Cultura

O Jornalismo experimental e censura

Reflexões sobre as novas possibilidades midiáticas e censura

Em Goiânia, crescemos observando que é muito comum o costume de se assistir jornalistas vestidos socialmente, a falar e gesticular todos os assuntos considerados de interesse público. Isso, associado à prática de colocar imagens e ao mesmo tempo um narrador que as explica com sua voz sobreposta determina um modelo de jornalismo sendo visivelmente o mais acolhido pelas emissoras de TV aberta da capital.

Essa televisão possui muita visibilidade, e atrai uma gama de investimentos publicitários e propagandas governamentais de diversos partidos políticos. É por isso que existe dinheiro para manter toda a estrutura criada pelas emissoras. Atualmente, algumas das câmeras que tem vida própria, as “câmeras de segurança”, vêm servindo além de sua função original, com espaço nessas emissoras. Convidam ao bizarro, atraindo audiência e consequentemente mais investimentos publicitários.

A mente humana é uma fonte inesgotável de ideias. Em meio a toda a onda midiática, surgem novas iniciativas jornalísticas. A forma como as pessoas assistem suas vidas é reflexo de variadas experiências que elas passam enquanto respiram para manterem-se vivas. Nem todo mundo que estuda jornalismo vê sentido no modelo terno/reportagem com narração empresarial. A tecnologia viabiliza experimentar novas estruturas, com ênfase à reflexões incomuns. Uma estratégia de comunicação bem bolada pode livrar um comunicador inconformado das redações coorporativas, além de eliminar a barreira editorial.

A preocupação surge com o poder jurídico. Pessoas processam pessoas por uso indevido de imagens. Em um momento onde produtos jornalísticos servem como elemento de acusação aos crimes mais variados, tendo em vista que as forças acusadoras possuem grande aparato de influências e de dinheiro para sustentar suas opiniões sobre o que é correto, ganha a disputa quem tem o poder de massacrar midiaticamente seu adversário. No caso de jornalistas independentes versus poder público, não é difícil descobrir quem ganha. Esse assunto serve para puxar várias reflexões sobre o poder das imagens.

Onde estão as câmeras?

Estamos cercados por filmadoras. Elas captam tudo. Carregadas por mãos ou instaladas em quinas dos mais variados estabelecimentos. Nosso nascimento, nosso sexo, nossos assaltos, nossa morte. Toda a tragédia humana é eternizada e amplamente divulgada através de pixels de computador. As pessoas satisfazem seu desejo visual de Câmera de segurançaconhecer o bizarro realismo dessas situações em telejornais e sites da web. Se não é ético que um humano filme tais situações, as câmeras ganham vida própria e aguardam automaticamente que fatos dessa índole aconteçam diante delas.

Quanto ao poder público, dificilmente vemos os conhecidos rostos de nossa política diante das câmeras quando não estão preparados para esbanjarem simpatia (propagandas de campanha eleitoral, entrevistas coletivas etc). Policiais também não querem ser filmados enquanto exercem um trabalho que é público em manifestações, como mostra o curta-metragem Eu sou a cidade, lançado recentemente no festival de cinema Pirenópolis.doc, de Thalys Alcântara e Luiz da Luz. É como se eles se sentissem ofendidos por serem fiscalizados. O estranho é que um policial exercendo sua profissão é dinheiro público convertido em ações humanas. A não fiscalização geral dessa função, por qualquer pessoa que seja, deslegitima a existência desse investimento financeiro da população.

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