideração todos os anos que trabalhou com aproximação da arte e periferia, como acha que a vivência com mundo lúdico pode mudar vidas?

Marlos — O ser se realiza no jogo. Toda existência humana está nesse lúdico, pois, é no brincar que as ideias fecundam como processo de aprendizado do ser. Suas relações com mundo e é através desse processo, que o ser se descobre humano e começa a apoderar-se do instrumento da realidade para poder transformá-la.

 

PROGRAMAÇÃO DO PROJETO: LIVRO NO PONTO DA RUA: LER ENQUANTO ESPERA

  • Terça-feira (23) às 6h30

Pontos de ônibus do Grande Retiro e do Cais da Amendoeira

  • QUINTA-FEIRA (25) às 7h15

Pontos de Ônibus do Bairro Sonho Dourado, Dom Fernando e Aroeira

  • SEXTA-FEIRA (26) às 18h

Pontos de Ônibus da Praça Bandeirantes

  • SÁBADO (27) às 6h30

Pontos de Ônibus do Jardim da Vitoria e Curitiba

 

O MULTIFACETADO MARLOS PEDROSA

Marlos Pedrosa é professor de teatro do CEP em Artes Basileu França há 15 anos e, entre outras atividades, coordena o projeto Núcleo de Experiência Criativa no Trabalho do Ator (Néctar).  Sua atuação no mundo artístico começou na década de 1980, quando fundou o movimento de arte e criação Pau-a-Pique. Desde então,  criou a compahia Brincar, hoje a Brikatores e dirigiu e atuou diversas peças que buscam a inserção social por meio da arte, a exemplo de: Todo Dia é Dia de Espetáculo, Teatro do Oprimido (em assentamentos) e Biblioteca Falante e O Livro Racista.

 

Em 2009 publicou o livro Palhaço Pequi e o Homem Que Ainda Ri, e, a partir dele, elaborou e desenvolveu o projeto Literatura Cidadania Teatro Que Brinca, que percorreu 40 escolas da cidade. Em 2013, dentro do Projeto Prosa e Verso lançou o livro de poesia Estação dos Esquecidos.

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