Cultura

Autobiografia musical

Djavan abre hoje nova temporada do Flamboyant In Concert. Para tal, o cantor traz turnê baseada no álbum novo “Histórias Pra Contar”. Nele, o artista compartilha com público memórias, amor e, claro, muita musicalidade

diario da manha

 

“Eu já nasci, minha mãe quem diz, predestinado ao canto. Ela falou, que eu tinha o dom, quando eu estava na soleira dos meus poucos anos”. Esta faixa chama-se Dona do Horizonte e é uma homenagem poética de Djavan à sua mãe, uma influência determinante na trajetória do cantor. A canção faz parte do mais recente álbum do artista chamado Vidas Pra Contar – lançado ano passado – e, assim, logo se vê que no disco é o próprio artista de 41 anos de carreira e cujas canções já deram o tom das lembranças de muita gente, quem compartilha suas memórias. E, a turnê baseada neste álbum – intimista, digamos – o artista apresenta hoje, às 19h30, em Goiânia, para abrir a temporada 2016 de apresentações do Flamboyant In Concert.

Dando vazão ao contexto do disco, para o show – que já possui ingressos esgotados e acontece no Deck Parking Sul – Piso 1 do centro de compras -, Djavan entra em um palco vazio e escuro, mas que logo é ocupado por um grande livro, pouco a pouco preenchido com as emoções vividas nas canções.

“A vida de cada um é um livro, que se enche de cor e história”, explica a Suzane Queiroz responsável pela concepção do cenário. Já iluminação é de Binho Schaefer que, abusando tridimensionalidade – um pedido do próprio Djavan –, traz luzes coloridas e linhas verticais com escritos em espiral, círculos, grafismos poligonais e Art Nouveau.

Já Djavan, além de cantor e compositor de todas as canções, atua como grande maestro do espetáculo. Ele, que, aliás, sobe ao palco elegantemente com um figurino feito sob medida por Roberta Stamato, é quem assina a direção musical do show.  E, ajudando o músico a entoar fatos de sua vida, estará ainda os músicos: Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flügelhorn, trompete e vocal), Marcelo Mariano (baixo e vocal), Marcelo Martins (flauta, saxofone e vocal), Paulo Calasans (teclados e piano) e João Castilho (guitarras, violões e vocal).

“Existe entre nós, eu e os músicos, um código musical que permite voos para todas as direções, e isto é uma coisa que me ajuda muito, uma vez que persigo sempre a diversidade. Eu acho que a diversidade me impõe a estar sempre correndo riscos, e eu preciso disso”, conta o músico, que no repertório, além das canções do álbum novo, como Não é um Bolero e Encontrar-te, também já confirmou clássicos, como: Outono, Boa Noite e Eu te Devoro.

Memórias

Djavan, em entrevistas, já relevou não fazer a linha do cantor autobiográfico. Inclusive, desmentiu, bem humorado, boatos da internet sobre a música Flor De Lis – que diziam que o cantor havia feito para uma esposa e filho que haviam morrido durante o parto.

E, por ser inspirado em fatos reais, que Histórias Pra Contar é diferente. Nele, Djavan fala um pouco de acontecimentos ainda inéditos na sua música, como a infância em Maceió (AL), as referências de nordestinas. Como já citado, há ainda o papel incentivador da mãe, que ouvia Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Gonzaga e Orlando Silva, que são nomes que ajudaram a formar o músico Djavan, que se conhece hoje.

“Este é o meu disco mais autobiográfico. Porque, em geral, eu não falo muito de mim nas canções. Invento situações com as quais as pessoas se identificam, ou não. Mas neste disco eu tive vontade de falar da minha mãe, das minhas memórias do Nordeste. Sobre a influência dela sobre mim com relação à musica. Foi ela que me alertou para isso, que me falou, quando eu era ainda muito jovenzinho, sobre a minha vocação, que eu tinha uma vozinha bonitinha” , disse ele em entrevista a Revista Rolling Stones.

O artista, que gravou o disco no estúdio em sua casa e ganhou três Grammys  (o primeiro em 2000, com a canção “Acelerou”, em 2010 de Melhor Disco por “Ária” e, em 2015, pelo conjunto da obra), também já revelou que hoje trabalha com menos ansiedade. Contudo, uma coisa continua a mesma desde quando lançou o primeiro álbum da carreira, “A Voz, o “Violão, a Música de Djavan” (que tinha os sucessos que o alçaram para a fama Flor de Liz e Fato Consumado): ele até hoje não parou de falar sobre amor.

O sentimento aparece em suas canções famosas como “Oceano” e “Meu Bem Querer”, talvez por isso suas faixas já serviram várias vezes como trilhas sonoras de novelas.  Entretanto, apesar de ser um tema frequente, Djavan contou – novamente em entrevista para a Rolling Stones – que compor sobre o amor, ao contrário do que possa parecer – é desafiante.

“Esse tema talvez seja o mais difícil de se abordar, exatamente por essa recorrência tão grande. E isso é extremamente instigante para quem escreve, porque é um desafio. Você está sempre desafiado a trazer novas nuances, novas sensações, abranger outras questões que envolvam o encontro e o desencontro, o amor não correspondido, o pré-amor, o amor adolescente, o amor maduro, o desamor. É um universo inesgotável de inspiração”, argumenta.

Logo, elegante, disposto, inspirado e, com uma aparência daqueles “escolhidos” a não serem prejudicados  pelo passar dos anos – Djavan já está quase na casa dos 70 – , uma coisa ao menos já sabemos que se pode esperar deste cantor.

Serviço

Show Djavan no Flamboyant In Concert
Quando: hoje, às 19h
Onde: Deck Parking Sul – Piso 1(Av. Deputado Jamel Cecílio, 3300 – Jardim Goiás
Informações: (62) 3546-2016

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