Cultura

Nick Drake, um “enigma embrulhado dentro de um mistério”

Intimista e melancólico, o cantor e violonista completaria, hoje, 67 anos

diario da manha

Nascido na antiga Birmânia (hoje Myanmar), no sudeste da Ásia, Nick Drake tinha origem britânica. Seu local de nascimento se deve a uma passagem temporária da família pelo país asiático devido ao trabalho de seu pai. De família rica, começou a estudar Música desde a infância, por influência de sua mãe, que era compositora. O virtuosismo no violão, que treinava obsessivamente, foi desestimulado pela família no início de sua carreira, que considerava o instrumento vulgar e sinônimo de rebeldia.

De comportamento bastante peculiar e reservado, viveu apenas 26 anos. O final de sua vida foi marcado por forte depressão, o que o levou a morrer por intoxicação com medicamentos psiquiátricos. Para alguns, sua morte é interpretada como suicídio, por outros, como descuido. Seu pai, Rodney Drake, declarou em entrevista cinco anos após a morte de Nick que “sempre foi preocupado com a depressão de Nick. Nos acostumamos a esconder pílulas e medicamentos em geral em nossa casa”.

Obra

A carreira de Nick Drake passou um pouco batida durante sua vida, sendo o grande reconhecimento construído nas décadas posteriores a sua morte. Com três discos lançados em seis anos, tinha dificuldade em gerenciar sua carreira devido a sua extrema timidez. Drake não gostava de se apresentar em palco. Quando fazia não tinha nem de longe uma postura efusiva, o que assustava um pouco o público, que às vezes não se concentrava na apresentação do músico, devido a suas composições e estilo pouco comuns.

Outro motivo para sua baixa popularidade foi a impaciência com a promoção de seus trabalhos na mídia. Ele se sentia iludido pelos elogios a sua tecnica de violão, vocal suave e composições. A maioria de suas letras remete a uma paisagem outonal, com elementos orgânicos bastante presentes nas letras. Ele chegou a telefonar para alguns números aleatórios na intenção de perguntar se as pessoas conheciam “um cantor chamado Nick Drake”, para ter noção do impacto de seus trabalhos na vida das pessoas.

Depressão

O auge de sua depressão veio em 1971, quando sua família o aconselhou a procurar ajuda médica para tratar de seus problemas comportamentais e de depressão. No auge de sua melancolia, o cantor chegou a declarar sua apatia pela vida, com frases como “Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada. Eu não quero rir nem chorar. Estou dormente; morto por dentro”. Ele tinha vergonha de falar com as pessoas sobre o tratamento, e tinha receio da reação dos remédios ao seu constante uso de maconha. Joe Boyd, produtor do cantor, chegou a afirmar que ele fazia uso de “uma inacreditável quantidade de maconha”.

Nick Drake encontrava na erva um refúgio necessário para sua existência. Passava noites acordado em seu quarto tocando, ouvindo música e fumando. Seus mais de 1,90m chamavam bastante a atenção. Apesar de ter sido um atleta de bom rendimento em sua vida escolar (até hoje detém o record de sua escola nos 100 metros razos), decidiu abandonar todos os esportes no qual tinha destaque para poder ficar isolado em seu universo, convivendo o menor tempo possível com outros seres humanos.

 

Comportamento

Gabrielle Drake, irmã do músico, descreve um pouco da apatia que envolvia a áurea de Nick quando ele concluiu a gravação e lançamento de seu primeiro disco, Five Lifes Left, de 1969. “Ele foi muito sigiloso. Eu sabia que ele estava fazendo um álbum, mas eu não sabia que o trabalho já estava concluído até que ele entrou no meu quarto e disse: Aqui está”. Ele jogou-o sobre a cama e caminhou para fora”. Gabrielle foi uma grande responsável no reconhecimento póstumo da carreira do irmão, que hoje tem todos os seus discos constantemente citados em listas de melhores de todos os tempos.

Durante sua vida, Nick Drake morou em vários lugares e tinha contato com poucos amigos, os quais visitava às vezes, permanescendo em suas casas por dias ou semanas. Chegava e saia sem avisar. Não fazia parte de muitos grupos de amigos. Em seu velório, a maioria desses jovens amigos não se conheciam. A mãe de Nick também percebeu a presença de vários jovens na cerimônia, mas não conhecia nenhum deles.

Em suas últimas tentativas musicais, a equipe de produção de Nick Drake percebia claramente que seu estado emocional estava influenciando em sua vida de maneira muito profunda, impedindo-o de realizar atividades simples devido á sua grande introspecção. Boyd comenta da tentativa de gavação de um quarto disco nunca lançado”. (Nick) Foi muito apático, foi realmente assustador. Ele estava em tão mau estado que não podia cantar e tocar violão ao mesmo tempo. Foi tudo em um dia, começou na parte da tarde e terminou à meia-noite, com apenas quatro faixas gravadas”.

 

Reconhecimento

Um dos discos mais característicos do artista é seu último lançamento: Pink Moon, de 1972. Ele produziu o disco totalmente sozinho, usando puramente voz e violão, diferente de seus discos anteriores onde era acompanhado por arranjadores orquestrais ou instrumentos de jazz. Apenas a faixa título, Pink Moon, recebeu um arranjo de piano, composto e executado pelo próprio. A personalidade, crueza e atmosfera emocional que envolve o disco renderam ao lançamento várias condecorações.

No website Rate Your Music, Pink Moon é considerada o 23º melhor disco de todos os tempos. Sobre Pink Moon, o usuário K3V1N, no Rate Your Music, expõe uma resenha: “Nem todos os discos de folk conseguem passar a vibe “2 da manhã, chá quente e cigarro”. Pink Moon faz isso habilmente, graças a voz intimista e imediata de Nick Drake. O disco realmente soa como algo feito de madrugada, ao lado de um gravador de fita. A grandeza do álbum se deve a sua suavidade e sinuosidade, isso nunca o torna chato. Tem a ver com as diferenças de afinação do violão, passagens obscuras, melancólicas e nostálgicas”.

Na lista dos 500 melhores discos da revista Rolling Stone, publicada em 2003, todos os três discos de Nick Drake foram inseridos. Pink Moon ganhou mais visibilidade em 2000, quando foi utilizada numa campanha publicitária da Volkswagen. Inúmeras séries e filmes já utilizaram Nick Drake em sua trilha sonora, para espanto dos antigos administradores da Island Records, que relutava em manter as obras de Nick em seu catálogo devido à baixa vendagem quando foram lançados. Hoje, ele tem uma legião de fãs bastante expressiva, chegando a ser considerado um dos artistas mais influêntes da música nos últimos 50 anos.

Disco Pink Moon (1972)
Disco Pink Moon (1972)

 

Capa do disco Bryter Layter
Capa do disco Bryter Layter

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