Cultura

Uma viagem pela história do piano em Goiás

diario da manha

A exposição “História do piano em Goiás”, que será inaugurada hoje, às 20h, no Lilian Centro de Música (Rua 23-B nº 121, Centro), junto com o lançamento do livro da pedagoga Maria Ignês Scavone de Mello Teixeira, Estrelinhas Brasileiras – como ensinar a tocar piano de modo lúdico usando peças de autores brasileiros – Volume 2 (editora UFPR), é uma viagem no passado.

O bilhete garante a imaginação dos sons que ricochetearam pelas paredes da cidade de Goiás, Pirenópolis, Corumbá, Catalão e Goiânia.

Inspirada no imenso acervo fotográfico que tem em sua casa e na residência da pianista Belkiss Carneiro Mendonça, a pianista e professora Lilian Carneiro Mendonça reuniu uma primeira sessão de 40 imagens para compor o que será uma ampla pesquisa e série fotográfica sobre a presença do piano em Goiás.

A mostra que inaugura hoje apresenta, digamos, a segunda fase do piano em Goiás, com imagens de Nhanhá do Couto, do movimento pela construção do Conservatório de Música (hoje Universidade Federal de Goiás) nas décadas de 1849 e 1950 e a militância de Belkiss com a divulgação da música.

No século 19, as bandas de música dominaram o cenário musical do interior goiano, mas de imediato o piano passou a ter presença marcante nas salas de concerto.

Os pianos chegavam em Goiás, segundo pesquisa de Maria Helena Jayme Borges, por meio de tropas, no lombo de burros e carros de boi.

Será a partir da abertura dos portos, em 1808, que o piano chegará no Brasil e consequentemente em Goiás. Segundo pesquisa de Belkiss, publicada em livro, o piano mais antigo de Goiás teria chegado em 1835. O instrumento foi um presente de João Fleury de Camargo para a filha Mariana Gaudie Fleury.

No Estado, o anseio pelos novos ventos liberais e republicanos é que fez do piano um símbolo de educação, racionalização e sofisticação. Conforme Maria Helena Jayme Borges, em A música e o piano na sociedade goiana (1805-1972), as mulheres inteligentes da “elite rural e urbana” é que ganharam um presente para suprir o ócio e os dias longos sem tevês, rádios e as redes sociais da atualidade.

Restavam aos goianienses se dedicar, cada um ao seu modo, ao que interessava. E o piano tornou-se a paixão de muitas casas.

Quando a mineira Nhanhá do Couto chega em Goiás, ela já era uma virtuose que interpretava peças como “Patética” e “Apasionata”, de Beethoven, e prelúdios e fugas de J.S Bach.

Foi Nhanhá que plantou na neta Belkiss a missão de se formar em música no Rio de Janeiro e voltar para Goiás, onde formaria as bases do primeiro Conservatório de Música. Belkiss teve que optar em seguir carreira internacional ou retornar a começar tudo do zero em Goiás. A história todos sabem: Belkiss arregaçou as mangas e começou a defender o piano como se este fosse seu partido político e sua grande causa.

A exposição que será inaugurada hoje mostra um pouco deste histórico. A pianista Lilian Carneiro Mendonça pretende também digitalizar as imagens e divulgá-las pela rede de computadores, pois faltam registros virtuais desta história de grandeza da música goiana. A ideia é criar um museu virtual, com partituras, anotações e lembranças de um percurso longo e que mimetizou a cultura de Goiás.

Além do lançamento do livro e mostra fotográfica, alunos do Lilian Centro de Música apresentarão hoje repertório com obras de grandes pianistas e compositores. O recital reúne alguns dos melhores pianistas na faixa etária infantil e juvenil do País. Os jovens são vencedores do Concurso Souza Lima (SP), Cora Pavan (MG), Casa da Música (RS), etc. Os pianistas da escola têm participação ainda em recitais e workshops nos Estados Unidos, Europa e países da Ásia.

Nesta sexta-feira, as crianças e adolescentes interpretarão temas e peças de J.S Bach, Chopin, Beethoven, Heitor Villa Lobos, dentre outros. A entrada é franca.

Nhanhá do Couto veio de Ouro Preto para a cidade de Goiás: aos 13 anos era virtuose que apresentava peças de Beethoven e Mozart no Rio de Janeiro. Passou para a neta Belkiss a missão de popularizar o piano em Goiás e no Brasil
Nhanhá do Couto veio de Ouro Preto para a cidade de Goiás: aos 13 anos era virtuose que apresentava peças de Beethoven e Mozart no Rio de Janeiro. Passou para a neta Belkiss a missão de popularizar o piano em Goiás e no Brasil

LIVRO

Maria Ignês Scavone de Mello Teixeira, que lança sua obra sobre aprendizado de piano, é uma das mais destacadas educadoras musicais do País, com inúmeras pesquisas. A pianista traz em Estrelinhas Brasileiras um método que insere a criança ao universo do piano tendo como princípio a adequação da didática às experiências lúdicas das crianças. Ela é formada pelo Conservatório Dramático Musical de São Paulo e mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Scavoni produz livros de música, videoaulas e pesquisas sobre canções brasileiras para piano e canto.

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